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Prever para além das necessidades imediatas

Quando nós conversamos com alguém, ouvimos ou lemos notícias, frequentemente constatamos que muita gente manifesta necessidades não satisfeitas, mas estas são apenas a parte visível do iceberg.

Por baixo da linha de água existe muitas outras necessidades que as pessoas ainda não expressaram ou ainda não foram identificadas porque essas pessoas não foram ainda confrontadas com ambientes que exigem mais de si.

Por exemplo: Eu sinto necessidade de um telefone móbil com acesso à internet porque as pessoas que fazem parte do meu ecossistema o “exigem”, isto é, se eu pretendo comunicar com os meus parceiros e amigos é importante que eu seja um utilizador de certas tecnologias e suas aplicações, caso contrário a comunicação torna-se difícil.

Isto significa mudança!

Observar o comportamento das pessoas no seu ambiente para compreender interacção pessoa/ambiente é uma das melhores formas de iniciar um processo desejável de mudança.

A mudança nas pessoas implica sempre uma aceitação mais ou menos difícil quando essa mudança não surge por iniciativa própria, isto é, para deixar a zona de conforto sem resistência as pessoas têm que procurar um conforto maior.

Eu penso que, se as pessoas não puderem seguir o princípio do prazer, e a realidade lhes exigir um esforço, elas procurarão despender o menor esforço possível.

Então para podermos diminuir a resistência á mudança temos que observar o quotidiano das pessoas e analisar as interacções que as pessoas realizam com o seu meio ambiente e determinar quais os limites de intensidade de mudança que pensamos serão aceitáveis.

Até que ponto eu posso promover a mudança sem criar rejeição?

Os caminhos para encontrar soluções para os problemas das pessoas iniciam-se com a observação das interacções e esses problemas podem ser necessidades não satisfeitas mas claramente identificadas, não articuladas, por dificuldade de enquadramento no contexto ou difíceis de verbalizar e necessidades ocultas que podem não ser sentidas hoje mas existirão como consequência de algo introduzido.

Observar as necessidades das pessoas não se restringe à identificação dos produtos ou serviços em falta, é também observar o comportamento das pessoas quando interagem no seu meio ambiente, e a única forma de obter um resultado que satisfaça as nossas intenções é criando empatia com as pessoas a observar.

Para facilitar a observação dessas interacções os questionários e conversas informais ou até mesmo os quadros auxiliares de observação com itens relevantes podem não ser suficientes.

Apreender as informações transmitidas com auxílio de novas tecnologias, vídeos e outro tipo de registos torna-se crucial para obter bons resultados, porque isto permite a preservação de ambientes naturais, isto é, ambientes não filtrados pela nossa intervenção, para além de permitirem a visualização através de diferentes ângulos (diferentes observadores).

No entanto estas observações têm algumas limitações:

– São limitadas aos dados com características visíveis ou comportamentos.

– Exigem mais tempo para capturar informação suficiente para tirar conclusões.

Por seu lado a utilização de questionários limitam em muito a espontaneidade de quem responde.

Compreender e observar potenciais utilizadores de produtos e serviços inovadores que resolvam muitos dos problemas das pessoas requer um trabalho interdisciplinar e muita criatividade porque as soluções têm de ser desejadas pelos consumidores/utilizadores, serem realizáveis e economicamente viáveis para quem as fornece.

Estas soluções são encontradas no universo de “o que poderia ser” e não no universo de “o que é”.

Eu penso que a observação tem dois momentos importantes no decurso do desenvolvimento de uma ideia, a observação para alimentar a criação de uma solução e a observação da interacção das pessoa com o protótipo da solução.

É nesta segunda viagem ao mundo das interacções que podem surgir algumas interrogações:

Será que o produto ou serviço criado satisfaz plenamente as necessidades das pessoas?

Será que a solução encontrada não transporta consequências indesejáveis?

Será que a solução proposta é a penas o início de uma grande mudança?

Uma vez em interacção com a solução qual é o comportamento desejável e consequente?

Até que ponto a observação realizada me permite predizer comportamentos futuros?

Que carga de intencionalidade coloquei na solução proposta para além das primeiras interacções?

Nós sabemos o quanto é importante a noção de desvio de conformidade nas pessoas e o peso que a cultura tem nas escolhas por isso fica a questão:

Será que as propostas de solução que vemos frequentemente são de facto solução para os problemas ou apenas parte de um trajecto para um destino sugerido por outros?

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Innovation beyond what we observe

Provide beyond immediate needs

 

When we talk with someone, we hear or read news, often we find that many people expresses needs unmet, but these are just the visible part of the iceberg.

Below the waterline there are many other needs that people still do not have or have not yet been identified because these people have not yet been confronted with environments that require more of themselves.

For example: I feel the need for a mobile phone with internet access because people that are part of my ecosystem “require” it, that is, if I intend to communicate with my partners and friends it is important to me to be a user of certain technologies and their applications, otherwise the communication becomes difficult.

This means change!

Observe the behavior of people in their environment to understand the interactions person/environment is one of the best ways to start a desirable process of change.

The change in people always implies an acceptance more or less difficult when this change does not arise on its own initiative, that is, to leave the comfort zone without resistance people have to seek a greater comfort.

I think that if people cannot follow the principle of pleasure, and the reality they require an effort, they will spend the least effort possible.

So in order to decrease the resistance will change we need to observe the daily life of people and analyze the interactions that people do with their environment and determine the limits of intensity of change that we believe will be acceptable.

Until what point can I promote change without creating rejection?

The paths for finding solutions to the problems of people start with the observation of interactions and these problems may be unmet but clearly identified, unarticulated, difficulty in framing context or difficult to verbalize and hidden needs that may not be experienced today but exist as a result of something introduced.

To observe the people’s needs is not restricted to the identification of the products or services, it is also to observe the behavior of people when they interact with their environment, and the only way to get a result that satisfies our intentions is creating empathy with people we want to observe.

To facilitate the observation of these interactions questionnaires and informal conversations or even auxiliary frames with relevant items may not be enough.

The capture of information transmitted with the aid of new technologies, videos and other type of records becomes crucial for obtaining good results, because this allows the preservation of natural environments, i.e. environments not filtered by our intervention, in addition to allow viewing through different angles (different observers).

However these comments have some limitations:

-Are limited to data with visible features or behaviors.

-Require more time to capture sufficient information to draw conclusions.

For its part the use of questionnaires limit the spontaneity of whoever responds.

Understand and observe potential users of innovative products and services that solve many of the problems of people requires an interdisciplinary work and lots of creativity because solutions must be desired by consumers/users, and must be achievable and economically viable for whom provides.

These solutions are found in the universe “what could be” and not in the universe of “what is”.

I think observation has two important moments in the course of developing an idea, the observation to nurture the creation of a solution and the observation of the interaction of the person with the prototype of the solution.

It is in this second journey into the world of interactions that may arise some questions:

Will the product or service created fully meets the needs of the people?

The solution founded doesn’t bring undesirable consequences?

The proposed solution is just the beginning of a big change?

Once in interaction with the solution which is desirable and consequent behavior?

The extent to which the observation held allows me to predict future behaviors?

What charge of intent did I put into solution proposal beyond the first interaction?

We know how important it is the notion of conformity bias in people and what is the weight that culture has on the choices, so, for this here is the question:

Will the proposed solution, that we see often are in fact the solution for the problems or just part of a journey to a destination suggested by others?

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Observar os outros para me conhecer

“A capacidade de observação profunda do comportamento das pessoas é o combustível para a inovação” – Dennis Boyle

Quem tem essa capacidade?

A capacidade de observação é uma competência que tem naturalmente de estar residente em alguém e exige energia para ultrapassar barreiras e para se integrar num ecossistema de forma a criar empatia.

Realizar uma observação profunda implica ser criativo e inferir hipóteses mas acima de tudo percorrer os caminhos do comportamento das pessoas o que nos obriga a possuir um bom depósito de motivação.

Ser criativo significa ter competência de identificação de qualquer problema e gerar ideias que nos levam à inovação.

Ser criativo significa estar motivado para a criação independentemente dos constrangimentos que possam surgir.

Existe uma teoria da motivação que propõe que a motivação é baseada nos sentimentos de competência pessoal. Segundo esta teoria a motivação aumenta quando uma pessoa realiza com sucesso uma tarefa.

Mas nós sabemos que toda e qualquer organização é composta por indivíduos com diferentes motivações e competências, e as empresas mais bem sucedidas sabem como tornar as competências individuais disponíveis para o grupo.

A forma mais eficaz um negócio poder funcionar dentro de um quadro de colaboração, é tirar proveito de sucessos individuais e prosperar como um todo, mas nem sempre a procura de significado para a existência de respostas diferentes face a adversidades ou obstáculos, fica por aí.

Uma outra abordagem, mostra-nos uma diferenciação entre a motivação extrínseca e a intrínseca. A motivação para ir para o trabalho é extrínseca, porque a actividade vai trazer alguma recompensa no fim.

Nós estamos intrinsecamente motivados quando, procuramos o compromisso e o bem-estar nas coisas que fazemos e isso conduz-nos à criatividade.

E qual é a minha atitude face à necessidade de observar o comportamento dos outros?

Eu posso “ir na onda” e sem intenção de agir o que se traduz numa fraca ou nula observação ou posso apenas satisfazer as solicitações externas o que me faz sentir controlado e o resultado é também fraco.

Mas se por exemplo eu vou procurar observar o comportamento dos outros e o que me move é a recompensa pelo trabalho ou porque isso faz parte da rotina e portanto é uma obrigação a cumprir eu apenas sigo o caminho da facilitação e não da observação profunda.

Quando as pessoas se identificam com as actividades e estas são vistas como pessoalmente importantes ou mesmo até as conseguem fazer parte de si elas começam a desenvolver trabalho de observação com alguma profundidade.

No entanto, se eu observo o comportamento dos outros apenas pela satisfação inerente ao facto de a fazer os resultados serão mais próximos das soluções inovadoras.

Estas são algumas das condições de partida para uma observação profunda do comportamento das pessoas e acredito que nem todos os que a realizam vão tão fundo quanto necessário porque a energia de que dispõem não é suficiente para uma viagem desta dimensão.

Há uma diferença subtil, mas importante, entre as pessoas que procuram desempenhar actividades ao encontro dos seus pontos fortes, o que é natural, pois, sentem-se competentes, e as pessoas que sentem o gozo de enfrentar desafios e testar novas habilidades.

Se nós procurarmos apenas situações que nos fazem sentir competentes, é provável que a idade nos deixe ficar mal, e é improvável que tenhamos satisfação com o que fazemos.

A observação profunda do comportamento das pessoas ajuda também a encontrar a nossa competência em novas habilidades, e por certo, a motivação para desenvolver mais trabalho criativo e melhor adaptado às verdadeiras necessidades das pessoas.

Nessa altura deixamos de observar os outros e passamos a observar-nos condição fundamental para o nosso crescimento e adaptação ao “novo mundo”.

Já pensou nisto?