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Brokers e Inovação aberta

 

A intensificação da concorrência global e da inovação bem como a internacionalização de conhecimento traz novos desafios às empresas, especialmente às PME, o que faz com que as empresas estejam cada vez mais a abrir os seus processos de inovação e de colaboração com parceiros externos sejam eles outras empresas, clientes, universidades, etc.

Este caminho ou esta tendência tem provocado uma interacção em comunidades de inovação, principalmente com o uso de redes sociais e que levou ao surgimento de novos papeis na inovação aberta como é o caso dos intermediários.

Os intermediários de inovação têm sido estruturados como uma forma emergente de corretor que coordena o fluxo dos pedidos de inovação e soluções através de fontes de conhecimento e de criatividade distintas, não localizadas no ecossistema das organizações e que eram até então desconhecidas.

Eles podem fornecer aconselhamento em gestão para internalizar e integrar as contribuições das fontes externas.

Contudo estes intermediários só conseguirão cumprir a sua missão se os líderes das organizações parceiras forem eles próprios promotores, e especialmente se existir uma cooperação informal através das fronteiras organizacionais e funcionais.

Na minha experiência profissional, durante alguns anos, lidei com brokers na actividade seguradora e embora com características diferentes, reconheço este papel como fundamental na efectivação de projectos.

Em inovação aberta existem fronteiras que apesar de porosas requerem uma gestão facilitadora dos fluxos de conhecimento e de experiências. Ajudar a medir a própria capacidade para mobilizar recursos internos e externos em busca de soluções pode ser um diferencial competitivo para as organizações.

Alguns exemplos:

NineSigma criou uma ferramenta de diagnóstico, Open Innovation Scorecard, que ajuda as empresas a identificar o seu potencial para realizar inovação.

Bluenove criou,  entre outros serviços, um Mapa de Inovação Aberta que permite identificar agentes em Inovação aberta, com diversos papeis e em todo o mundo.

Ao longo dos últimos anos, intermediários, como pela YourEncore, IdeaConnection, InnoCentive, e outras tiveram um crescimento acentuado nos mercados, devido à necessidade de criar formas de conectar e fazer comunicar as empresas  com outras organizações e indivíduos.

O papel esperado por parte dos intermediários é a criação de valor para as empresas, e esse valor chega através da criação de pontos de entrada e de estabelecimento de conexões ou detecção de fragilidades existentes na capacidade tecnológica ou em conhecimento.

Os intermediários podem ainda criar valor através do aconselhamento sobre um modelo de negócios adequado ou na avaliação de oportunidades externas em inovação aberta.

O aconselhamento sobre as possibilidades de licenciamento e de partilha ou aquisição de PI são também uma forma, que os intermediários apresentam, de criação de valor para as empresas.

No entanto o papel dos intermediários só é possível dentro de um quadro de equilíbrio das forças internas e externas de forma a evitar o aparecimento de conflitos desnecessários.

 “Recentemente, a Atos Consulting realizou uma pesquisa em larga escala entre as empresas nos Países Baixos, Bélgica, França e Espanha, a fim de avaliar o estado actual da inovação aberta nas empresas. A pesquisa investigou quatro elementos: a medida em que a inovação aberta é incorporada na estratégia de inovação, a utilização de conhecimento externo para dentro da empresa (de fora para dentro); em que medida o conhecimento interno é monitorizado fora da empresa (de dentro para fora); e a mentalidade de inovação aberta da empresa.

Os resultados deste estudo especial mostram que a inovação aberta ainda não é amplamente praticada, algumas organizações têm aplicado diversas técnicas de inovação aberta, enquanto outros mal começaram a fazer isso. A mentalidade de inovação aberta das empresas é o elemento menos desenvolvido. Além disso, poucas empresas utilizam processos de recurso fora do conhecimento interno. As empresas parecem estar muito mais confortáveis na terceirização do conhecimento externo do que estão compartilhando seus conhecimentos com os outros.”

Estes resultados apontam claramente para a necessidade de alterar a mentalidade das empresas, facto que pode ser feito através da evangelização da Inovação aberta.

Do outro lado da fronteira estão os parceiros que também beneficiam do papel desempenhado pelos intermediários e esse benefício, entre outros benefícios, traduz-se na possibilidade de aplicação das criações ou descobertas em problemas idênticos mas de maior expressão no mercado ou na utilização de aplicações existentes no mercado mas desconhecidas.

No entanto, é importante que, para obter um rendimento a partir da integração de conhecimento externo, as empresas garantam que a sua colaboração com os intermediários de inovação aberta se enquadra numa estratégia global de inovação.

É também importante que os intermediários desempenhem o seu papel de mediadores e facilitadores da vontade comum e não desvirtuem o propósito alinhado dos parceiros em inovação aberta.

O valor criado deve ser o valor desejado por todos os intervenientes no processo de inovação aberta.

As empresas que vão lucrar com a inovação aberta serão aquelas que adaptarem seus processos, a sua estrutura organizacional e desenvolverem a cultura de inovação alinhadas com as novas oportunidades sugeridas pela intermediação.

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