Currently viewing the tag: "Recursos humanos e inovação"

Libertar o potencial

Quando pensamos em maximizar o potencial de cada um de nós nas organizações, em vez de procurarmos, que cada um se dedique à organização de acordo com as suas funções, devemos procurar que todos desenvolvam as diferentes potencialidades que possuem.

Nós precisamos de reconhecer os nossos aspectos mais salientes e de mais valor e desenvolver aqueles mais escondidos ou submersos.

Quando reflectimos sobre as nossas capacidades e sobre a sua rentabilização da nossa organização, muitas vezes achamos que somos capazes de realizar um conjunto de acções com bons resultados, mas por alguma razão essa demonstração de capacidade não é possível.

Ao longo dos dias, meses e anos ficamos com o sentimento (desagradável) de que muitas das nossas ideias eram óptimas soluções e foram desperdiçadas porque o ambiente ou o momento não eram adequados.

E como nós, muitos outros colaboradores deixaram de expressar as suas ideias ou não puderam demonstrar as suas capacidades. Tudo isto porque fomos contratados para realizar tarefas devidamente descritas num qualquer processo de certificação e para o fazer sem erros.

Éramos reconhecidos pela nossa capacidade em não levantar os olhos e completa absorção na realização do maior número possível de tarefas impecáveis e até ficávamos satisfeitos com a possibilidade de ascensão numa carreira pré-determinada.

É certo que o processo de repetição facilita a rentabilização do produto dentro da sua vida útil, isto é, enquanto satisfaz algum tipo de necessidade, seja ela com significado ou não, mas importa ir mais longe e trabalhar com propósito e significado.

É necessário revolucionar o estatuto do conforto e abandonar o papel de vítima. As organizações não podem ser estáticas e reter os colaboradores na sua estratégia de prisioneiros de costumes.

Dar a conhecer o potencial que há em nós, é capacitar a nossa organização com competência acrescida.

É preciso inovar e mudar a nossa atitude face ao trabalho. É preciso reconhecer um propósito no nosso dia-a-dia.

A inovação é também a procura da conciliação das necessidades de quem produz e de quem consome. Quem produz, isto é, todos os colaboradores de uma empresa sem excepção, tem necessidade de se identificar com o seu trabalho e de libertar a energia criadora que tem dentro de si. Quem consome ou utiliza tem necessidade de resolver problemas ou criar bem-estar para si e à sua volta.

A inovação é também a atribuição de significado a uma vida de trabalho seja ela curta ou de longa duração, significado esse que vai incorporado no resultado do trabalho. O sentimento de que a energia dispendida vai fazer parte da vida de outra pessoa é reconfortante. O sentimento de quem usa ou consome é partilhado quando o trabalho é elogiado e tornado visível.

A inovação é também a abertura por parte das organizações à valorização do trabalho realizado como forma de prolongar as capacidades dos colaboradores aos ecossistemas onde os produtos e serviços são entregues. Passa a haver um pouco de nós em cada receptor final.

Para que a inovação possa ser vista por este prisma, há três factores que me parecem fundamentais para o sucesso desta abordagem:

1 – A abertura à partilha, sob a forma de transmissão de conhecimento tácito dos indivíduos mais talentosos e reconhecimento das competências submersas.

2 – A necessidade de exercício regular de determinadas competências, como forma de refinação e eliminação de toxinas ambientais ou culturais. O exercício regular ajuda à consciencialização dos factores benéficos e dos factores nocivos.

3 – A necessidade de provocar a imersão dos colaboradores em desafios como alternativa à falta de iniciativa ou de curiosidade.

Os grandes benefícios das organizações, ao abrirem as portas ao potencial dos colaboradores, integrando-o no alinhamento da sua estratégia ou fazendo dele a sua estratégia, são um clima social elevado que aumenta a satisfação e a produtividade em termos qualitativos e criativos e assegura a conciliação entre a vida de trabalho e a vida familiar.

Será que as atitudes podem ser inovadas?

Ou é necessário que a liderança se imponha na mudança?

Já pensou nisto? Então conte!