Diferentes focos sobre o medo?

 

Pode não se tratar apenas de resistência á mudança mas também pode ser o  medo do desconhecido o que bloqueia as organizações ao olhar para o futuro pensando em inovação.

Idris Mootee aconselha o mapeamento do espaço em branco em inovação como uma ferramenta para superar os medos.  

“Espaço em branco é um processo e uma ferramenta que nos permite olhar a paisagem da cadeia de valor para cima e para baixo com uma lente nova. Ele pode ajudar a descobrir oportunidades que não são óbvias. Ele pode identificar novas aberturas intocadas por concorrentes, ou ele pode ser considerado parte do que tradicionalmente foi considerado uma indústria remota, diferente ou fora dos limites da empresa.”

A descoberta de oportunidades surpreendentes não se faz exclusivamente por serendipidade. Essa descoberta de oportunidades únicas pode ser o resultado de um trabalho criativo e de pesquisa consistente e orientada.

O processo pode ser usado para identificar mercados inteiramente novos, ou pode ser usado para mapear inovação incremental em produtos ou serviços.

Para preencher esse espaço em branco é importante conhecer os interesses e necessidades dos clientes, isto é compreender como os indivíduos pensam e descobrir os seus “mapas cognitivos”, isto é, as suas necessidades ocultas.

A análise que está por trás de necessidades ocultas não é simples. Fazer perguntas pode ser ineficaz e por isso necessitamos de novas abordagens desenhadas em grande parte pela antropologia e psicologia, para descobrir opiniões e crenças das pessoas.

Quando uma organização se apercebe da necessidade de descobrir novos caminhos de desenvolvimento e procurar novos espaços de actuação, olhar para um espaço em branco sem preconceitos ou prisões de esquemas o melhor caminho é partir de um espaço em branco e dar-lhe cor.

Idris Mottee aponta três focos para o mapeamento do espaço em branco:

A perspectiva focada no exterior que “começa com o mapeamento do mercado, produtos ou serviços nos seus mercados e determinar se estes são servidos, parcialmente servidos ou não servidos. O objectivo é encontrar as lacunas existentes nos mercados, produtos ou linhas de serviços que representam oportunidades para o negócio”.

Não se procura apenas conhecer o posicionamento da organização no mercado mas sobretudo procurar uma aproximação ao desconhecido ou oculto através de um processo centrado nas pessoas. As necessidades não articuladas podem representar uma lacuna a preencher.

A perspectiva focada internamente permite mapear as capacidades da organização para lidar com novas oportunidades ou enfrentar as ameaças por parte dos concorrentes. “Este processo é usado para determinar a eficiência e a eficácia da reacção às oportunidades e ameaças de processos, sistemas estruturais e perspectivas”.

Nesta altura alguns dos medos mais profundos possivelmente começam a surgir e poderão caminhar em direcção à sublimação. As pessoas tendem a mostrar-se competentes mesmo reconhecendo falta de competências em alguns domínios.

A perspectiva focada no futuro no “processo de mapeamento de espaço em branco irá colocar ênfase na aplicação de prospectivas estratégicas. Normalmente, há um horizonte de tempo não inferior a cinco anos e envolvendo a entrada de exercícios de prospecção estratégica”.

Quando se fala de futuro ou de prospectiva o nosso ponto de partida pode variar muito, desde um perfil analítico até ao do sonhador e visionário.

Para muitos analíticos este processo de mapeamento pode tornar-se difícil e até doloroso. Os medos de embarcar numa viagem não determinada pelo passado ou exclusivamente por tendência podem (imagino) bloquear a visualização do futuro.

Basicamente a base deste processo são as pessoas, o conhecimento que possuem e a capacidade de tirar conclusões prospectivas de registos de necessidades e desejos de outras pessoas. O espaço em branco pode proporcionar o medo de preencher algo sem ter certezas e pode proporcionar um bloqueio á intuição, mas quando bem trabalhado pode resultar na expressão de potencial encoberto e numa grande oportunidade de negócio.

Um espaço em branco pode permitir a passagem de um mistério (por exemplo, como é que as pessoas querem comer no mundo de hoje) – à heurística (um restaurante num ambiente de alto tráfego) para o algoritmo (um processo que pode ser replicado e implantado com velocidade).

Será que os medos são suficientemente fortes para impedir a descoberta de novos espaços?

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