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A aceitação do que é possível

Quantas vezes, me pergunto, se uma expressão como Design Thinking pode representar medo na mente dos responsáveis pelas empresas.

A tendência generalizada nos gestores para apenas seguirem os preceitos analíticos transmitidos nas escolas e na aprendizagem realizada no interior das organizações, é uma das maiores formas de bloqueio à criatividade com que nos deparamos.

Conseguir que os gestores das empresas dêem o passo no sentido de aceitar o pensamento abdutivo, isto é o “é possível”, como parte integrante da forma como tomam decisões, é uma conquista difícil.

Vencer o medo de arriscar, sem ter que recorrer às bases de dados de resultados do passado ou o medo de perder o “status quo” é um acto de coragem que faz a excepção.

Por isso, eu penso que é precisa uma nova mentalidade, representativa de abertura a diferentes disciplinas e sobretudo, e é preciso uma vontade forte de abraçar a criatividade.

Design thinking é a expressão comum para designar uma abordagem interdisciplinar para a resolução de problemas, o que nos transporta para a autêntica inovação.

É sobre a prática, isto é, sobre a forma de aproximação aos problemas e sobre a utilização de ferramentas e estratégias que nos permitem ver o problema como um todo.

Design thinking como abordagem interdisciplinar é especialmente importante para decidir o que fazer em o primeiro lugar e para que o poder de processos criativos intuitivos possa ser aproveitado para estimular a inovação, resolver qualquer tipo de problema e desenvolver novas oportunidades.

Quando surgem os problemas confusos e desafiadores postos pela complexidade dos contextos no mundo da tecnologia digital e da conectividade global, que abraça diferentes culturas e ecossistemas, essa abordagem interdisciplinar facilita a definição e compreensão dos problemas permitindo um caminho mais fácil para encontrar soluções.

Os problemas de projectos complexos, tais como sistemas ou serviços, serão melhor abordados por uma equipa de pessoas de origens variadas que numa atitude de colaboração aproveitam os vários processos intuitivos de forma mais produtiva.

– Então como podemos encarar os negócios?

Ao contrário do pensamento analítico, pensar design é um processo criativo baseado na construção de ideias a partir do nada. Não há julgamentos ou medo de falhar.

Mas no mundo dos negócios, existem noções menos correctas como a de que uma rigorosa análise quantitativa é o caminho certo para uma estratégia de negócios criativos.

Por exemplo numa determinada organização uma ferramenta como (as forças de Porter) considera cinco factores, as “forças” competitivas, que devem ser estudados para que se possa desenvolver uma estratégia empresarial eficiente, mas isso não irá inspirar as pessoas da organização com novas ideias.

Se nós acreditamos que a criatividade e inovação são de facto uma vantagem competitiva teremos de começar a fazer muitas perguntas que mesmo parecendo (só aos outros) “estúpidas”, podem tornar a esperança visível.

Há tanta gente à espera, fora e dentro das organizações, das nossas ideias!

Quando um pensador design usa a divergência para cavar fundo nos pressupostos de uma empresa ou quando salta a vedação dos silos dessa empresa, ele está promover o campo das possibilidades com a ajuda das metáforas e das analogias ou facilitando a sua visualização.

Se há coisas em que os pensadores design podem ser bons é no trabalho com constrangimentos e situações de emergência, situação muito comum no mundo dos negócios.

Mas acima de tudo eles sabem usar a empatia com dedicação, para observar realmente e prestar atenção às pessoas, porque esta é geralmente a melhor maneira de verificar a profundidade das necessidades não articuladas e é o factor de diferenciação que vem criar valor nesta convergência de negócios e design thinking.

Segundo Warren Berger (Glimmer: How Design Can Transform Your Life and Maybe Even the World) há três formas para aplicar o Pensar Design à nossa vida.

Os designers são bons a fazer perguntas estúpidas – Dê um passo para trás e reavalie tudo.

O pensador designer pode começar a reestruturar o desafio em questão, o que pode conduzir a pensar em novas direcções.

Os fundamentos básicos do negócio, hoje tão transformacionais, exigem uma capacidade de questionar e repensar quais os negócios que enfrentamos e quais são de facto as necessidades dos consumidores. O que é que estes esperam?

Os designers colocam os problemas de forma visual – Os designers sabem que quando vemos tudo à nossa frente, as conexões e padrões tornam-se mais compreensíveis.

Os modelos que os designers criam constantemente de forma rápida e sem polimento são um componente crítico da inovação. Quando damos forma a uma ideia, começamos a torná-la real.

Os designers pensam lateralmente – Forçam os cérebros para ir para os lados e a analisar as soluções que estão fora do caminho. O artifício é evitar problemas de uma forma simples para que se esteja aberto para o lado esquerdo. Trata-se de estar afastado das regras baseadas na experiência.

Não é fácil chegar a grandes sucessos, e para lá chegar deveremos ”pensar lateralmente “, procurando algo muito grande, aceitando ideias e influências e sobretudo deveremos também estar dispostos a tentar ligar ideias que podem não parecer estar ligadas. Esta é uma maneira de pensar que também pode ser abraçado por não designers.

Os pensadores design sabem que a inovação envolve muitas vezes um processo interactivo com recuos ao longo do caminho, mas sabendo que as pequenas falhas são realmente úteis, pois mostram o que funciona e o que precisa ser corrigido.

A capacidade do pensador design de “não seguir” é uma qualidade indispensável em tempos de mudança dinâmica e que faz parte de uma nova mentalidade, como é o caso do design thinking.

Segundo Roger Martin para nos tornarmos Pensadores Design temos de desenvolver a postura, as ferramentas e as experiências.

Postura é a nossa perspectiva do mundo e o nosso papel nele.

Ferramentas são os modelos que usamos para organizar o nosso mundo e o nosso pensamento.

Experiências são o que construiu e desenvolveu as nossas competências e sensibilidades.

O design thinking pode inspirar e informar a estratégia de negócios, pode ajudar a explorar as oportunidades de crescimento, resolver problemas complexos e atingir diferenciação significativa.

Os seus principais instrumentos são a prototipagem que facilita a produção de ideias rapidamente e o contar histórias que facilita a implementação através de narrativas convincentes e não apenas a verbalização de conceitos.

Ao explorarmos os principais métodos, estratégias e técnicas bem sucedidas para incorporar design thinking na cultura das empresas, podemos estar a alterar comportamentos e a ajudar as organizações a alcançar um novo crescimento.

Devemos fazer perguntas porque mesmo as perguntas descabidas têm uma resposta!

O que pensa disto?

 

O que devemos comprar? Funcionalidades ou possibilidades?

Quando falamos em inovação por vezes pensamos em coisas simples que nos resolvem alguns problemas.

O “termo” simplicidade pode referir-se a um produto em que o modelo do utilizador é muito semelhante ao modelo de um programa de software e por isso o produto é fácil de usar.

Também podemos usar o “termo” simplicidade para nos referirmos referir a um produto com aspecto visual agradável o que é uma descrição muito estética.

Ou então usamos o termo simplicidade porque um determinado produto tem um grande número de funcionalidades que nos permitem usá-las quando necessário e sem ter que procurar outro produto. É simples porque só com uma coisa realizo uma série de tarefas, tal e qual como um “canivete suíço”.

Há quem advogue que a complexidade é bonita e há quem prefira a simplicidade sem ser minimalista. Eu pessoalmente admiro a complexidade como figura a explorar e que possibilita a observação curiosa de muitos pormenores e até mesmo a utilização variada de funcionalidades.

No meu último post eu questionava a nossa capacidade para lidar com multitarefas que nos são sugeridas por produtos repletos de funcionalidades das quais só utilizamos cerca de 20% e eventualmente alguma delas de forma não aconselhável.

São funcionalidades! Não são possibilidades!

Eu penso que quando sugerimos possibilidades estamos a sugerir não só uma opção de uso ou tomada de decisão, mas sobretudo uma oportunidade de co-criação.

O que acontece se pararmos de tentar entender as necessidades dos consumidores, e começarmos a cultivar espaços vazios onde as pessoas podem inovar para si?”

A possibilidade de as pessoas poderem inovar para si dá resposta a muitas interrogações sobre o “termo” simplicidade uma vez que a co-responsabilidade é introduzida na criação de produtos ou serviços e existe:

– Uma diminuição de risco de deficiente usabilidade.

– Um aumento do significado das coisas e das interacções.

– Uma predisposição para a aprendizagem e para a manutenção.

A questão da aprendizagem é fundamental para encontrarmos significado em inovação.

De outra forma ao sermos confrontados com a inovação, mesmo que ela chegue sob a bandeira da simplicidade, em vez de termos um instrumento ou forma de resolver problemas teremos problemas para resolver.

Tom Cummings (@tomcummings) escreveu um artigo “A sede do pombo” em que diz: “Recentemente um amigo informou-me que a sua pequena organização sem fins lucrativos tinha comprado várias iPads como parte de uma iniciativa em nova tecnologia. Três semanas mais tarde, após diversas reuniões internas e muita pesquisa para a ‘melhor’ apps, disse que não tinha descoberto exactamente como as usar. Ele perguntou-me o que eu achava que eles deveriam estar a fazer com os reluzentes novos brinquedos.

Eu fiz uma pergunta simples: Porque os comprou?”

Este pode ser um bom momento para pensar, antes de comprar, antes de produzir e até antes de criar. Porquê comprar?

O produto em causa apesar de ser um veículo de possibilidades mostra que não há dúvida que toda a campanha de marketing foi bem elaborada para conduzir ao consumo desses produtos, mas certamente que não era esperado pelos compradores a aquisição de problemas. É um factor de aprendizagem que está em causa.

Fiquemos com algumas possibilidades para reflexão:

– A maneira mais fácil de simplificar um sistema é remover uma funcionalidade. È preciso contudo ter cuidado com o que se remove pois a redução tem significado se mantiver o equilíbrio entre o simples e o complexo.

– Um sistema eficaz de organização das coisas permite arrumar tudo o que precisamos e domina a complexidade.

– Evitar ficar à espera não cria desespero e tudo fica mais simples.

– O conhecimento liberta tarefas de tentativa desnecessárias ao uso de equipamentos ou ferramentas.

Simplicidade e complexidade precisam uma da outra! À medida que a complexidade aumenta, como é o caso da tecnologia, mais premente é a simplicidade oferecida ao utilizador.

– O contexto é que torna a simplicidade real.

“È simples, eu gosto!” e mais do que isso, “É simples, eu confio”.

Apesar desta minha dedicação às coisas simples eu sei que há coisas que nunca podem ser simples.

A simplicidade consiste em subtrair o óbvio e acrescentar o significativo.

(Fonte: The Laws of Simplicity)

Não confunda complexidade com complicação e abrace a aprendizagem em inovação.

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