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Integrar modelos

Ontem participei num jantar de um evento chamado “Jornadas de Empreendedorismo Diogo Vasconcelos” que decorreu durante todo o fim-de-semana.

Foi-me pedido que dissesse algumas palavras sobre comportamento das organizações tentando despertar nos jovens universitários alguma curiosidade sobre o papel das pessoas na resolução de problemas dentro das organizações.

Foram uma horas divertidas e muito curiosas as que se passaram nas mesas redondas desse longo jantar. Mas o que me pareceu ontem é que quando procuramos resolver problemas tudo se resume às pessoas:

Que competências, que papéis e qual a forma de nos organizarmos?

As organizações, muito pequenas ou grandes, que pensam em inovação e verificam que dentro das suas paredes não existe capacidade de respostas aos desafios que lhes são colocados, têm de encontrar uma forma de descobrir soluções combinando os pontos relevantes do exterior com os do interior.

Quando pretendemos resolver um problema somos conduzidos pelos nossos hábitos de pensamento e parece não haver nada melhor que ter outras pessoas de várias disciplinas à nossa volta para o fazer.

Mas essa mesa redonda, onde todos lançam ideias e procuram integrar o conhecimento dos outros vai implicar um esforço suplementar de compreensão do problema e das formas de resolução o que faz com que um papel da liderança tenda a desenrolar-se num ambiente de tensão entre a análise e a intuição.

Ontem falava-se de relações inter-geracionais e da necessidade de as compreender e eu questionei alguns dos estudantes sobre as dificuldades que encontravam nesse relacionamento.

Pareceu-me evidente que todo o trabalho de aceitação de colaboração e partilha teria que ser facilitado para que as equipas apareçam naturalmente motivadas. Nessas jornadas havia mentores (outras gerações) e de outras disciplinas que interagiam com elementos dos grupos formados e era importante para mim perceber até que ponto os aspectos analíticos eram dominadores.

Com uma linguagem comum e retirando a dominância do pensamento analítico toda a organização dos grupos onde estive parecia enfrentar os desafios como oportunidades.

Agora imagine uma organização liderado por um pensador integrativo a motivar e a coordenar todas as equipas bem treinadas no equilíbrio dos pensamentos analítico e intuitivo!

Imagine o que pode ser, em vez do que deveria ser ou é!

O que me pareceu importante ontem foi despertar a necessidade de não ficar preso ao passado e procurar um equilíbrio entre aquilo que é provável que aconteça, dentro dos constrangimentos da lei, dos números e do ambiente, e aquilo que nós pensamos que pode ser, isto é, entre o previsível e o desejável.

A criatividade e a motivação saltaram para a mesa e a consciência dos conflitos construtivos emergiu! Ser empreendedor também é reconhecer dificuldades!

É fácil perceber que, uma empresa que não tem por hábito recompensar o que pode ser, sinta nos constrangimentos a adversidade em vez de oportunidade.

Estar constantemente a inovar a maneira de inovar, significa ter uma mentalidade de abertura constante a novas perspectivas e a novos desafios.

Esta abertura tanto se refere a ideias como a protótipos, na fase de desenvolvimento ou na comercialização questões que foram faladas durante o evento.

Mas uma das questões que debatemos numa das mesas foi, como fazer a escolha de modelos que eventualmente nos são apresentados sabendo nós que ele podem determinar a forma como nos organizamos como empresa.

Imaginemos que temos à nossa frente, dois modelos opostos e que eventualmente são úteis para resolver o problema, que temos em mãos.

Temos tomar uma decisão e escolher um entre os dois? Talvez não. Tão pouco vamos passar dias a pensar em novas soluções quando a possibilidade de resolução está tão perto.

A nossa capacidade de criar de forma construtiva, face às tensões de modelos opostos, permite-nos gerar soluções alternativas. Então em vez de escolher um em detrimento do outro geramos um novo modelo que contém elementos de cada um dos modelos disponíveis, mas o resultado final é melhor que cada uma das partes (modelos).

Todos sabemos a que velocidade a informação flui e como ela pode ser actualizada. Tomar decisões implica naturalmente momentos de alta tensão, em muitos casos, mas principalmente para quem quer iniciara um negócio ou procura levar uma ideia nova até aos tão desejados consumidores ou utilizadores.

Deixar as coisas como estão, já não é solução, era a aposto dos cerca de sessenta estudantes universitários que estavam naquele jantar!.

A maior parte das vezes estas escolhas são enigmáticas e provocam um autentico desafio na combinação de incertezas, ambiguidades, complexidade, instabilidade, risco e apelam a aspectos únicos da nossa experiência, seja ela curta ou longa (papel dos mentores e de empreendedores de sucesso que se juntaram no evento).

Mas o maior desafio é quando ao tomar decisões, nos deparamos com as possíveis consequências. Não estamos sozinhos e a nossa atitude implica com outros indivíduos, grupos ou organizações e por isso temos de pensar em como estabelecer as redes de trabalho.

Eu penso que a melhor opção é trabalhar o problema como um todo. Dar atenção à diversidade de factores e compreender a complexidade das relações causais nas conexões das  coisas e das pessoas entre si.

 

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