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Não importa a verdade! O que é importante é a possibilidade!

Criar algo de novo através da intersecção de ideias pode ser um desafio interessante se a intenção for de facto encontrar pontos relevantes nas ideias dos outros e não apenas uma confrontação.

Quando procuramos ser criativos e inovar, isto é quando queremos que a nossa nova ideia seja partilhada por alguém temos necessariamente de interagir e fazer perguntas, compreender culturas e criar novos significados mais abrangentes.

Essa interacção que se pretende, tanto pode ser para confeccionar uma receita que satisfaça gostos diferentes como para resolver um problema grave de alojamento a um grupo de pessoas vítimas de um acidente.

Se de facto estamos empenhados no sucesso dessas realizações, podemos verificar que o sucesso depende dos relacionamentos com outras pessoas, através das quais temos acesso a conhecimentos e capacidades para além de nós mesmos.

Na procura de soluções e à medida que a complexidade das situações cresce e sendo os nossos recursos limitados, eles podem ser transcendidos através de uma rede de contactos que será tanto mais rica quanto maior for a sua diversidade. Por outras palavras, não é apenas o que sabemos, mas é também quem conhecemos.

Mas não basta apenas conhecer ou estabelecer conexões com outras pessoas. São precisas duas coisas:

-Abertura para um inter-relacionamento, que significa admitir a falha tanto em nós como nos outros e

-Querer fazer perguntas.

As pessoa inovadoras fazem com frequência perguntas que desafiam o status quo ou a sabedoria tradicional ou convencional.

Por exemplo, o sucesso de uma produção musical depende da equipa, e não de indivíduos isolados ou super estrelas, e passa por redes de colaboração, para produzir uma obra de sucesso. É da intersecção em colaboração que nasce o novo conhecimento, a descoberta de novas possibilidades, a capacidade de fazer perguntas.

Quando por qualquer razão, fazemos uma associação que não é típica do nosso meio ambiente, provocada, por exemplo, por um trabalho de pesquisa, essa associação resulta num atalho para chegarmos a uma nova ideia e está fora da nossa, bem-educada, rede de representações.

Digo bem-educada, porque a nossa história ou o conjunto das nossas experiências, fazem com que habitualmente não pensemos de maneira diferente e o que acontece é que, muitas vezes, quando pensamos diferente, encontramos a direcção certa a meio do percurso. É o corta caminho.

Parece que a criatividade muitas vezes acontece, quando ideias diferentes, estímulos e materiais são colocados juntos através de novas combinações. Mas quando nós estamos perante uma intersecção de campos ou disciplinas ou até mesmo culturas, é-nos possível combinar os conceitos existentes e criar inúmeras ideias novas de elevado valor.

Onde está a relevância das coisas?

Então, como agora, o trabalho mais emocionante em design aconteceu na intersecção de duas ou mais disciplinas, onde o conhecimento de uma encontra relevância noutra. Muitos designers poderiam dizer, muito justamente, que eles sempre trabalham na junção de disciplinas — sintetizando as demandas dos factores de engenharia, ciências humanas e de negócios, para não falar de estilo. Alguns designers ainda empurram para além das expectativas da sua profissão, derrubando mais fronteiras.”

Nós podemos disponibilizar energia para ir a lugares diferentes, e utilizar a bússola em vez do GPS, procurando na intersecção dos caminhos coisas novas que o trajecto habitual não disponibiliza.

Esta preocupação com a intersecção de ideias não é uma preocupação de agora. Ao atrair pessoas talentosas de várias disciplinas e culturas diferentes, os Medici provocaram o encontro entre artistas e “cientistas”, de que resultou a troca ideias, e a descoberta de intersecções que permitiram saltos gigantescos em criatividade e inovação.

Por outras palavras, o que permitiu procurar e encontrar as conexões entre as diferentes disciplinas e culturas, levou a uma explosão de ideias excepcionais.

Para encontrar a intersecção entre ideias aparentemente sem relação, é necessário adquirir o hábito da observação. Temos de estar constantemente à procura para encontrar conexões.

E se…?

A curiosidade é um bom alimento, e quando aliada à experimentação permite construir cenários ainda não explorados. Ao explorar novas possibilidades e fazendo experiências com elas, em equipas onde a diversidade de disciplinas existe testamos situações que individualmente não seriam possíveis.

Quando observamos, olhamos e vemos alguma coisa! Quando experimentamos confirmamos o que vemos!

O que pensa?