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Chovia torrencialmente naquele dia!

Sentado calmamente no sofá ouvia as notícias enquanto experimentava o meu novo telemóvel e, de repente, surge a imagem provocadora de desassossego “…acidente na auto-estrada provoca 3 mortes e 1 ferido em estado grave”.

Por sorte ou falta dela ainda não tinha o telemóvel capaz de ligar a alguém para dar a notícia. Seria um desabafo se o tivesse feito!

Porque sabia que no dia seguinte iria passar naquele sítio, procurei relaxar e fazer contas. Não à vida, mas aos números de acidentes, mortos e feridos que entretanto o locutor contabilizara.

– “Mais um que no ano passado em época homóloga!”  

Bem-feitas as contas, pensei: “Bom! De cancro foi x+1, de gripe

Y+1, de acidente aéreo foi z-1, etc.”

Do mal, o menos, o risco existe e eu tenho que o assumir. Será?

Sou capaz de conduzir atento, sem excesso de velocidade e o carro está em perfeitas condições para a viagem. Dados estes pressupostos só tenho que admitir que o risco existe mas isso não é impedimento para eu investir na viagem. Nada me garante que vá ter sucesso, mas é esperado que assim seja.

– “Vou viajar!”

A nossa capacidade racional de admitir e pesar o risco coloca-nos muitas vezes, principalmente em negócios, em posições de fraqueza face ao mercado e à concorrência.

O que nos leva a enfrentar com medo situações de que sabemos acarretam baixo risco comparadas com outras de muito maior risco?

 

A utilização dos “ses” faz com a que a tomada de decisão, em questões pertinentes e cruciais, se arraste por tempo indefinido, muitas vezes até à ineficácia da decisão, quando esses “ses” são vistos numa perspectiva negativa.

Se pelo contrário eu pergunto muitas vezes “e se…?” mas com o intuito de encontrar novas soluções essa utilização é bem-vinda e proporciona novas oportunidades e novos negócios.

A atitude face aos “se” determina a nossa derrota antecipada ou promete ou sucesso.

A história de um acidente contada na televisão, engana o nosso pensamento, porque vem carregada de emoção, mas engana por pouco tempo. Um acidente diário com aqueles números não tem impacto igual a uma queda de avião com 150 passageiros!

Mas números são números e sabemos que por ano morrem menos pessoas de acidente de aviação do que de automóvel.

Tudo isto porque nós, pessoas, afinal pensamos de forma rápida, associativa, carregados de emoção tendo o hábito como líder.

Nestas alturas é importante lembrar a inteligência emocional e contar a história do Sr. Risco e as suas aventuras com a emoção.

Quando duas pessoas caminham lado a lado, elas prestam atenção, à distância a que estão uma da outra, para não andarem aos encontrões!

A racionalidade e a emoção também devem saber passear lado a lado, e por vezes, ora dirige uma, ora dirige a outra. São exemplo disso as “contas a pagar” ou “os sucessos a celebrar”.

A aceitação de risco nas empresas não pode ser governada exclusivamente pela lógica dos dados, assim como não pode ser conduzida como um devaneio de fim de tarde.

É importante um equilíbrio! Importa a intuição, importa a experiência e a emoção, para que o risco seja visto não como uma ameaça mas como uma oportunidade!

Será que o medo de falhar não pode ser substituído pelo prazer de um propósito?