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Uma receita especial

Da mesma maneira que nos cansamos de um cozinheiro competente, que faz as nossas refeições sempre com o mesmo sabor e por essa razão, procuramos em nós próprios a incompetência de ser artista na cozinha, também pode haver alguém não competente que cansado da competência queira ser um visionário nos negócios.

“Dê uma olhada nos fóruns de discussão geek e verá uma lista interminável de críticos de língua afiada, cada um deles, preparado para abater uma ideia ou outra. E depois dê uma olhada nas empresas que aparecem nas várias mostras, e verá uma empresa, após a pintura de melhorias incrementais baseadas em suposições actuais.

A razão é simples: os tecnólogos sabem como fazer as coisas funcionarem.

Quando um engenheiro tem uma capacidade comprovada de entregar os produtos, para manter as coisas cantarolando e a bater certo, é fácil cair na armadilha de rejeitar tudo o que não foi demonstrado que pode funcionar, que não foi comprovado no mercado.

Competência não é a mesma coisa que imaginação” – Seth Godin

Eu sempre fui, e sou, um apologista de que existe uma diferença entre competência e qualificação e que esta última não representa necessariamente a primeira. Mas raramente me dou conta que a não competência pode significar estar liberto para imaginar.

Num comentário no meu último post, Tim Kastelle diz :” Eu tenho tendência a concordar com pessoas como Verganti quando eles dizem que temos que ter visão suficiente para desenvolver inovações revolucionárias”. Eu sinto um pouco o mesmo e também concordo com Ralph Ohr quando ele diz (também aí) que “combinar a visão e a integração do consumidor parece ser um pré-requisito prometedor.

Mas par que isso aconteça é preciso que a “elite” visionária vá junto das pessoas e descubra quais os ingredientes necessários para conceber o seu molho especial do futuro.

Segundo Verganti os ingredientes estão lá, à espera de serem utilizados:

E com a difusão de processos de inovação aberta, competições ideias, e assim por diante, os executivos estão cada vez mais expostas a uma variedade de ideias.

O que está em falta, estou com medo, são pensadores visionários, que sejam capazes de dar sentido a esta abundância de estímulos – visionários que irá construir as arenas para libertar o poder das ideias e transformá-las em acções.

Eu penso que a formação de uma visão é baseada em pesquisa e na profunda compreensão do meio ambiente onde pretendemos actuar e para que se possa transformar ideias em acções essa liderança visionária exige uma exploração forte de um sentido.

A grande imagem de uma empresa no futuro só pode ser centrada nos consumidores / utilizadores e nós não podemos pensar no futuro repetindo o passado.

Ao relaxar o nosso papel de competência nas organizações libertamos a nossa imaginação para questionar os consumidores / utilizadores.

“O truque está em ver o futuro antes de ele chegar”, Gary Hamel and C.K. Prahalad, que também indicam três questões a levantar sobre o futuro e a visão que temos dele:

“1. Que novos tipos de benefício para o cliente devemos procurar em cinco, dez ou quinze anos?

2. Que novas competências terão de construir ou adquirir para oferecer esses benefícios aos clientes?

3. Como será que temos de reconfigurar a interface do cliente durante os próximos anos.

Qualquer visão que seja apenas uma extensão do ego do CEO é perigosa.”

Encontrar benefícios é encontrar significado. Identificar novas competências é olhar para o futuro. Reconfigurar o interface é…?

Diga-me o que pensa?