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Percepcionar o significado das experiências

Quando John Kosic (@bikespoke) disse num twitter que gostaria de ler o que eu pensava sobre a integração da Simplicidade no Senso Comum, eu respondi que aceitava o desafio, porque imediatamente me apercebi de que, apesar de me parecerem os dois conceitos muito próximos, algo neles havia de contraditório.

Pedindo emprestado um destes a John Maeda :

” A simplicidade consiste em subtrair o óbvio e acrescentar o significativo. “

Esta noção de simplicidade é extremamente útil para nos guiarmos quando pretendemos construir algo de verdadeiramente novo e com valor (importância que tem para nós).

Se por um lado a simplicidade é uma percepção que temos de uma experiência e não reside no produto ou no serviço, por outro lado o senso comum é constituído por um conjunto de crenças e conhecimentos adquiridos na nossa cultura que origina uma visão explicativa do mundo (coisas) e são geralmente aceites sem serem questionadas ou comprovadas.

O senso comum é importante para explicar os processos cognitivos e o modo como as pessoas usam para formular juízos, interagir com os outros e perceber o meio que os rodeia.

É a “psicologia do óbvio” e poderia parecer a simplicidade, mas não é!

O óbvio não causa espanto!

Nós evoluímos através dos anos com a aprendizagem e o nosso sentido de perceber diferentes situações também mudou nesses anos, mas nem toda a gente evoluiu de forma igual.

Se nos dispusermos a ler ou a ouvir alguma coisa sobre as populações que vivem na Ásia, África Europa, etc., vamos encontrar pessoas que representam diferentes formas de evolução. No entanto parece ser do “senso comum” que há coisas simples que são comuns a todas elas, tal como um sorriso, a necessidade de alimentação ou uma relação de amizade.

O senso comum está profundamente enraizado na simplicidade e a simplicidade é suficiente para vivermos. Apesar disso nós escolhemos formas complexas de vida ao acumularmos competências ou capacidades umas em cima das outras deixando as mais remotas e mais simples escondidas e com isto deixamos de ver significado nas nossas experiências.

É assim, porque é assim! Nem preciso de encontrar significado!

O senso comum passa a ser diversificado e complexo, parecendo sempre tão óbvio e natural que por vezes julgamos tratar-se de conhecimento tácito.

Então se nós “subtrairmos o óbvio e acrescentarmos o significativo” estamos a fazer emergir a simplicidade e isto pode significar que a opinião geralmente aceite sobre a melhor maneira de fazer algo entre um grupo de pessoas e numa determinada situação, adquire significado diferente entre cada uma das pessoas.

Por exemplo, dentro de uma Organização, se alguém experimenta uma forma particular de participar numa tarefa e parece funcionar para ele e muitos outros, então estamos perante o senso comum.

Mas se esta experiência não cria espanto nas pessoas é porque a acção parece óbvia. Para que haja lugar a uma experiência emocional a simplicidade tem entregar significado a cada um de nós.

Agora imagine que usamos o senso comum para resolver um problema tecnológico altamente complexo!

Estamos a inovar o senso comum!

E porque inovar significa criar algo de novo e com valor, nós podemos dizer que estamos a simplificar o complexo.

Ainda dentro do contexto organizacional poderíamos comparar as semelhanças entre o senso comum e os comportamentos aceitáveis por pessoas do grupo em dadas circunstâncias. Se estamos perante uma prática universal, isso significa que a tarefa pode ser executada por uma pessoa que aplica a razão para identificar uma maneira melhor de fazer a mesma tarefa.

Nem senso comum nem simplicidade!

Quando uma pessoa usa o processo de decisão racional pode experimentar e isso não é parte do senso comum nem é simplicidade porque esta pressupõe uma usabilidade (intuitiva).

Experimentar significa não ter a solução ou resposta imediata a um problema e pelo contrário, quando uma pessoa apela à sua capacidade de conhecer ou reconhecer rapidamente e facilmente as possibilidades de uma determinada situação ela está a usar a intuição, aqui entendida como uma decisão resultante de associações rápidas, não conscientes e holísticas.

A intuição pode ser vista neste sentido como uma resposta à simplicidade contida naquela situação.

O problema aqui é que quando as pessoas dizem que algo é “intuitivo”, elas estão a dar a entender esse algo faz sentido (de uma forma natural) a qualquer outra pessoa, mas isso pode não ser verdade quando há grandes diferenças nos quadros de referência das pessoas.

O que eu penso ser importante quando inovamos um produto, um serviço ou até um processo é que o resultado, podendo estar repleto de complexidade por trás, seja traduzido em experiências simples carregadas de emoções e não um resultado tão óbvio que deixa de ser inovação.

O significado não está nas coisas, mas nas experiências que vivemos com elas!

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