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Reaprender com as PMEs

A maior parte das empresas concentram-se em fazer melhor o que produzem e os processos que utilizam, isto é fazer mais rápido e mais barato aquilo que têm para oferecer.

São processos e uma cultura que reclamam a competitividade mas que matam a inovação.

“Quase todas as pessoas empresários / start-up são pessoas criativas no coração, porque exige muita criatividade para iniciar e gerir um novo negócio (com a excepção de franquia empresarial).  É mais difícil encontrar a criatividade nas grandes empresas, não porque não há número suficiente de pessoas criativas, mas o projecto de organização e processos de negócio tornam quase impossível ser criativo. E para eles, a criatividade significa encontrar maneiras de contornar o sistema, mas não criando novas maneiras de atender as necessidades do cliente.” Idris Mootee

As grandes empresas concentram-se sobre o passado, e aplicam e replicam as coisas que foram provadas como tendo o mais baixo grau de tolerância possível. Estas empresas trabalham com as coisas confiáveis e não abrem a porta ao que pode ser válido porque consideram que está aí a sua vantagem competitiva, mas esquecem-se que essa vantagem facilmente é diluída por alguém, que no mesmo jogo, encontra uma resposta nova e melhor que anula todo o investimento feito na solução encontrada pela grande empresa.

Quando uma empresa trabalha numa solução para satisfazer as necessidades dos seus clientes e só procura diminuir custos dessa exploração para além de oferecer pequenas melhorias e “novidades” incrementadas, ela corre o risco de caminhar no sentido contrário da passadeira rolante.

É uma estratégia de fuga à inovação.

As empresas devem também explorar o terreno à volta dos problemas que ainda não têm uma solução conhecida.

Se, generalizando, compararmos a actividade das grandes empresas com as pequenas e médias empresas é possível verificar que existem algumas diferenças significativas relativamente às estratégias de inovação.

Para as pequenas e médias empresas, que não caminham na zona de conforto estabelecida pelo mercado que “conquistaram”, existem basicamente três estratégias de inovação:

1-Criatividade avançada e competitividade tecnológica baseada em novos processos para oferecer produtos melhores.

2-Tecnologia avançada e criatividade design para projectar produtos inovadores.

3-Criatividade avançada e pensamento de design para transformar produtos em experiências.

As grandes empresas, ao longo dos anos do seu crescimento, foram-se rodeando de especialistas, de conhecimento de grau muito elevado e até de pessoas com grandes potencialidades criativas.

Digo potencialidades, porque, também com o passar do tempo a criatividade deixou de ser uma realidade e passou a ser uma memória absorvida pelo profundo desejo de maximização de resultados financeiros.

“Eles levaram um mistério longo resolvido — eles são muitas vezes, mas não sempre, aqueles que o resolveram há muitas décadas — e passaram décadas intermediárias refinando a heurística resultante num algoritmo. Eles lidam com o que é confiável — a reprodução confiável do resultado desejado novamente na maior escala possível com o mínimo custo e com a mínima variação…

Eu diria, “ir e encontrar, no departamento de I&d e veja até que grau eles estão apenas realmente aprimorando e refinação de produtos existentes. Em muitos casos, o departamento de I&d afia e refina, sustentando uma inovação, ao invés de construir um novo negócio.” – Roger Martin

No entanto, existem problemas no presente em que se pode imaginar uma solução que deve ser testada e verificada a sua validade.

Para Vijay Govindarajan, há também três variáveis quando se trata de experimentar com êxito novas ideias e cuja formula muitas pequenas e médias empresas conhecem e experimentaram:

Ideação sucesso = ƒ (incentivar + falhar + combinar)

1. Incentivar a experimentação constante de baixo custo.

2. Esperança pela falha, pois significaria que a organização está a crescer.

3. Aprenda como combinar ideias falhadas para formar novas e emocionantes ideias.

Enquanto em muitas empresas (principalmente grandes empresas) para podermos provar algo temos de invocar a lógica, porque nós só podemos provar coisas dedutivamente e indutivamente com base no passado, outras empresas incentivam a experimentação e prototipagem como forma de dar “um salto lógico da mente” (Peirce).

Se ficarmos agarrados à necessidade de “prova” podemos proteger-nos individualmente mas pomos em risco a relevância e pertinência de ideias promissoras que outra qualquer pessoa inovadora e com intuição poderá abraçar e desenvolver.

Proteja a organização e sentir-se-á protegido.

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