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“Nós somos notoriamente pobres observadores do nosso ambiente.

Mas nós temos a falsa ideia de que vemos as coisas como elas são. Ainda assim, podemos muito facilmente perder estímulos que estão bem na frente dos nossos olhos, se não estamos a olhar para elas. Da mesma forma, não vemos apenas com nossos olhos.  Vemos com os nossos cérebros.  O fenómeno da “cegueira de mudança” ilustra perfeitamente esses pontos.

Nós prosperamos em padrões a tentar fazer sentido do nosso mundo. Nós fazemos a mesma coisa quando se trata dos nossos próprios comportamentos “. – Margarita Tartakovsky

E mesmo quando pensamos que vemos as coisas como elas são, por vezes fazemos batota.

Todos os dias recebemos dados e informações que sabemos ou esperamos, vão ser contrariadas ou desmentidas, mais tarde. O nosso armazém de conhecimento é frequentado por entradas e saídas que supostamente representam a verdade.

A confirmação de verdade, muitas vezes não acontece e não é por ingenuidade ou falhas de processo, é porque gostamos da facilitação e muitas vezes do jogo da informação.

Silogismos mal elaborados ou conclusões precipitadas dão origem a deficiente informação e não se trata apenas de “cegueira da mudança” provocada pela alteração de estímulos. É antes um “comportamento deformado” com o tempo.

O que eu pensava que sabia, estava lá, mas não corresponde ao que eu devia saber.

Desde crianças que nos habituamos a manipular a informação, em casa, na escola e muitas vezes até ao iniciar uma vida activa de trabalho. No fundo fazemos batota com a compota que supostamente não comemos, com os exames onde não copiamos e no curriculum, onde supostamente não inventamos.

São pequenas coisas que fazem de nós pequenos heróis quando contamos as nossas aventuras mais distantes e no entanto ao fazê-lo estamos conscientes dessas pequenas falhas mas nem por isso deixamos de estar confortáveis.

Não habituadas às mudanças, algumas pessoas,  iniciam um percurso de “batota,” atingindo por vezes dimensões que ultrapassam a dignidade. Refiro-me à criatividade usada com os números para justificar acções ou tomadas de decisão.

Veja-se o caso do complexo sistema de informações nos ramos financeiros onde não havendo “batota” poderá haver bons exemplos de “cegueira de mudança”. Pode não haver desvio de dinheiro (matéria palpável), mas a informação flui por caminhos onde o jogo de interesses está presente e o resultado é o jogo perigoso a que assistimos.

“Nós temos uma meta ao olhar para nós mesmos no espelho, e sentimo-nos bem em relação a nós próprios, e essa meta é uma meta de fazer batota e beneficiar da fraude. Nós achamos que há um equilíbrio entre esses dois objectivos.” – Dan Ariely

Isto é, enganamos, até o nível que consideramos confortável.

Somos incapazes de pegar em dinheiro, que eventualmente se encontra em cima de uma mesa, mas, com facilidade, comemos uma mação ou bebemos um sumo, que não nos, pertence.

Da mesma forma, levamos um lápis ou um maço de folhas, do local de trabalho, mas não pegamos numa moeda de um euro. Nós assumimos que existe uma autorização tácita, para o lápis ou a maçã, mas não  em relação à moeda.

Com a informação actuamos de forma idêntica. Informações consideradas de carácter importante são guardadas e não transmitidas sem autorização. É a nossa zona de conforto, porque não serei punido. Se essa informação não é relevante, então, poderei ter o prazer de jogar com ela, quase sempre em benefício do meu divertimento.

Muitas destas “habilidades” podem ser corrigidas quando, se introduz o factor emocional em jogo. Isso acontece sempre que os nossos padrões morais são lembrados. Eu juro que…, pela alma de… fazem a batota diminuir de intensidade, porque eu olho para mim próprio.

Nós podemos, com facilidade, fazer batota com a informação, mas com as emoções não é assim tão fácil.

Fazer batota com as emoções não é fácil. Rapidamente detectamos a falsidade de uma lágrima ou o exagero de um sorriso.

A informação pode ser transmitida para todos de igual forma, mas não é seguramente recebida por todos de igual maneira.

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