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O que devemos comprar? Funcionalidades ou possibilidades?

Quando falamos em inovação por vezes pensamos em coisas simples que nos resolvem alguns problemas.

O “termo” simplicidade pode referir-se a um produto em que o modelo do utilizador é muito semelhante ao modelo de um programa de software e por isso o produto é fácil de usar.

Também podemos usar o “termo” simplicidade para nos referirmos referir a um produto com aspecto visual agradável o que é uma descrição muito estética.

Ou então usamos o termo simplicidade porque um determinado produto tem um grande número de funcionalidades que nos permitem usá-las quando necessário e sem ter que procurar outro produto. É simples porque só com uma coisa realizo uma série de tarefas, tal e qual como um “canivete suíço”.

Há quem advogue que a complexidade é bonita e há quem prefira a simplicidade sem ser minimalista. Eu pessoalmente admiro a complexidade como figura a explorar e que possibilita a observação curiosa de muitos pormenores e até mesmo a utilização variada de funcionalidades.

No meu último post eu questionava a nossa capacidade para lidar com multitarefas que nos são sugeridas por produtos repletos de funcionalidades das quais só utilizamos cerca de 20% e eventualmente alguma delas de forma não aconselhável.

São funcionalidades! Não são possibilidades!

Eu penso que quando sugerimos possibilidades estamos a sugerir não só uma opção de uso ou tomada de decisão, mas sobretudo uma oportunidade de co-criação.

O que acontece se pararmos de tentar entender as necessidades dos consumidores, e começarmos a cultivar espaços vazios onde as pessoas podem inovar para si?”

A possibilidade de as pessoas poderem inovar para si dá resposta a muitas interrogações sobre o “termo” simplicidade uma vez que a co-responsabilidade é introduzida na criação de produtos ou serviços e existe:

– Uma diminuição de risco de deficiente usabilidade.

– Um aumento do significado das coisas e das interacções.

– Uma predisposição para a aprendizagem e para a manutenção.

A questão da aprendizagem é fundamental para encontrarmos significado em inovação.

De outra forma ao sermos confrontados com a inovação, mesmo que ela chegue sob a bandeira da simplicidade, em vez de termos um instrumento ou forma de resolver problemas teremos problemas para resolver.

Tom Cummings (@tomcummings) escreveu um artigo “A sede do pombo” em que diz: “Recentemente um amigo informou-me que a sua pequena organização sem fins lucrativos tinha comprado várias iPads como parte de uma iniciativa em nova tecnologia. Três semanas mais tarde, após diversas reuniões internas e muita pesquisa para a ‘melhor’ apps, disse que não tinha descoberto exactamente como as usar. Ele perguntou-me o que eu achava que eles deveriam estar a fazer com os reluzentes novos brinquedos.

Eu fiz uma pergunta simples: Porque os comprou?”

Este pode ser um bom momento para pensar, antes de comprar, antes de produzir e até antes de criar. Porquê comprar?

O produto em causa apesar de ser um veículo de possibilidades mostra que não há dúvida que toda a campanha de marketing foi bem elaborada para conduzir ao consumo desses produtos, mas certamente que não era esperado pelos compradores a aquisição de problemas. É um factor de aprendizagem que está em causa.

Fiquemos com algumas possibilidades para reflexão:

– A maneira mais fácil de simplificar um sistema é remover uma funcionalidade. È preciso contudo ter cuidado com o que se remove pois a redução tem significado se mantiver o equilíbrio entre o simples e o complexo.

– Um sistema eficaz de organização das coisas permite arrumar tudo o que precisamos e domina a complexidade.

– Evitar ficar à espera não cria desespero e tudo fica mais simples.

– O conhecimento liberta tarefas de tentativa desnecessárias ao uso de equipamentos ou ferramentas.

Simplicidade e complexidade precisam uma da outra! À medida que a complexidade aumenta, como é o caso da tecnologia, mais premente é a simplicidade oferecida ao utilizador.

– O contexto é que torna a simplicidade real.

“È simples, eu gosto!” e mais do que isso, “É simples, eu confio”.

Apesar desta minha dedicação às coisas simples eu sei que há coisas que nunca podem ser simples.

A simplicidade consiste em subtrair o óbvio e acrescentar o significativo.

(Fonte: The Laws of Simplicity)

Não confunda complexidade com complicação e abrace a aprendizagem em inovação.

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