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Desvios de confirmação

Twyla Tharp diz, em “O Hábito Criativo”, que “antes de poderes pensar fora da caixa tens de começar com a caixa”.

E é pela caixa que devemos começar quando pensamos na forma como a inovação é conduzida.

Em muitas empresas, a inovação é um departamento com uma hierarquia que toma decisões sobre o valor das ideias, muitas vezes colocadas nas caixas de sugestões.

Contudo a direcção que essas ideias tomam nem sempre é a mais indicada. Com frequência se ouve falar que uma vez aprovada uma iniciativa de inovação, o plano que lhe deveria corresponder foi atirado pela janela.

A inovação traz incerteza, traz risco que muitas vezes está associado ao medo e delinear um plano pode parecer algo semelhante a um concurso de advinhas.

Não há certezas e por isso torna-se conveniente menosprezar a importância do planeamento por algum tempo ou em sentido contrário estabelecer projecções com base no super optimismo.

Hoje, o mundo é global. Já não se exporta só a novidade e os contextos passaram a ter uma importância vital, pelo que o planeamento tem de ser feito tendo em conta as novas variáveis.

Não há nenhuma maneira de conceber um produto para o mercado de massa americano e, em seguida, apenas o adaptar para os mercados de massa chineses ou indianos. Os compradores dos países pobres exigem soluções numa curva de preço/desempenho completamente diferente. Eles exigem soluções novas, de alta tecnologia que oferecem custos ultra baixos e qualidade “suficientemente boa”…

Eles devem inovar para resolver os problemas do mundo em desenvolvimento – e, em seguida, trazer as inovações para casa.Vijay Govindarajan

Govindarajan e Chris Trimble vão mais longe quando apontam as três etapas para o planeamento de uma iniciativa de inovação e avaliação do seu progresso em “The Other Side of Innovation”:

-Formalize a experimentação. Os princípios básicos para a aprendizagem de experiências são familiares, mas difíceis de seguir.

-Quebre as hipóteses. Todos, mesmo as iniciativas de inovação mais simples são realmente compostos experimentais. Existem duas ou mais conjecturas incertas.

-Procure a verdade. Inumeráveis pressões nas organizações empurram as pessoas para interpretações dos resultados que são confortáveis e convenientes em vez de analítico e desapaixonado. Essas pressões devem ser entendidas e superadas.

A aprendizagem através da experimentação traz-nos sempre novos conhecimentos e novas ideias. Ter a experimentação como um hábito acelera as escolhas e fundamenta as hipóteses.

E porque colocar hipóteses é a melhor maneira de não ficarmos presos a pressupostos, a abordagem a diferentes contextos, não só alarga o espectro da nossa possível actuação como elimina possíveis incursões erradas no futuro.

Tudo o que é verdade vem ao de cima e as interpretações confortáveis podem empurrar para resultados catastróficos.

Um bom equilíbrio entre a análise e a intuição pode trazer o retorno mais apetecível.

O que pensa disto?