Gerir e criar conhecimento É perfeitamente conhecido que as organizações veem o conhecimento como uma das suas vantagens competitivas, na forma de recurso estratégico para a resolução de problemas. Da mesma forma que um bom agricultor trata as suas árvores de fruto assim as empresas deveriam tratar o conhecimento. E tal como num pomar se [...]
Gerir e criar conhecimento
É perfeitamente conhecido que as organizações veem o conhecimento como uma das suas vantagens competitivas, na forma de recurso estratégico para a resolução de problemas.
Da mesma forma que um bom agricultor trata as suas árvores de fruto assim as empresas deveriam tratar o conhecimento.
E tal como num pomar se devem tratar as árvores sem o uso abusivo de produtos químicos também a informação nas organizações não deve ser sujeita aos efeitos do tratamento artificial e manipulador.
Se as empresas pretendem os bons frutos, que com o seu aroma deliciam os seus clientes fornecendo conteúdos sumarentos, as organizações terão de tratar da sua árvore do conhecimento desde a raiz à copa, sem esquecer a manutenção de um tronco saudável.
Muitas empresas têm iniciado uma série de projetos no tratamento da informação que incluem a utilização de novas tecnologias e suportes informáticos capazes de armazenar dados em quantidade muito significativa.
A questão pertinente que se coloca é:
Como cuidar de uma estrutura que suporta a eventual informação resultante do tratamento desses dados?
Se uma árvore não tem as suas raízes bem desenvolvidas no terreno onde está implantada, provavelmente cairá com a força de uma intempérie. A forma como o conhecimento foi sendo construído na organização vai identificar as suas raízes e a dinâmica da sua estrutura e por isso quanto mais perto essa construção estiver dos valores da empresa, mais forte a estrutura e menos sujeita estará a desvios.
Nós sabemos que uma árvore pode ter um crescimento determinado ou indeterminado e de acordo com esse crescimento assim deverá ser mais ou menos podada para satisfazer as necessidades do agricultor. Nas empresas os cortes seletivos de dados, eliminam informação redundante e propiciadora de erro permitindo um crescimento sólido do conhecimento.
Num pomar, há momentos antes da floração, em que um agricultor precisa de impedir infestações, e para isso recorre mutas vezes ao seu conhecimento tácito, isto é, à sua experiência. Se uma organização quer ver o produto do seu trabalho florir, terá que recolher o conhecimento resultante da natureza da sua atividade e pulverizar os seus colaboradores com o fluido tácito que detém. Isso proporciona novas ideias que darão lugar a produtos e serviços de alta qualidade e utilidade.
Quando uma árvore começa a florir dá-se início ao processo de polinização.
Não deve ser evitada a polinização cruzada, sendo esta minimamente controlada. Sendo controlada poderão surgir frutos mais saborosos e aromáticos. Nas empresas o cruzamento de informação ou intersecção de ideias, pode dar origem a um novo conhecimento.
É preciso abrir as fronteiras e explorar novos horizontes e novos ventos.
Contudo é útil saber que se uma árvore está carregada de frutos e não está protegida com estacas, uma pequena ventania pode derrubar alguns dos seus ramos. A informação em grandes quantidades pode não trazer vantagens, pelo contrário, pode dificultar a tomada de decisão quanto à relevância e à aplicação da informação em causa.
O agricultor fica feliz quando repara na cor dos seus frutos e sente-se recompensado por ter utilizado a metodologia correta neste ciclo de vida das suas árvores. Já só pensa nos canais de distribuição até chegar ao consumidor final.
As empresas que construíram os seus produtos e serviços, com o auxílio de uma boa gestão de conhecimento, sabem que cada momento é vital e que cada componente do seu sistema é essencial para o resultado final.
Mas não é suficiente a gestão de conhecimento e as empresas podem e devem recorrer a espaços de criação, tal como um agricultor procede a enxertos nas suas árvores.
“Por quê? Porque esses espaços de criação, assentam fortemente em plataformas de rede compartilhados, fornecem ferramentas e fóruns para a criação de conhecimento e, ao mesmo tempo captam a discussão, análise e ações de forma a torná-lo mais fácil de compartilhar através de uma gama mais ampla de participantes… Espaços de criação têm o potencial para gerar retornos crescentes – quantos mais participantes se juntam, mais rapidamente o conhecimento novo é criado e mais rapidamente o desempenho melhora. Eles trazem para jogo efeitos de rede na geração de novos conhecimentos. Em contraste, os sistemas tradicionais de gestão de conhecimento estão inerentemente diminuindo proposições de retornos.“ – por John Hagel III, John Seely Brown e Lang Davison
Uma cultura de saber, de conhecimento explícito e tácito, requer cuidados continuados ao longo da vida da empresa.
Para o agricultor é agora a altura de fazer a compostagem com os resíduos da laboração. Às empresas, resta reciclar toda a informação combinando-a de forma a criar valor em cada momento que se segue na procura da satisfação das necessidades dos clientes.
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