Currently viewing the tag: "Usabilidade e inovação"

A natureza humana

“A subtileza do Homem nunca vai inventar uma invenção mais bela, mais simples e mais directa do que a natureza, porque nela nada de invenções está faltando, e nada é supérfluo.” – Da Vinci

A nossa vontade constante de olhar para algo que não é feito pelo homem é comum a quase todas as pessoas que habitam este planeta e no entanto não sabemos porque nos sentimos impelidos para essa observação.

O impacto que muitas das coisas que constituem o local onde habitamos e os locais por onde passamos bem como a vida que neles existe é de tal maneira grande que nos interrogamos porque em tudo isso nada parece ser supérfluo, isto é, tudo parece ser simples.

É um facto que os últimos anos se caracterizaram por uma velocidade “excessiva” de transformações que, não deu margem para grandes reflexões.

Nós, ao logo dos tempos procuramos entender os segredos da natureza, para muitas vezes a alterarmos de forma a tirarmos benefício dessas mudanças e, por isso, através da observação fomos buscar inspiração.

Apesar de não conseguirem igualar as obras da Natureza, os homens e mulheres, não deixam nunca de lado a noção de que esses princípios da Natureza, simplicidade, direcção e equilíbrio são o âmago da criatividade, da inovação, da mudança.

O impacto da simplicidade!

Nós sabemos, agora, que a simplicidade cativa cada vez mais num ambiente em que as interacções são mais complexas. Tomar decisões ou fazer escolhas, torna-se cada vez mais difícil e onde existe instabilidade e velocidade clama-se por simplicidade, a única forma de rentabilizar o tempo e criar harmonia.

As pessoas querem produtos e serviços simples, com orientação clara e que as coisas funcionem de forma rápida à primeira vez, sem muito esforço, isto é em perfeito equilíbrio.

Como diz John Maeda:  Meus produtos favoritos que incorporam simplicidade são geralmente aqueles que não têm microprocessadores embutidos nelas:

1) Colher: Faz tão minha sopa não cai no meu colo.

2) Hammer: Eu entendo como usá-lo sem um manual.

3) Livro: mesmo sem uma caneta, você pode fazer algo real (origami).

4) Calculadora: porque eu sou terrível em matemática.

Mas a simplicidade muitas vezes implica na sua construção um trabalho árduo e complexo.

Por exemplo, quando as pessoas dizem que algo é “intuitivo”, eles isso quer dizer que faz sentido para qualquer pessoa, mas fazem-no utilizando o seu próprio quadro de referência que não é obrigatoriamente igual ao das outras pessoas. Esta expressão poderá ser válida para um conjunto alargado de pessoas se o trabalho desenvolvido pelas empresas for resultante da identificação dos facilitadores de uso comuns a essas pessoas.

Se estamos a falar, por exemplo, de software, ao compararmos as condições de uso do Microsoft Word há uns anos atrás com as condições de hoje poderemos dizer que esta ferramenta de trabalho é agora mais intuitiva que antes. Houve um trabalho profundo no sentido de facilitar o seu uso mas que nem sempre é pacífico.

As empresas querem diferenciar-se.  As empresas querem que seus clientes se mantenha fiéis mas os seus colaboradores querem mostrar que são inteligentes e criativos e esquecem-se que essa pode não ser a postura dos clientes.

Os clientes não querem pensar sobre a ferramenta porque eles querem focar-se no que fazem, seja ouvir uma música, uma tarefa de negócios ou simplesmente enviar uma mensagem se tiverem nas mãos um aparelho que eles sabem que tem essas funções.

Por exemplo, “A Apple compreende perfeitamente o valor de um activo intangível como o software; muitas empresas ainda vivem no mundo físico, onde o tamanho do produto, peso, e peso total tem mais influência política. Porque a Apple “pega” a revolução do software, eles acabaram de construir o tipo certo de aparelhos electrónicos ao seu redor; as outras empresas fazem produtos em seguida, tentam coisas da Internet dentro deles como uma reflexão tardia.  Assim, os três desafios chave de design são simples:

– Software, software, software.  Considere a sua plataforma de entrega de hardware como irrelevante, e primeiro escolha a experiência de software certa.

– Compreenda e comunique simplicidade.  Adopte “simplicidade”, como parte de sua estratégia de marca, e entregue-a na sua linha de produtos.

Use menos, pense mais.  Ao entregar um objecto com menos funções para aumentar usabilidade, faça com que cada função trabalhe melhor, colocando mais dinheiro / esforço para isso. – John Maeda

Quer comentar?