Que curiosidade?

A curiosidade é um ingrediente fundamental para o desenvolvimento de uma equipa que procura gerir a mudança, criar valor e desenvolver uma cultura de inovação.

Se pararmos um pouco para pensar facilmente podemos verificar que conhecemos pessoas que são regularmente exploradoras mas não são curiosas intelectualmente. Isto é, nestas circunstâncias prevalece uma exploração e observação contemplativa sem a intenção de agregar e integrar conhecimento.

Por outro lado podemos observar pessoas que buscam incessantemente o significado das coisas, mas com algum temor arriscam a exploração do desconhecido. O factor risco tem aqui um peso importante.

Um líder possuidor desta característica facilmente contagia o seu grupo porque, aliada a uma atitude de observação constante a curiosidade permite o registo e a comunicação dos aspetos críticos inerentes aos projetos em curso inspirando assim confiança.

Na construção de uma equipa, é com pensamento crítico e sem receio de assumir riscos que um líder seleciona os seus colaboradores. A colaboração vai tornar-se num fator chave para se encontrar o sucesso através da estratégia delineada para alcançar os objetivos.

Mais do que trabalhar as ideias importa assegurar a competência.

Para refletir:

Os cavalos podem reconhecer padrões simples de previsibilidade e ter confiança neles, mas quando algo fora do comum acontece, o seu pavor sem nome salta cá para fora. Isso ocorre porque o cavalo não possui a capacidade de aplicar factos conhecidos a novas situações. …

Devemos entender que todos os cavalos respondem de forma diferente. Alguns são muito sensíveis e respondem rapidamente, e alguns são mais letárgicos. Sendo selvagem ou doméstico, há uma diferença principal no seu comportamento que é cautela. Todos os cavalos são curiosos por natureza, mas o cavalo selvagem difere na sua curiosidade do doméstico.

CURIOSIDADE SELVAGEM

No oeste, num santuário de cavalo selvagem, eu estava a ver os cavalos selvagens a uma determinada distância. Quando tomaram consciência da minha presença, toda a manada olhou para cima e me encarou. Lembre-se, esses cavalos nunca foram tocados por um ser humano. Eu sou paciente e apenas esperei. Eventualmente, todos eles começam a caminhar em minha direção. Quando eles estavam a cerca de 300 metros de distância, eles pararam e olharam-me. Por causa de sua curiosidade eles estavam à espera do meu próximo movimento. Se eu ficar agressivo, eles fogem. Se eu tentar chegar perto deles de uma forma gentil, eles vão embora, mas não tão agressivamente.

CURIOSIDADE DOMÉSTICA

Numa quinta de criação, onde 500 a 600 cavalos estão nas pastagens, eu vi à distância uma manada de cerca de cem. Quando olharam para cima e me viram, toda a manada galopou em minha direção e me rodeou. Há um garanhão, muitas éguas e um bando de crias. Eles são amigáveis. Posso tocá-los. As crias vêm para que eu possa acaricia-las e o garanhão coloca a cabeça dele no meu ombro. Mesmo sendo cautelosos, eles são mais curiosos e confiáveis.“

Nós sabemos que qualquer desafio colocado a um líder é facilmente transformado em jogo quando toda a equipa conhece o meio ambiente onde se desenrolam as suas atividades.

O auto-controlo e a resiliência, são fundamentais para  encararmos obstáculos e adversidades que muitos desafios nos colocam. Os membros da equipa devem estar preparados para os enfrentar e por isso um alto nível de motivação intrínseca é uma boa alavanca para seguir em frente.

Saber ouvir e comunicar entre si, outra peça para o jogo, são duas faces da mesma moeda que o líder e os seus colaboradores devem usar nas trocas de saber e de experiências. É com uma atitude colaborativa que as ideias se desenvolvem e se materializam.

Hoje, com a facilidade e disponibilização de ferramentas de comunicação, não há lugar ao saber de “gaveta” e a colaboração enriquece o trabalho a realizar e conduz a resultados surpreendentes.

Há contudo, cada vez mais, uma necessidade real de criar defesas quanto à desinformação e à construção de novas ignorâncias produzidas por dados falsos e descontextualizados. É bom lembrar que a capacidade que o meio ambiente tem em moldar as nossas atitudes e o saber é, muitas vezes, responsável pela direção ou foco da nossa curiosidade.

Daí que seja frequente a interrogação:

Estarei a desenvolver a minha curiosidade exploratória ou estarei com sede de conhecimento e consequentemente a desenvolver a minha curiosidade intelectual?

Quer comentar?

 

Nota: Este texto foi adaptado de um texto meu publicado em 29 de Julho de 2010 em Cavalinova e tem como objetivo relembrar e corrigir pontos de vista.

 

 

 

Share
 

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *