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Elaborar propostas de novas experiências

O conhecimento da sensibilidade do nosso organismo é uma preciosa ajuda para entendermos a forma como os nossos processos mentais se constroem.

Quero eu dizer que, a nossa percepção sensorial, isto é, os nossos sentidos da visão, audição, paladar, tacto e olfacto são responsáveis por muito do que se passa dentro de nós.

Estes sofrem a influência dos estímulos a que estamos sujeitos sendo essa influência variável de acordo com as características ou qualidades desses estímulos e também de acordo com o meio envolvente.

Mas é sobretudo o grau de impacto que as experiências passadas tiveram em nós o que nos vai condicionar as nossas futuras escolhas.

“A experiência real não é tão importante quanto a maneira como ela é lembrada.” Don Norman

Esse condicionamento difere naturalmente de indivíduo para indivíduo e de situação para situação, mas sem querer abusar de rotulagem, pode-se dizer que a padronização toca nalgum ponto comum a  todos estes elementos do processo de percepção.

As novas experiências que trazem consigo inúmeras emoções, são comparadas e relacionadas com as experiências e registos acumulados ao longo dos anos.

Acontece que nós fomos treinados para acreditar que só existe uma verdade, frequentemente baseada em crenças, mas a criatividade tem algo a dizer-nos.

Se seguirmos o caminho da procura dessa verdade, a percepção do que recebemos, só nos serve para eliminar informação que não se encaixa nos nossos padrões. A criatividade contudo tem outras vantagens e permite-nos chegar a “novas verdades” quando passamos por novas experiências.

Uma cara, uma melodia, um aroma são similares ou semelhantes dependendo do grau de conformidade com os padrões criados pela experiência passada e o conhecimento dessas experiências pode conduzir-nos a propostas de produtos e serviços que satisfazem as necessidades das pessoas e são simultaneamente uma experiência a memorizar.

Nós sabemos por experiências humanas que a força de uma memória é regulada pelo significado da experiência e isso conduz-nos a interrogações:

Porque é que os indivíduos têm diferentes experiências emocionais face ao mesmo conhecimento que lhes é “apresentado”?

De facto com o conhecimento assistimos um pouco à mesma procura de analogias para integrarmos informação e atribuir relevância e importância para imediata classificação e registo, mas não temos todos o mesmo quadro de referência quando isso acontece.

Então como pode o processo de saber ser desenhado e implementado para tornar uma experiência mais significativa?

Parece ser verdade que sem alguma estrutura de relacionamento, ou seja, sem alguma espécie de classificação, a construção de padrão e a percepção de padrão, seriam impossíveis de serem comunicáveis.

Isto pode querer dizer que usando uma linguagem comum, o mesmo sistema de codificação e de descodificação que as outras pessoas poderemos entender-nos e tornar mais abrangentes os produtos ou serviços que pretendemos propor.

Nós procuramos identificar a informação útil disponível e utilizamos quadros de referência para a classificarmos quando à sua validade e utilidade num determinado contexto. Não é por acaso que, mesmo sem estarmos conscientes do que fazemos, alteramos a nossa forma de resposta a vários estímulos de acordo com o meio ambiente e as pessoas que dele fazem parte.

Mas é preciso, hoje com a quantidade de informação disponível, estabelecer pontes que permitam identificar padrões, globalmente aceites ou pelo menos aceites por um número considerável de pessoas.

As diversas culturas que a informação atravessa, produzem efeitos semelhantes aos verificados nas transcrições de documentos durante séculos e torna-se então necessário traduzir as diferentes necessidades das pessoas em problemas comuns mas que permitam uma solução em escala.

O conhecimento da história das experiências emocionais vividas e o conhecimento daquilo que dá significado a essas experiências, num novo ambiente, permite-nos visualizar o sentido das propostas de novas experiências que pretendemos elaborar.

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