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“O talento ganha jogos, mas, trabalho em equipa e inteligência, ganham campeonatos” – Michael Jordan

Eu penso que existem boas razões para usarmos métricas quando diferenciamos o potencial de uma pessoa relativamente a outra. No entanto com frequência lemos ou ouvimos algumas frases que nos espantam!

A avaliação do potencial de uma pessoa não deve ser feita sem definirmos em que contexto o seu potencial vais ser posto à prova. Eu posso ser introvertido ou extrovertido, eu posso ser um especialista ou um líder, mas naturalmente, numa sociedade mais aberta e diversificada culturalmente, não sou omnipotente.

Reli os dois artigos de Bill Taylor “Grandes pessoas são super estimadasver aqui e aqui, após me ter surgido uma vontade enorme de dizer “nem pensar!” a uma outro artigo, este de autoria de Jeff Stibell e com um título avassalador:

“Porque um grande individuo é melhor que uma boa equipa”.

Eu desde 1983 que sou formador na área de Comportamento Organizacional e sempre acreditei que uma boa equipa supera “quase sempre” em eficácia de desempenho a capacidade de um individuo isolado por muito bom que ele seja.

O “quase” é a excepção!

Mas será que estou enganado?

Talvez não! Eu acredito sim é que um individuo sozinho mesmo o mais talentoso é mais capaz de cometer mais e maiores falhas que uma boa equipa!  

Parece-me que esta é uma polémica que vai ser mantida acesa ainda durante algum tempo. Já depois de ter lido estes três artigos visualizei uma mensagem no twitter de “@GlowConsulting: Na idade da inovação os líderes têm que isolar os grandes talentos e gerir a carga da massa de mediocridade”.

Esta afirmação pode ser uma verdade mas sempre num determinado contexto.

Uma maçã grande num cesto com outras maçãs menos grandes não se deteriora. Mas se em vez de maças menos grandes tiver maçãs podres ao fim de algum tempo não há maçãs boas!

Também Glowconsulting  se junta a Jeff Stibell quando este diz:

“Como um cientista do cérebro, eu sei que grandes pessoas são não só mais valiosas do que legiões de mediocridade, são muitas vezes mais valiosas do que grupos de indivíduos que incluem grandes. Eis o porquê: A verdade é que nossos cérebros funcionam muito bem individualmente , mas tendem a quebrar em grupos. É por isso que temos os tomadores de decisões individuais em negócios (e por que, paradoxalmente, temos decisões do grupo no governo). Programadores são exponencialmente mais rápidos quando a codificação como indivíduos; designers fazem o seu melhor trabalho sozinho; artistas raramente colaboram e quando o fazem, raramente vai bem. Há excepções para cada regra, mas em geral isso é verdade.”

Eu não posso concordar com estas afirmações com base numa simples leitura e portanto vou colocar algumas interrogações para discernir o implícito do explícito.

E se ao tomar decisões em negócios os dados fornecidos não forem abertamente discutidos?

E se os programadores não estiverem atentos às necessidades reais dos utilizadores?

E se o designer não for apenas um artista?

O que não me parece claro é quem são as grandes pessoas!

Eu concordo com a ideia de que uma grande pessoa é fundamental na liderança e tomada de decisão ou prossecução de uma visão e que uma multidão provavelmente cairia num processo democrático de votação, que eventualmente não traz bons resultados. Mas as grandes pessoas precisam de equipas capazes de identificar os pontos relevantes das opções para que essa grande pessoa crie um caminho de sucesso.

O que não concordo é que uma grande pessoa seja mais valiosa que uma equipa onde existam algumas outras grandes pessoas. Nesse caso algumas dessas grandes pessoas não o serão, a menos que exista uma dissidência na equipa onde a diversidade possa incentivar o pensamento dialéctico e impeça a estagnação.

As equipas são fundamentais numa organização mas só funcionam bem se houver uma boa liderança que convém não esquecer, quase sempre é substituída nas organizações de tempos em tempos.

A manutenção de uma liderança duradoura feita por grandes pessoas é uma excepção. Há momentos de vida rica!

Mesmo quando uma equipa ou equipas são constituídas por grandes pessoas, incluindo alguns cientistas, é bom que haja a intromissão de agentes externos pois quando o erro surge é bom:

Aceitar a derrota

Quando Dunbar analisou a transcrição da reunião, ele descobriu que a mistura intelectual gerava um tipo distinto de interacção na qual os cientistas foram forçados a confiar em metáforas e analogias para se expressarem. (Isso porque, ao contrário da E. coli grupo, o segundo laboratório não tinha uma linguagem especializada que todos pudessem entender.) Estas abstracções revelou-se essencial para a resolução de problemas, quando passaram a incentivar os cientistas a reconsiderar os seus pressupostos. Ter que explicar o problema para outra pessoa obrigou-os a pensar, se apenas por um momento, como um intelectual sobre as margens, cheias de auto-cepticismo.

É por isso que as outras pessoas são tão úteis: Eles colocam-nos fora de nossa caixa cognitiva.”

Eu tendo a concordar com Jeff Stibell quando diz: “Mas quando uma actividade pode ser realizada por uma pessoa com competências suficientemente adequadas, fazer a actividade como um grupo deve ser evitado”. Concordo quando se trata da realização de uma proposta ou tarefa. À medida que as coisas se tornam mais complexas ou para reduzir a complexidade a coisas mais simples a existência de equipas interdisciplinares é imprescindível.

Nós como indivíduos, somos mais ou menos inteligentes (grandes e menos grandes)! A inteligência define a nossa capacidade de pensamento abstracto, raciocínio, aprendizagem, planeamento e tomada de decisão ou resolução de problemas. No fundo a nossa capacidade de lidar com a complexidade. Mas isso também é possível em equipas.

“O que a pesquisa indica agora, porém, é que a inteligência colectiva em equipas pode levar a um melhor desempenho. Temos provas de que falar à vez por membros do grupo, a proporção de mulheres numa equipa e especialmente sensibilidade social são tudo elementos que levam a uma inteligência maior equipa.”

Esta sensibilidade social é facilmente esquecida quando as pessoas trabalham isoladamente, deixando de fora muitos aspectos relevantes na procura de resultados.

Na minha opinião as empresas devem procurar fazer uma gestão equilibrada da sua estrutura humana, procurando que os menos capazes aprendam com os mais talentosos e sem com isso criar clivagens de funcionamento.

Se o fizerem, elevando uns no espaço do reconhecimento e mantendo os outros como robots necessários, não só acabam com a iniciativa e motivação destes como correm o risco de ter de lutar arduamente numa guerra de talentos.

Hoje as empresas têm de se adaptar a um mercado de trabalho mais diversificado e mais numeroso em potencial humano com qualidade, se pretendem abrir novos caminhos para o crescimento.

“Uma empresa que está constantemente a explorar novos horizontes é provável que tenha uma vantagem competitiva para atrair e reter talentos. Quando uma empresa já uma vez bem sucedida, encalha e começa a listar, os seus funcionários mais talentosos normalmente não fica por perto para salvar a água, eles saltam do barco. Uma empresa dinâmica terá funcionários que estão mais engajados, mais animado para aparecer para trabalhar todos os dias, e, portanto, mais produtivos.” – Gary Hamel

Quanto vale o talento?