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Interdisciplinaridade e a polinização de ideias

Eu habitualmente preocupo-me com a separação dos resíduos produzidos em minha casa de forma a facilitar o seu reaproveitamento em locais apropriados para o efeito.

Uma das “rotinas” que eu sigo é separar o lixo orgânico e depositá-lo num pequeno depósito que construí no fundo do quintal para poder usufruir mais da compostagem realizada.

Numa dessas incursões para o depósito chamaram-me à atenção algumas abelhas de fim de Verão que pousavam nos derradeiros tomateiros em flor deste ano. Eu vou aguardar para ver o resultado. Elas voavam de planta em planta e davam uma ajuda preciosa com a sua polinização cruzada.

Nessa altura o meu pensamento borbulhou e assobiou! Há tantas ideias novas que neste estão a ser apresentadas, e novas descobertas são feitas, e muitas dessas ideias e novas descobertas são construções sobre ideias de outros. Afinal as pessoas são como as abelhas!

Esses “outros” não são sempre os cientistas ou peritos ou criativos numa disciplina própria ou na qual são especialistas.

A diversidade de fontes (as variedades de tomateiros) é tão importante como é a diversidade de trabalhos (os voos das abelhas) para se chegar à inovação.

Toda a cultura, indústria, disciplina, departamento e organização tem sua própria maneira de lidar com os problemas, as suas próprias metáforas, modelos e metodologias. Mas muitas vezes as melhores ideias atravessam fronteiras disciplinares e olham para outros campos para novas ideias e questões. Muitos avanços significativos na arte, negócios, tecnologia, ciência e surgiram através da fertilização cruzada de ideias. E para dar um corolário, nada fará estagnar campo mais rapidamente do que manter as ideias de fora.” – Calvin Coolidge

Chamamos polinização cruzada a associações e conexões entre ideias aparentemente sem relação ou conceitos para abrir novos caminhos.

O papel de um polinizador de ideias, é semelhante a um horticultor ou floricultor que se dedica à polinização das suas flores. Equipado com um vasto conjunto de interesses, uma curiosidade ávida, e uma aptidão para ensino e aprendizagem.

Numa organização, um polinizador de ideias, faz o trabalho das abelhas e transporta ideias exteriores para dentro dela. São pessoas com abertura, capazes de anotar cada passo e característica, observadores atentos recolhem inspiração com facilidade e são hábeis contadores de histórias.

Eles não deixam nunca de identificar restrições.

Na natureza a polinização cruzada, pode conduzir ao aparecimento de plantas resistentes e de qualidade superior. Ao lançarmos um projecto com a assunção de que a polinização cruzada pode ajudar a inovar, mais facilmente encontraremos os caminhos criativos necessários à inovação.

“A polinização cruzada. Armado com um vasto conjunto de interesses, uma curiosidade ávida, e uma aptidão para ensino e aprendizagem, a polinização cruzada traz grandes ideias do mundo exterior para animar a sua organização. Pessoas nesta função podem muitas vezes ser identificadas pelas suas mentes abertas, pelas diligentes anotações, pela tendência a pensar em metáforas, e pela capacidade de colher inspiração de restrições –  Tom Kelley “The Ten Faces of Innovation”

Este papel, que se pode eventualmente equiparar a um facilitador, pode ser bem desempenhado quando a interdisciplinaridade existe. Doutro modo estamos perante a falta de diversidade.

O que acontece quando todas as abelhas e todas as árvores são todas iguais?

E quando nós trabalhamos continuamente na nossa organização e a diversidade de influências e inspirações a que estamos expostos se torna cada vez menor?

Se nós sentimos que as nossas ideias são realmente boas, talvez não seja aconselhável cruzá-las com outras quando o risco de complicação é claramente visível. No entanto quando sentimos que as nossas ideias são um bom começo para o caminho que desejamos, devemos cruzá-las e testar os resultados. A diversidade é boa companheira.

Se registarmos as nossas ideias e as cruzarmos com outras na nossa organização corremos o risco de sermos felizes!

“Na minha experiência, o que faz Virgin inovação é um forte senso de si, a capacidade de experiência, a habilidade para fertilizar as ideias cruzadas, e uma vontade de mudar. A empresa tem crescido em grande parte, não através do desdobramento de um plano mestre, mas através de uma acumulação de aprendizagem e ideias causados por ameaças, acidentes e sorte.” Richard Watson

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A necessidade de estabelecer prioridades

Quando, numa organização, se está a trabalhar com novas ideias, serviços ou produtos, é necessário fazer escolhas. Salvo raríssimas excepções, as organizações, para um bom funcionamento têm de estabelecer prioridades, mantendo o alinhamento com a sua estratégia ou então aceitam as ideias disruptivas e partem para novos desafios.

Em qualquer dos casos a liderança da organização devem procurar as equipas que apresentam melhores condições para uma vantagem competitiva.

A criatividade nas organizações é importante porque lhes permite a realização do melhor equilíbrio entre adaptabilidade (a capacidade para enfrentar o futuro) e o alinhamento (a capacidade de lidar com presente).

A inovação é uma vantagem competitiva e por isso as organizações devem combinar as equipas de forma a constituir uma capaz de enfrentar a enorme variedade de desafios.

Tom Kelley em “A arte da Inovação” propõe uma vista de olhos à diversidade de talentos e personalidades existentes na organização e aconselha uma selecção que, quando combinados, se traduza numa “equipa de sucesso”.

Celebre as diferenças entre os membros da equipa.

Nas organizações podemos tentar encontrar alguns destes talentos:

O Visionário – Uma pessoa capaz de identificar possibilidades futuras (visões) e de recrutar elementos chave para a equipa do projecto.

O apresentador de problemas – Uma pessoa que, de modo ou de outro é capaz de identificar os problemas internamente na organização e é capaz de lidar com todas as situações que possam ocorrer na organização do projecto, enquanto o projecto está a ser executado.

O iconoclasta – Uma pessoa que não compra todas as ideias acerca do trabalho em equipa ou inovação.

O tomador de pulso – Um pessoa capaz de funcionar como um coração num um ser humano. A pessoa tem que ser versátil na sua forma de pensar e é capaz de canalizar o “sangue da vida do projecto” a outras pessoas na organização do projecto.

O artesão – Uma pessoa que é capaz de construir protótipos e alavancar com eles para fazer projectos inovadores.

O Tecnólogo – Uma pessoa que se dedica ao trabalho com tecnologia e é capaz de lidar com tarefas complexas, descobrir e criar um significado mais profundo.

O empreendedor – Uma pessoa que é capaz de trabalhar com ideias, inovação, protótipos e comunicá-las a outras pessoas.

O travesti – Uma pessoa que estudou ou trabalhou com uma disciplina totalmente diferente da que trabalha com hoje. Esses indivíduos fazem uso de suas habilidades para vislumbrar novas soluções.

Eu penso que apesar de este livro já ter completado dez anos de existência, em nada a sua maturidade lhe retirou a energia que uma reflexão sobre estes traços pode produzir.

A diferenciação que encontramos entre as características das pessoas permite-nos desenvolver um ambiente de colaboração e ter consciência de que é preciso reconhecer e recompensar a diferença.

A diversidade promove a criatividade!

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