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Clareza, inocência e criatividade

Uma espantosa imaginação, mentes férteis e vontade de correr riscos são características das crianças desde muito cedo nos jardins de infância, mas que na maior parte de nós se perderam ofuscadas por regras.

Muitos de nós aprenderam e guardarem para uso na vida adulta algumas das mais curiosas e importantes formas de estar na vida. Refiro-me à partilha, ao jogo limpo e justo, à moral e à ética, aos hábitos de higiene e hábitos de uma vida equilibrada.

Mas depois, ao longo da vida, aprendemos também outras coisas mais “sérias” que nos impedem de brincar, ver as cores do mundo e de compreender os outros.

“A maioria dos alunos nunca consegue explorar toda a gama das suas habilidades e interesses… Educação é o sistema que supostamente é para desenvolver as nossas habilidades naturais e permitir-nos fazer o nosso caminho no mundo. Em vez disso, é para sufocar os talentos e capacidades individuais de muitos alunos matando a sua motivação para aprender. ” – Ken Robinson

Quando éramos crianças e até adolescentes as normas serviam-nos para as contrariarmos e dar asas à criatividade, para procurar a diferença e sentir prazer na nossa nova identidade.

Procurávamos coisas diferentes mas também experimentávamos com frequência nas nossas brincadeiras ou manifestações em grupos.

Mas crescemos e criamos hábitos, criamos medo de falhar e ganhamos a nossa zona de conforto. Já não relacionamos as coisas como quando éramos crianças, porque enquanto crianças sonhávamos, colocávamos uma capa, voávamos até ao outro lado do mundo e combatíamos o mal. Hoje, alguns de nós, escondem-se debaixo das capas para fugir aos problemas que assolam o mundo.

A nossa criatividade foi-se moldando de acordo com o uso que fazemos do conhecimento que possuímos, das novas informações que vamos recebendo e dos contentores de dados para tratamento.

Por isso, a capacidade de combinar a informação de uma nova maneira é importante para podermos desenvolver a nossa criatividade na resolução de problemas. A nossa aprendizagem deve ser feita não centrada exclusivamente nos processos de tratamento tradicionais de informação mas também orientada para o significado dos resultados obtidos.

Os dados são registos do passado que nos contam uma história e mesmo que verdadeira não significa que seja sempre repetível. Aliás, em muitos casos, eles servem exatamente para evitar a repetição de acontecimentos nefastos à nossa vida.

Reviver o passado pode ser bom mas não no sentido de justificar o que acontece ou prever o que vai acontecer. O futuro precisa da nossa criatividade.

Reconhecer um problema ou oportunidade, meditar sobre ele, identificar um caminho a seguir e realizar uma ideia são etapas do processo criativo.

A criatividade não tem hora nem lugar nem tão pouco é uma capacidade de uma determinada disciplina ou uma bênção numa pessoa. A criatividade é democrática e tanto surge na pintura como na tecnologia, na culinária ou em finanças, mas em todos os pontos as questões de ética são extremamente importantes.

“Então, por definição, a criatividade é moralmente neutra. O mito de que é bom é um equívoco perigoso. As sociedades devem esforçar-se para garantir que novas ideias em negócios, governo, educação, e todo outro reino são casados ​​com fortes valores éticos.” Teresa Amabile

 “Toda a criança é um artista. O problema está em como se manter um artista à medida que cresce! – Pablo Picasso

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Paixão, ambiente e pensamento diferente

A criatividade depende da mudança e a mudança precisa de criatividade.

A nossa vida é uma maré, cheia de mudança, com vagas mais ou menos alterosas e quando a mudança acontece é preciso criatividade para reagir de forma adequada a essa situação.

Quer a mudança quer a criatividade envolvem riscos que nos trazem ansiedade e nos levam a experimentar medo ou alegria. Umas vezes a mudança pode ocorrer muito rapidamente e num curto espaço de tempo outras vezes ela faz-se lentamente e proporciona um processo de adaptação.

“Como mudar as coisas quando a mudança é dura?”

Vejamos algumas notas do livro “Switch” de Chip Heath que aborda vários tipos de mudança mas partindo do princípio que toda a mudança começa com uma pessoa e quando essa pessoa está centrada em três coisas simultaneamente a mudança funciona melhor.

Centrada em quê?

“Motivar o elefante. O elefante é o nosso instinto, o lado emocional, que é preguiçoso e arisco e tomará qualquer retorno rápido ao longo de uma recompensa longo prazo de. Todos nós temos isso. O elefante é geralmente a primeira causa da falta de mudança, porque a mudança que queremos geralmente envolve o sacrifício de curto prazo na busca de benefícios a longo prazo.

Dirigir o piloto. O piloto, no cimo do elefante, é o nosso lado racional. Nós presumimos que o nosso lado racional detém as rédeas e escolhe o caminho a seguir. Mas o piloto o controle é precário, porque ele é minúsculo comparado com o elefante. Você deve dar ao piloto uma direcção clara com a qual pode conduzir o elefante.

Molde o caminho. A mudança falha frequentemente porque o piloto não consegue manter o elefante na estrada o tempo suficiente para chegar ao destino. O elefante tem fome de gratificação instantânea puxa contra a força do piloto, que é a capacidade de pensar a grande imagem e um plano para além do momento.”

Mas porque razão haveria de pensar de forma diferente?

É preciso encontrar a motivação. A motivação pode vir do desejo de corrigir erros ou do desejo de ser melhor ou de abraçar a criatividade e a inovação.

As capacidades de mudar e de ser criativo são duas características frequentemente associadas às pessoas e às organizações.

Apesar de tudo essas capacidades parecem criar alguma confusão com os medos frequentes que sentimos, com as necessidades que não satisfazemos ou com os obstáculos que diariamente enfrentamos.

E então ficamos pacientemente à espera que alguém crie algo de novo ou provoque a mudança por nós. 

Isto é, não só deixamos o elefante sem condutor como deixamos que os outros delimitem o nosso caminho. O nosso lado emocional fica sujeito às “melhores ofertas” do mercado apoiadas por “rebanhos de emoções” e deixamos o nosso lado racional eventualmente preso a a lógicas de conformismo.

Se não somos capazes de abrir a nossa mente a nova informação e com ela estabelecer novas ligações ou conexões de forma a produzir novas ideias deixamos o elefante ser responsável pela nossa viagem ao mundo da mudança, mas também é verdade que só o lado racional não noz conduz por bons caminhos. O equilíbrio entre o lado emocional e o racional proporciona não só a aceitação da mudança como também a participação na criação dessa mudança.

Nas organizações a mudança tem um impacto mais abrangente não só pela diversidade do seu potencial humano como também pelas diferentes ondas de mudança vindas do exterior a que estão sujeitas.

Quando a mudança é um imperativo para as organizações a criatividade é um factor de protecção contra as ameaças a que estão sujeitas.

Teresa Amabile apresenta um exemplo significativo de como as organizações conseguem resistir às ameaças à criatividade. É a combinação de três ingredientes fundamentais:

“Pessoas inteligentes que pensam diferente. A primeira ameaça à criatividade empresarial é o nosso sistema de ensino em perigo, com a sua tendência decrescente em ciência e matemática, e seu foco cada vez mais estreita em temas básicos. As quatro dezenas de pessoas que trabalham no PARC foram muito inteligentes, com dois tipos importantes de inteligência. Primeiro, eles tinham um profundo conhecimento – computação, ciência da óptica, da ciência e do sistema, dinâmica, bem como ampla com conhecimento aparentemente não relacionados… Em segundo lugar, os inventores PARC tinha inteligência criativa. Ao invés de ficar preso por aquilo que já estava dentro de suas cabeças, eles consumiam vorazmente informações novas e combinaram de maneira que ninguém havia imaginado antes. Eles não desenvolveram esses hábitos da mente, seguindo currículos obrigatórios.

Compromisso apaixonado. À excepção de pequenas startups, também hoje poucas organizações podem dar às pessoas uma hipótese de fazer o que amam em serviço de uma missão significativa…Bauer e seus colegas encontraram um imenso interesse, prazer, satisfação e desafio em “sonhar, provando e fazendo coisas que nunca tinha sido feito antes.”

Um ambiente criativo. Sob fortes pressões da crise financeira, os ambientes organizacionais contemporâneos lembram mais as linhas de montagem de que focos de criatividade. Demasiadas vezes, o imperativo é fazer a mesma coisa repetidamente, cada vez mais rápido e mais eficiente, a reflexão, exploração e intensa colaboração tornam-se luxo supérfluo. A cultura PARC dificilmente poderia ter sido mais diferente. Como todas as grandes culturas organizacionais, a história começou com uma visão arrojada…Mesmo os mais espertos, os mais apaixonados não vai prosperar – ou em breve abandonarão – um ambiente de trabalho que os sufoca. A maioria das pessoas que entraram para PARC nunca quis sair.”

Face ao que Heath e Amabile escreveram é importante reter que a construção do caminho da criatividade ou a escolha do melhor ambiente para combater as ameaças à criatividade é fruto não só do condutor mas também do elefante que seleccionamos.

A criatividade facilita a mudança e a mudança alavanca a criatividade!

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