Reconhecer e recompensar a criatividade

Um dos grandes problemas organizacionais que surgem a todos os gestores nestes tempos conturbados de mudança é saber como motivar ou ser capaz de reter os colaboradores de excelência.

Saber como gerir a mudança, como ajudar as pessoas, como desenvolver e como redesenhar as organizações para atingir resultados surpreendentes é uma preocupação de qualquer campeão nas organizações.

E ser campeão significa estar atento aos sintomas dos males das organizações e ao seu contexto de forma a evitar problemas agudos. Ser campeão é procurar obter sempre uma boa definição dos problemas, situação facilitada por uma abordagem:

Design thinking é sobre a criação de uma cultura para incentivar a criatividade e a colaboração radical (por trazer membros do grupo com diferentes formações e especializações para trabalharem juntos para resolver problemas).

Mas colaborar não é uma coisa que se faça por despacho normativo! Colaborar é um ato voluntário que necessita de energia para ultrapassar muitas barreiras.

“As barreiras culturais ao Design thinking incluem obstáculos pessoais na organização tais como lacunas semânticas, onde as pessoas usam as mesmas palavras para significar coisas diferentes, e também usam palavras diferentes para significar a mesma coisa, o que leva a confusão.”

Mas colaborar só significa uma coisa! Significa colocar os valores humanos no centro e focar os nossos esforços na criação de experiências de aprendizagem, que transformem a manutenção do status quo em produção de soluções criativas.

Este é um alerta a todos os responsáveis de Recursos Humanos, que durante muito tempo tem preenchido a sua vida profissional com as imagens de desalento produzidas por uma cultura que sempre privilegiou a recompensa por fazer bem o estabelecido em detrimento da criatividade.

A passividade característica dos chamados departamentos de Recursos Humanos enquanto parte integrante das organizações tem sido a característica dominante nesta conquista de talentos. Agora as pessoas envolvidas nesses departamentos sentem-se confrontadas com ambientes de negócios mais dinâmicos e com várias implicações ao nível das contratações, avaliações e sistemas de reconhecimento e recompensas.

Neste sentido elas vão assumir o seu verdadeiro papel que é o de liderar pessoas que sentem, que têm vontade, que são capazes, que são criativos e que querem crescer.

Ideo Design Thinking

São empreendedores internos e por isso representam uma perspetiva nova de gestão e de liderança.

A empatia com todos os colaboradores da empresa é fundamental, pois é a única forma de compreender as verdadeiras necessidades dos dirigentes de topo e dos colaboradores, a todos os níveis.

Para os novos “RH”, fazer centrar a ação nos valores das pessoas é atribuir significado à colaboração e à conectividade, gerindo as combinações de talentos e inovando nos planos de reconhecimento e recompensa e estando atentos às novas exigências que é trabalhar com constrangimentos.

A criatividade começa na forma como olhamos e vemos as pessoas, mesmo aquelas que representam a gestão de talentos, competências e remunerações. Elas fazem parte dos hemisférios direito e esquerdo das organizações, são arautos de normas e de motivações, de disciplina e de criatividade, de sucesso e de recuperação.

Tradicionalmente o erro era penalizado nas organizações o que se traduzia na falta de recompensa, mas hoje é preciso liderar a não punição e transformar o erro em aprendizagem.

A gestão do potencial das pessoas que trabalham nas organizações pode hoje passar por ser a liderança de um processo de transformação cultural, diminuindo o peso excessivo do pensamento analítico e equilibrando-o com pensamento intuitivo e criativo.

Para isso é necessário:

A – Selecionar mais pessoas criativas.

B – Não privilegiar a forma tradicional e exuberante como são recompensados aqueles que promovem o que é confiável e reconhecendo e recompensando devidamente aqueles que promovem o que é válido.

C – Incluir nos processos de avaliação critérios que visem a criatividade, trabalho com restrições, empatia, pensamento holístico, colaboração e experimentação.

Os “Recursos Humanos” devem deixar de ter como preocupação fundamental a maximização da rentabilidade do que têm hoje e passar a explorar novos caminhos.

Inovar para os responsáveis de talentos passa por criar uma nova dimensão, mais integradora de competências e aberta de aprendizagens, para o todo, cada vez maior, que a soma das partes.

 

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