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Não cortar no que é diferenciador

Quando enfrentamos um ambiente hostil devido a dificuldades ou constrangimentos económicos e com muitas queixas generalizadas, tendemos a procurar um salvador que traga alguma esperança para um futuro risonho.

Hoje em dia, os salvadores chamam-se empreendedores, empresários, ou jovens com talento. Embora não sejam certamente os únicos capazes de construir a diferença são certamente em grande número.

Para estas pessoas as ideias saltam como cápsulas de bebidas gasosas entre sorrisos e vontade de vencer mas muitas vezes essa alegria é repentinamente destruída ou posta em causa porque algumas perguntas não foram feitas.

O que acontece é que uma ideia não é o modelo económico e ter alguma ideia de como a economia que se está a propor irá definir a iniciativa para rentabilidade futura pode ajudar a manter esse sorriso.

Pensar sobre o modelo de negócio no início significa não fazer sacrifícios mais tarde.

O nosso modelo de negócio está de acordo com os interesses das partes envolvidas?

Já alguém tentou fazer o que nós pretendemos fazer?

Ao tentarmos conhecer as razões que levaram outros a falhar poderemos estar a construir a diferença. Nós podemos também aprender com os erros dos outros para construir algo sólido e sustentável em vez de apenas analisarmos os casos de sucesso ou as boas práticas.

Eis algumas razões apontadas por Idris Mootee para que muitas iniciativas inovadores falhem:

– “Os novos produtos inovadores não são mostrados no contexto certo do utilizador, criando assim um mal-entendido das aplicações.

– As novas tecnologias por trás do produto inovador não estão ligadas a uma oportunidade de mercado emocionante e que valha a pena ou são muito nicho…

– As principais funções dos novos produtos inovadores não conseguem aguentar-se como produtos isolados e funcionam apenas como recursos.

– O desempenho prometido do novo produto inovador não se materializa e não fornece suficiente valor para o cliente.

– Os novos produtos inovadores foram distribuídos pelo canal errado e comprometem as propostas de valor…

– A expectativa de adoção dos consumidores de novos produtos está sobrestimada…”

Associada a estes erros está também uma falha que começa a ser notória nas pessoas que pretendem levar as suas ideias até ao mercado seguindo os passos ou orientações frequentemente sugeridas.

Na busca de um produto mínimo viável (MVP), temos visto que é importante avaliar precocemente os componentes críticos que irão diferenciar uma oferta da concorrência e fazer um produto realmente viável.”

As nossas propostas inovadoras de solução de problemas, seja, elas produtos ou negócios, não devem resultar da fuga a problemas difíceis e devem ser testadas através de protótipos de forma a evitarmos todos os possíveis fracassos apontados atrás.

Isso conduz-nos a uma procura de várias direções possíveis, mantendo uma unidade, e não permitindo assim que uma escolha única inviabilize todo o trabalho realizado.

Os protótipos permitem-nos procurar conciliar o sentimento e a função de um projeto numa fase anterior à tomada de decisão sobre os riscos desse projeto.

A prototipagem é extremamente útil não só na conceção de produtos e serviços mas também no modelo de negócio.

Numa organização quando admitimos a possibilidade de prototipagem antes da decisão de implementar um novo conceito de negócio em espaços não explorados estamos a criar condições para mostrar aos decisores o que ninguém ainda está a fazer mas poderia ser feito e quais são as novas possibilidades e surpresas ocultas.

Os protótipos devem ser rápidos para serem eficazes para que as novas ideias que possam surgir sejam validadas e para que haja uma interação com valor.

Os protótipos servem para expressar uma ideia a alguém e uma vez que essa ideia foi transmitida o protótipo cumpriu parte da sua razão de ser mas ele é sempre uma fonte de aprendizagem que não deve ser ignorada.

Os protótipos devem demonstrar todas as interações do projeto para que sejam identificadas as ações relevantes e com possibilidade de criar fatores de risco na tomada de decisão.

Para construir um protótipo de um modelo de negócio:

– Faça um esboço do seu modelo de negócio usando a sua metodologia preferida.

– Acrescente figuras ou imagens para uma visualização e compreensão mais fáceis.

– Teste a viabilidade das suas ideias com um relatório simples dos possíveis riscos.

O protótipo ajuda-nos a explorar diversos cenários e teste de stress à viabilidade e rentabilidade do negócio concebido. É Importante, no entanto, que nos force a chamar metodicamente para a arena, todos os nossos pressupostos.

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Fazendo!

 

Eu não sei se eles concordam comigo ou não! Só depois de lerem este artigo ficarei a saber.

Eles são as cinco pessoas (eu incluído) que entraram, no GSJ11 Lisboa como “especialistas” e saíram todas moldadas em “T”.

O “T” representa uma pessoa com competências desenvolvidas numa determinada área (parte vertical) a que juntou competências adquiridas no desenvolvimento do trabalho (parte horizontal).

A grande diferença entre um especialista e um pessoa com perfil “T” é a capacidade de tocar as franjas do conhecimento do outro interlocutor. Um especialista, normalmente só desenvolve colaboração com alguém que fala a sua particular linguagem enquanto um “T” encontra pontos de contacto com facilidade noutras áreas que não a sua especialidade.

Se nós, no trabalho que desenvolvemos durante as 48 horas que estivemos juntos, não procurássemos de forma empática compreender as intenções e as vontades de cada um teríamos chegado ao fim com um somatório de opiniões. Em vez disso colocamos em contacto todas as competências horizontais e desenvolvemos quando necessário as verticais.

Dessa maneira concluímos que o todo é maior que a soma das partes!

Se eu quiser entregar um serviço com significado para o utilizador eu tenho que definir muito bem o tema que vou trabalhar e as oportunidades para o fazer.

Isso, eu posso fazer definindo bem o trajecto que ele terá de fazer e que necessidades vão satisfazer a par das experiências emocionais que procuro imprimir sem nunca perder de vista a totalidade da experiência maior, isto é o serviço.

Eu vou entregar o tangível e o intangível que resulta dos conceitos que criei conjuntamente com outras pessoas de outras disciplinas.

E para que tudo isto acontecesse foi necessário criar compromissos com os co-criadores, criar protótipos e contar histórias para finalmente poder validar.

A importância do storytelling e do protótipo foi manifesta na apresentação do trabalho realizado, que decorreu ontem no SDD Lisboa.

E porque é que eu acho que por detrás de tudo isto esteve Design Thinking?

Por que fomos capazes de abraçar as restrições.

Os designers trabalham com restrições (tempo, orçamento, localização, materiais). Identificar suas limitações e não criam a solução perfeita, mas a melhor solução, dadas as restrições.

Porque assumimos um risco.

Os designers estão confortáveis com a noção de que pode estar errado, mas experimentam e tentam novas abordagens.

Porque não nos fartamos de fazer perguntas.

Os designers fazem inúmeras perguntas que podem levar à questão de direito – o que levará à resposta correcta.

Porque consideramos que não é uma questão de ferramentas, é sobre ideias.

Os designers de diversas áreas passam muito tempo longe de ferramentas do tipo “nova tecnologia”, usando papel e lápis para esboçar as suas ideias.

E por tudo isto fomos capazes, e eu acredito, de fazer algo que não só tem sentido como é desejável, realizável e economicamente viável!

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A tradição e pensar design

Na velha tradição os consumidores tinham uma atitude passiva. Hoje eles são activos.

Na velha gestão da inovação, usavam-se (e usam-se) ferramentas de teste. As ferramentas de co-criação são hoje, cada vez mais, utilizadas.

A inovação antigamente vivia em silos, hoje é aberta.

Os desafios sociais exigem soluções sistémicas que são fundamentais face às necessidades dos consumidores. Este é um papel assumido pelo pensar design.

Tradicionalmente, os designers concentraram sua atenção em melhorar a aparência e a funcionalidade dos produtos. O pensamento design incorpora a percepção do consumidor e uma forma rápida de prototipagem. Há um pensamento optimista na resolução de problemas.

Este tipo de abordagem, já permitiu resolver problemas de nível social agudo, como demonstra o trabalho de Jerry Sternin com a subnutrição no Vietname.

O factor humano não se limita apenas ao foco na criação de produtos ou serviços, ele estende-se ao processo em si.

Pensar design depende de nossa capacidade de ser intuitivo, de reconhecer padrões, para a construção de ideias que transportam um significado emocional, para além da funcionalidade.

O feedback do consumidor é fundamental para o resultado final.

Pensar design não significa apagar todas as formas e metodologias existentes, e injectar emocionalidade e inspiração. Pensar design é procurar o equilíbrio, através de uma abordagem integrada, evitando os perigos de uma gestão demasiado analítica.   

Ninguém quer correr uma organização no sentimento, intuição e inspiração, mas um excesso de dependência do racional e analítica pode ser tão arriscado. Design pensamento, a abordagem integrada no núcleo do processo de concepção, prevê uma terceira via.

Pensar design é como um sistema de sobreposição de espaços, em vez de uma sequência de passos lineares.

A inspiração, a ideação e a implementação mantêm-se sempre presentes.

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“As melhores escolas de design contemporâneo são os mais importantes centros de produção de ideias, tendo ganho proeminência sobre os departamentos de I & D das empresas e de outros “think tanks”, por progressivamente colocarem o foco sobre a produção imediata de artefactos acabados, privilegiando a experimentação. Como resultado, eles costumam florescer onde alunos e professores podem encontrar a interdisciplinaridade e o pluralismo, em áreas com uma forte identidade cultural, seja nas artes, engenharia, arquitectura, tecnologia, artesanato, ou em qualquer outra disciplina a que os designers recorrem numa base diária e que têm ligações e acessos a outros pólos culturais, como os departamentos de universidades, museus, galerias, e assim por diante.” – Paola Antonelli –Seedmagazine.com

A abertura, a curiosidade, o optimismo, e uma tendência para o aprender fazendo, experimentação, são sinais de uma abordagem pensar design.

Pensar design e Ferramentas

O mundo está turbulento e as coisas parecem inesperadas. Daí sentimos a necessidade de nos sentarmos em torno de uma fogueira conceptual e trocar histórias. Esta antiga tecnologia de contar histórias, reaparece novamente para ajudar a resolver problemas.

Para Tim Brown as duas principais ferramentas do pensar design são os protótipos (que produzem ideias suficientemente rápidas para falhar e aprender) e a narração (coisas a serem implantadas com a venda de narrativas convincentes).

A prototipagem requer uma mudança de mentalidade porque obriga a perguntar: como criar uma pequena versão da solução para tentar avaliar rapidamente e de forma mais barata?

Uma atitude de prototipagem significa que quando estou a facilitar um grupo e estamos a desenvolver soluções, começamos a fazer protótipos em tempo curto, que ajudam com o estreitamento de opções, e facilitam a venda internamente.

Uma atitude de prototipagem também significa tentar soluções no mundo real, numa escala muito pequena, para obter feedback, poupando tempo e dinheiro.

Como vamos provar aos cépticos que o pensamento design pode realmente funcionar ao enfrentar os desafios de desenvolvimento?

“Quando se trata de inovação, a formulação do problema é muitas vezes a parte mais importante do processo, levando à concepção de um “unique” jogo de mudança, mudança de paradigma de solução. Ouve-se o termo “enquadrar” a qualquer hora no âmbito da inovação. Até os CEOs e gerentes estão a usar. Na verdade, uma regra fundamental da inovação é, nem sempre se aceita o problema que nos põem em mãos, mas reformule-o para maximizar as mudanças que podemos fazer no espaço.” -Bruce  Nussbaum

As ferramentas de apresentações, (planos de negócio ou Powerpoint) que temos à nossa disposição para comunicar ideias ou estratégia, são simplesmente insuficientes.

Uma grande parte do pensamento design envolve “contar histórias” de forma clara e atraente. Os métodos tradicionais de uso da  palavra para apresentar ideias, resumem as nossas perspectivas pessoais face às diferentes formas de interpretação  e resultam em confusão.

 O pensar design é baseado em imagem por natureza e, portanto, não expõe as nossas ideias e estratégias para fácil interpretação.

Ao fazer filmes, cenários ou protótipos, os designers permitem que as pessoas experienciem emocionalmente o que as suas ideias ou estratégia tem como objectivo descrever.

As iniciativas de desenvolvimento têm de aprender a envolver-se mais no papel de convincentes “contadores de histórias”, já que uma grande parte de seu apoio vem da construção e manutenção de parcerias.

“Eu estou interessado no momento em que dois objectos colidem e geram um terceiro. O terceiro objecto é onde o trabalho é interessante”. – Bruce Mau