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Da experiência de um sábio

 

John Maeda escreveu hoje um artigo onde diz:

“Um sábio lendário no campo criativo disse-me que na sua longa vida, ele percebeu que havia três razões básicas para que ele nunca tenha feito quaisquer saltos criativos significativos.

“Não ter nenhuma experiência para apelar na sua história sobre a qual basear o seu próximo movimento. Ou seja, o que ele chamou de “completamente à nora.”

Eu penso que a experiência de uma vida não se pode ignorar nem se deve deitar fora. Há momentos para desaprender e momentos para aprender. A nossa experiência é frequentemente uma alavanca para saltos significativos na resolução de problemas sejam eles em família ou numa organização.

Para mim há dois tipos de experiências que devíamos conciliar no nosso dia-a-dia:

– A experiência que as crianças têm com a criatividade e cujo resultado são pulos de alegria e

– A nossa experiência acumulada e traduzida em conhecimento tácito bem como a das pessoas que nos rodeiam.

Conseguir aprender rapidamente num mundo em constante mudança e partilhar o conhecimento de forma a criar novo conhecimento e novas coisas ou ainda experienciar novas emoções, pode ser um objectivo pessoal perfeitamente realizável se a vontade que existe dentro de nós for grande.

A experiência combinada com o conhecimento tácito de como as coisas funciona espalha novas ideias.

Quando estamos conscientes da importância das nossas experiências fazemos com que os momentos que vivemos sejam ricos e pareçam não ter fim e isso faz com que as nossas emoções sejam fundamentais para mais tarde recordar essas experiências.

Podemos não nos lembrar de todos os pormenores de situações vividas mas facilmente nos recordamos do que sentimos.

Não acha?  

Parece que o tempo se suspende e a sorte se constrói!

John Maeda ainda no mesmo artigo diz:

“As areias do tempo na ampulheta vão de algumas dezenas de milhares de grãos a apenas uma dúzia ou menos. Quando o tempo se está a esgotar, não há recurso, mas a vontade de ser um milagre e muita, muita sorte naquele momento.” JM

Essas areias ou esse tempo que muitas vezes se apresenta como constrangimento, para a maior parte das pessoas, não é um facilitador de criatividade, diz Teresa Amabile, mas em algumas situações a pressão que sofremos para resolver problemas faz-nos processar uma quantidade enorme de informação para obter uma resposta e por vezes somos bem sucedidos.

A gestão dessa informação, que nós fazemos ao longo de muitos embates com contentores de dados, pode facilitar a criação de novo conhecimento. Mais ainda, se formos hábeis ao gerir a forma como as pessoas partilham e aplicam essa informação, podemos proporcionar saltos criativos interessantes.

O conhecimento tácito que cada indivíduo possui e que é único, uma vez desbloqueado, pode ser uma grande contribuição criativa numa organização.

E isto:

“É uma questão de vida ou morte. A única decisão a ser tomada afecta a saúde futura da sua empresa e iria levá-la para cima ou pelo menos estabilizar, ou então no caminho para o abismo.” JM

Os momentos de decisão são momentos de precisão cirúrgica e são momentos em que é preciso sacudir a criatividade para tomar decisões e essa acção deve ser desenvolvida com a participação do conhecimento especializado na matéria em causa, o que apela à colaboração de outras pessoas.

De facto muitas decisões, para serem tomadas, necessitam do apoio ou aprovação das pessoas com quem vivemos ou trabalhamos, pois são essas pessoas que são especialistas em determinado assunto e não nós. Como o conhecimento mais especializado é tácito e o intercâmbio de conhecimento tácito é o que leva à criatividade, é necessária uma compreensão dos antecedentes dos interlocutores para troca desse conhecimento tácito e que normalmente já existe pela convivência diária.

O mesmo se passa em relação à confiança que depositamos nas pessoas que colaboram connosco. Para criar confiança, necessitamos de uma compreensão dos antecedentes dos nossos interlocutores, e para podermos partilhar ideias ou co-criarmos, vamos precisar de conhecer as intenções e os comportamentos observáveis das pessoas envolvidas na partilha.

Quando as experiências são partilhadas há uma série de conexões que são identificadas e se transformam no ponto de partida para novas ideias.

Acontece que o nível de confiança que eu tenho em mim próprio pode permitir a minha abertura e consequentemente disponibilizar informação ou ideias, já que me permite aceitar o pensamento crítico e refinar os meus pensamentos sobre determinada matéria.

Por outro lado o nível de confiança depositado nos outros permite-me não só ter um ponto de partida de aceitação previsível como também poder esperar contributos positivos para desenvolvimento de ideias ou resolução de problemas para os quais me sinto incapaz.

Um equilíbrio sustentado entre a confiança em mim próprio e a confiança nos outros, que é recíproca, só é possível estabelecer-se pelo sentimento gerado e percebido nessas conexões.

“A criatividade vem da confiança. Confie no seu instinto. E nunca espere mais do que aquilo que trabalha.”

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