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Estratégia para lugares ao Sol

Quando eramos meninos, eramos criativos, pequenos génios que facilmente davam respostas surpreendentes que enchiam os lugares de espanto. Nessa altura não tínhamos ainda o conhecimento suficiente para transformar essas ideias em algo com valor e dessa forma podermos transformar-nos em “startup kids”.

Muitas dessas pessoas cresceram e transformara-se em empreendedores de sucesso, outros estão a dar seguimento a grandes projetos como gestores de topo e há ainda alguns que falharam mas estão agora a aprender a lidar com algumas armadilhas dos negócios.

Hoje fala-se muito em inovação, fazem-se incursões tímidas com modelos ditos de sucesso e com as melhores práticas importadas e muitas vezes face às primeiras desilusões ou adversidades reorganizam-se serviços, inventam-se talentos e contratam-se salvadores.

Fazemos tudo isto, mas esquecemo-nos que as pessoas são uma parte extremamente importante no funcionamento e no sucesso das organizações.

“As pessoas não nascem com a capacidade de inovar. É uma prática de gestão estruturada que é ensinada e aprendida” – Geoff Tuff

Muitas vezes as organizações ou os seus responsáveis sonham com um espaço de transformação e reúnem bagagens e pessoas para a grande travessia sem pensarem em estratégia (o que quer que seja que isso signifique), isto é, sem responderem a algumas perguntas como sugere Roger Martin:

“1. Qual é a sua aspiração para vencer?

2. Onde vai jogar?

3. Como vai ganhar?

4. Quais os recursos que devem estar no local?

5. Quais são os sistemas de gestão necessários?

As respostas a estas perguntas são as escolhas fundamentais que cada líder deve fazer para criar uma estratégia de sucesso. Não se enganem sobre isso, a estratégia é a escolha; é um conjunto de escolhas sobre o que você vai fazer, e o que não deve fazer, por forma a criar vantagem sobre a concorrência.”

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Eu penso que as empresas, quando afloram a inovação como uma forma de criar competitividade e sustentabilidade, devem procurar seguir as palavras de Socrates “conhece-te a ti mesmo” e só depois partirem para as expedições ao núcleo da organização, às adjacências ou às iniciativas transformacionais como refere Michael Zacka num artigo em Huff Post.

Para se tornar numa empresa sustentável (a inovação permite atingir esses patamar) uma organização deve procurar ganhar um lugar ao sol utilizando a diferença como marco territorial.

Por exemplo a P&G na sua declaração de propósito, diz: “nós forneceremos produtos e serviços de qualidade superior e valor que melhorem a vida dos consumidores do mundo. Como resultado, os consumidores vão nos brindar com liderança de vendas, lucro e criação de valor, permitindo que os nossos colaboradores, os nossos acionistas e as comunidades onde vivemos e trabalhamos, prosperem.”

As organizações precisam de evitar lançar-se impulsivamente para caminhos para os quais podem não estar preparados. Para uma organização “se conhecer a si própria” é necessário ter consciência do valor dos seus recursos, dos seus talentos, da sua posição, do território onde está inserido e do seu potencial de desafio.

Uma organização para se lançar no mundo da inovação deve pensar para além do imediato das coisas, produtos ou serviços, e procurar a diferenciação na resolução de problemas através da satisfação das necessidades, da eficácia e dos sentimentos de bem-estar.

Uma organização deve pensar em inovação como um todo, recorrendo á colaboração e partilha de forma consistente e abrangente.

Uma organização deve procurar criar o maior número possível de soluções alternativas aos problemas identificados e selecionar as propostas mais relevantes para o momento, para o contexto delimitado e com a disponibilidade de recursos existente ou com viabilidade de investimento.

Uma organização deve ser capaz de interpretar as necessidades, as vontades e os desejos dos seus clientes e potenciais cliente por forma a antecipar os seus pedidos, evitar as suas reclamações e acima de tudo por forma a ocupar o lugar com melhor “exposição solar”.

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Pensar grande e começar pequeno?

Eu penso que a inovação é capaz de produzir benefícios significativos que ajudam a alavancar um negócio.

A inovação pode permitir novas oportunidades em mercados em expansão, aumentar as margens através de novas formas de fazer negócios e melhorar a eficácia operacional através de uma utilização mais eficiente e eficaz dos recursos existentes.

Cada organização é uma colecção de recursos exclusivos e capacidades que fornecem a base da sua estratégia e a principal fonte de seus retornos.

Mas a inovação não é apenas inventar novos produtos e serviços. É também sobre o desenvolvimento de processos criativos e de novas formas de pensamento.

Inovação é pensar sobre as pessoas, sobre as coisas e as relações entre elas e resolver problemas de novas maneiras. É construir um mundo melhor!

Existe um bom desafio, que recomendo, para quem quer pensar em inovação e sobre a melhor forma de a abordar nas organizações, proposto por Paul Hobcraft e Jeffrey Philips (ver aqui) que me fez pensar sobre a utilização dos recursos das organizações, entre outros aspectos, quando estas pretendem abraçar a inovação.

A utilização eficaz dos recursos potenciais em matéria de inovação passa não só pelo inventário dos recursos disponíveis mas também pela avaliação desses recursos.

O desenvolvimento de novas funcionalidades e uma maior produtividade da tecnologia pode ser a resposta que as organizações precisam de obter e assim uma avaliação correcta dos seus recursos, físicos e humanos pode mudar o valor do potencial existente na organização.

Isto significa que pode ser importante não afirmar apenas quais são as suas disponibilidades mas também avaliar o potencial delas.

A avaliação dos recursos internos permite uma equilibrada procura de recursos externos sem desperdícios de recursos financeiros e reconhecer o meio-termo pode ser importante no desenvolvimento de uma estratégia de inovação.

“Tecnologia ou conhecimento, que excede o que o mercado está disposto a pagar por deixar de ser uma vantagem competitiva.” Christensen

Que recursos (pessoas, recursos, tempo e informação) estão disponíveis para apoiar os esforços de inovação?

É curioso notar que, tanto o excesso quanto a falta de recursos disponíveis, podem inibir a inovação. Isto porque as organizações onde existem recursos em abundância existe uma cultura conservadora onde a criatividade é tabu e nas empresas com escassez a compactação de custos inibe perspectivas inovadoras.

No entanto, fazer avaliações, não apenas afirmando a sua disponibilidade permite que as empresas com escassos recursos financeiros aumentam as suas possibilidades de de desenvolver produtos e serviços inovadores.

A avaliação de recursos pode permitir, alimentando sempre o tipo de abordagem a desenvolver em inovação, o redesenhar continuamente e a sua adaptação às solicitações dos mercados.

Em ambientes caracterizados por ciclos de vida, ciclos tecnologia ou ciclos económicos a “capacidade de inovação” isto é, capacidade de recursos para implementar inovações em processos, tecnologias ou componentes rapidamente e com eficiência, mas sem grande despesa, depende do conhecimento obtido na avaliação de recursos.

“Dois tipos de índices são necessários para a avaliação de capacidade de inovação. O primeiro tipo determina qual componentes de suportam ou inibem as adaptações. O segundo tipo avalia a capacidade de inovação de todo o sistema.” World Academy of Science,

Este texto é parte de um exercício mais amplo e privilegiou os recursos físicos. Numa próxima abordagem serão os Recursos Humanos e a avaliação do seu potencial para o desenvolvimento de inovação nas organizações.

Agradeço comentários e pistas para desenvolvimento. Obrigado!