Currently viewing the tag: "Tomar decisões e segurança"

Não ter certezas não é insegurança

Quando pensamos que estamos certos sobre alguma coisa que acontece no mundo à nossa volta, sentimos que compreendemos as coisas e julgamos que podemos prever o que vai acontecer.

Existe nessas alturas um sentimento de controlo de tal forma “real” que nos julgamos em segurança.

Para mantermos essa segurança nós habitualmente procuramos o controlo das coisas através da compreensão, isto é, procuramos compreender para podermos prever e dessa forma garantir um futuro bem seguro.

Mas será que isto é verdadeiramente possível num ambiente de constante mudança e cada vez mais diversificado e interactivo?

A certeza é uma sensação de conforto, muitas vezes traduzida em pressupostos, presunção ou até mesmo conhecimento inabalável.

A certeza é o resultado de uma extrapolação de eventos ou experiências do passado aplicados ao futuro quando as condições em que eles ocorreram se repetem sem a mínima alteração.

Ter a certeza de que algo vai acontecer é negar a complexidade e impedir que a simplicidade incorpora as soluções dos problemas que enfrentamos.

Não ter a certeza é desconfortável e cria tensões que nos motivam, embora nem sempre na direcção certa, quando pretendemos tomar decisões.

No pensamento “tradicional” as pessoas acreditam que podem ver a “verdadeira realidade” de qualquer situação e que qualquer visão que se oponha à deles não é realidade.

Essas pessoas acham que não pode existir um modelo melhor, porque eles têm a certeza de como as coisas são.

Mas quando nós nos confrontamos com uma nova mentalidade com mais abertura, mais curiosidade e mais criatividade verificamos que há uma outra visão da realidade porque: 

Os modelos existentes não representam a “realidade”, mas são uma construção e essa construção é muitas vezes feita na base de preconceitos elaborados na aprendizagem e na aculturação.

Com esta postura, os pensadores tradicionais entendem que, qualquer opinião contrária deve ser esmagada e procuram simplificar as questões para evitar a complexidade, fazendo as suas escolhas de forma rápida e com carácter decisório, evitando as tensões.

“De todos os ventos contrários que enfrentamos como tomadores de decisão, o poder de um ofusca todos os outros: a nossa necessidade de segurança. É tipicamente mais importante para nós sentirmo-nos bem, do que estar certos – uma diferença que não tinha muita importância na vida dos nossos antepassados, mas agora importa muito…

A nossa fisiologia está orientada para nos movermos rapidamente para eliminar a tensão desconfortável de não saber – a resposta à ansiedade leva nossos corpos a dar resposta quando percebemos que perdemos o controlo, porque nós não entendemos. É esta tensão que nos motiva a descobrir as coisas, como o sussurro misterioso no mato, a traição confusa de um amigo, a promoção que não conseguimos – todos os problemas menores e maiores com que nos confrontam todos os dias.” – Ted Cadsby

A falta de conhecimento ou a incerteza sobre determinado assunto cria tensões e essas tensões que são desconfortáveis têm sido até hoje apaziguadas com a procura de um aumento de conhecimento que nos conduza em segurança nas alturas de tomada de decisão.

Uma das formas de protecção que nós temos encontrado para garantir o sucesso das nossas previsões é a utilização das métricas e de uma análise profunda de conjuntos enormes de dados e das suas relações com factos passados.

Esta opção poderia ser até excepcional se não houvesse mudança. Seria uma replicação clara do passado em algum momento no futuro.

Mas não é assim, a mudança existe!

“Eles não tinham como em todos os de prever a mudança. A sua concepção nuclear – “Se não consegue medir, não conta” – impede-os de demonstrarem, a si mesmo, que o futuro não será nada uma extrapolação do passado. Note, no entanto, que é uma prisão que eles construíram para eles próprios. Eles constroem-no, trancam-se numa cela, jogam a chave fora, e depois queixam-se de estar injustamente presos numa cela de prisão.

Precisamos ficar longe de todos aqueles velhos ditados sobre medição e gestão, e nesse espírito eu gostaria de propor uma nova sabedoria:

“Se você não pode imaginar, você nunca vai criá-lo.” O futuro é acerca de imaginação, não de medição. Para imaginar um futuro, é preciso olhar para além das variáveis ​​mensuráveis, além do que pode ser comprovada com dados do passado.” Roger Martin

Agora temos de imaginar um mundo onde a certeza seja apenas confirmada pelo passado quando estivermos em segurança no futuro.

A nossa maior segurança é sermos capazes de imaginar soluções para os problemas e utilizar a incerteza como uma constante para questionar pressupostos.

A incerteza pode ser uma alavanca para a criatividade e inovação.

Quer comentar?