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Tendências : Pessimismo e optimismo

As nossas opiniões são o resultado de anos a prestar atenção às informações que confirmam aquilo em que acreditamos, ignorando as informações que desafiam as nossas noções preconcebidas.

Somos, uns mais que outros, frutos de uma educação e aprendizagem baseada em escolhas entre o sim e o não e por isso nos inclinamos para algumas armadilhas na decisão quando há risco e recompensa.

O nosso cérebro engana-nos com aquilo que guarda. Ele sente-se atraído por longas distâncias quando elas significam grandes recompensas.

Quem toma decisões nas empresas deve estar consciente da importância de algumas tendências psicológicas que enfrenta na altura de decidir.

Hoje Arie Goldshlager (no twitter @ariegoldshlager) partilhou um artigo How Potential Breakthrough Offerings get Killed Off onde se pode ler:

“Duas implicações. Primeiro, certifique-se de fazer suposições e julgamentos com alguma profundidade de análise. Cuidado com decisões rápidas baseadas em instinto ou metáforas superficiais. Em segundo lugar, estar disposto a aceitar algum risco. O futuro também é difícil de prever. Mas o lado positivo da criação de uma nova categoria ou subcategoria pode ser estrategicamente importante e pode justificar a aceitação de risco. Ele pode fornecer uma plataforma de negócios para o futuro e um fluxo de lucro que pode apoiar o crescimento estratégico. A empresa precisa de ter cuidado para que um viés em direcção à desgraça e à melancolia não resulte muito rapidamente numa decisão errada”.

Os exemplos que são apresentados neste artigo são pertinentes e bem escolhidos para justificar estas duas implicações. Não quero com isto dizer que se trata de um viés de confirmação.

Nós sabemos que hoje, o medo e o pessimismo não são legais. Vivemos numa época em que a felicidade é a realização mais desejada, e ninguém admira as pessoas que têm medo. É fácil ridicularizar qualquer um que aponta para os perigos futuros e classificá-los de pessimistas.

As pessoas ao longo dos séculos desenvolveram uma capacidade biológica de medo, porque os ajudou a sobreviver, o que lhes permitiu passar os seus genes para as gerações futuras. Isso ajuda a manter-nos resistentes à mudança e em alerta para muitos perigos que podemos enfrentar.

Se por um lado esta capacidade de estar alerta é boa, por outro lado ela impe-nos frequentemente de dar grandes passos.

A nossa capacidade inata para ter medo confronta-se com outra característica humana também forte que é a tendência para o optimismo.

Existe em nós um viés em direcção à esperança quando surgem possíveis ameaças no nosso ambiente. No entanto a maioria de nós subestima as dificuldades que enfrentamos, assim como sobrestimamos a nossa capacidade para responder a essas dificuldades.

Alguns resultados de questionários feitos com estudantes em vésperas de integração no mundo do trabalho mostram que 70% dos inquiridos se sentem mais capazes que os outros para liderarem equipas de inovação. É claramente um excesso de optimismo.

Os líderes de inovação podem estar sujeitos a estes desvios e precisam contar com os riscos e os obstáculos que irão enfrentar ao liderar um projecto. Muitos deles se o fizerem racionalmente não saem do ponto de partida, no entanto a auto-confiança faz com que arrisquem e, no caso de insucesso, justificam-se com o tempo ou com factores externos.

Na maioria das vezes as vitórias do optimismo resultam numa bolha especulativa e as vitórias do pessimismo resultam em grandes perdas de oportunidade.

É no equilíbrio entre as várias forças que se encontra o caminho do sucesso:

A intuição não é mais de que uma resposta fruto da experiência mas em que as decisões não são fáceis de explicar.

A impulsividade é uma necessidade absoluta de obter respostas imediatas e que necessita de ser gerida.

As tendências psicológicas devem ser vistas como realidades e carecem de cuidado na sua utilização. Os atalhos cognitivos exigem um delicado equilíbrio de auto-consciência.

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