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Focados na cadeia de valor

Em mais um chat no twitter, desta vez no #KaizenBiz, uma intersecção de ideias fez-me refletir sobre o mundo das organizações principalmente quando falamos de empreendedores e de voluntários.

Durante esse chat, cuja temática era o voluntariado surgiu um tweet muito interessante que me proporcionou uma incursão no empreendedorismo:

@LoisMarketing: Outra boa razão para ter o seu próprio negócio – pode-se voluntariar quanto quiser! #kaizenbiz”.

Os empreendedores podem não ter, todos, o mesmo perfil, mas aqueles que são bem-sucedidos manifestam duas características muito peculiares:

– Têm sempre presente um otimismo invulgar face ao que os outros pensam ser possível e que consideram ser um exclusivo seu.

– Têm uma capacidade de ver os problemas ou encontrar espaços em branco no mercado e que os outros não veem.

Os empreendedores de sucesso assumem o voluntariado aplicado ao seu sonho com uma energia fora do comum e que lhes permite aprender com os erros e experimentando de novo quando não dá o resultado desejado à primeira.

Apesar de vivermos num mundo de constrangimentos ligados ao financiamento ou aos infindáveis caminhos da burocracia os voluntários do empreendedorismo encontram uma maneira de simular algumas das condições extremamente dinâmicas de uma economia emergente e fomentar um espírito empresarial capaz de produzir resultados sustentáveis. São os novos empreendedores. São os pensadores design.

“Ao cultivar competências como rapidez, avaliação interessada de situações complexas, e rápida, o teste de protótipos no mundo real, os pensadores design são capazes de conquistar a incerteza e de criar oportunidades concretas dos mandatos de projeto tempo indeterminado…

Competências em design thinking são a base para encontrar padrões ocultos e fazer algo real e acionável emergir de um ambiente incerto.

E isso é uma definição muito boa de empreendedorismo.” – Sarah Stein Greenberg

Ser voluntário a tempo inteiro e com as competências de um pensador design são os ingredientes chave, penso eu, para ultrapassar esta crise que se traduz na falta de inovação e de significado e que só os empreendedores são capazes de levar a bom termo.

E o caminho está de alguma forma orientado:

” Tem de se começar com a observação, porque é a única maneira de iluminar as nuances subtis sobre como as pessoas realmente fazem as coisas (ou não fazem as coisas), e são essas perceções profundas que levam a novas ideias poderosas. A experimentação intelectual é igualmente crítica, porque não há maneira de gerar avanços reais a menos que as pessoas estejam dispostas a explorar uma série de opções de uma maneira divergente. Por fim, a prototipagem rápida e barata é a maneira mais eficiente de mover uma ideia do conceito à realidade. Através do “construir para pensar” em vez de “pensar sobre o que construir”, uma organização pode acelerar drasticamente o seu ritmo de inovação. ” Tim Brown – Change by Design

Algumas nuances que não são segredos, como a prototipagem rápida e barata, e são um bom exemplo de como alavancar ideias promissoras e as transformar em empreendimentos deslumbrantes.

Paul Polack é um empreendedor, inovador e psiquiatra tem uma abordagem notável à resolução de problemas privilegiando o baixo custo e o significado.

Depois de muitas tentativas e erros a organização que Polack fundou, IDE, criou uma bomba a pedal, movida pela força humana, para irrigar campos dos agricultores numa determinada região. O seu custo era extremamente baixo e irrigava meio acre de terra.

Mas irrigar a terra não era suficiente para tornar atividade agrícola capaz de ser sustentável e resolver o problema. Polak sabia que isso não era suficiente.

Para resolver o verdadeiro problema e enquanto empreendedores, os agricultores, precisavam de seguir estas orientações:

“1. Não aceitar subsídios de agências de governo para o desenvolvimento dos seus produtos, optando por vendê-los em valor de mercado justo para os agricultores. A experiência mostrou que subsidiar os custos de produtos e serviços rebaixava os mecanismos de mercado local.

2. Reduzir o custo de seus produtos, simplificando o design e encontrar materiais mais baratos e fornecendo diferentes qualidades por um preço diferente para os consumidores.

3. Recrutar pequenos produtores para construir as bombas.

4. Recrutar concessionários de aldeia para vender as bombas.

5. Treinar bem perfuradores para instalar as bombas.

6. Acesso aberto ao microcrédito.

7. Implementar iniciativas de marketing e promoção.

8. Estabelecer parcelas de demonstração estrategicamente colocadas.”

Estas experiências, sustentadas em design thinking, são um bom plano de reflexão para aqueles que se queiram lançar num novo negócio por necessidade ou depois de perder o emprego.

Como é que podemos encontrar soluções simples e acessíveis para dar aos negócios, suporte técnico, financeiro?

Como é que podemos criar empresários de oportunidades?

A inovação é um adulto que quando era criança se chamava criatividade!

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Integrar modelos

Ontem participei num jantar de um evento chamado “Jornadas de Empreendedorismo Diogo Vasconcelos” que decorreu durante todo o fim-de-semana.

Foi-me pedido que dissesse algumas palavras sobre comportamento das organizações tentando despertar nos jovens universitários alguma curiosidade sobre o papel das pessoas na resolução de problemas dentro das organizações.

Foram uma horas divertidas e muito curiosas as que se passaram nas mesas redondas desse longo jantar. Mas o que me pareceu ontem é que quando procuramos resolver problemas tudo se resume às pessoas:

Que competências, que papéis e qual a forma de nos organizarmos?

As organizações, muito pequenas ou grandes, que pensam em inovação e verificam que dentro das suas paredes não existe capacidade de respostas aos desafios que lhes são colocados, têm de encontrar uma forma de descobrir soluções combinando os pontos relevantes do exterior com os do interior.

Quando pretendemos resolver um problema somos conduzidos pelos nossos hábitos de pensamento e parece não haver nada melhor que ter outras pessoas de várias disciplinas à nossa volta para o fazer.

Mas essa mesa redonda, onde todos lançam ideias e procuram integrar o conhecimento dos outros vai implicar um esforço suplementar de compreensão do problema e das formas de resolução o que faz com que um papel da liderança tenda a desenrolar-se num ambiente de tensão entre a análise e a intuição.

Ontem falava-se de relações inter-geracionais e da necessidade de as compreender e eu questionei alguns dos estudantes sobre as dificuldades que encontravam nesse relacionamento.

Pareceu-me evidente que todo o trabalho de aceitação de colaboração e partilha teria que ser facilitado para que as equipas apareçam naturalmente motivadas. Nessas jornadas havia mentores (outras gerações) e de outras disciplinas que interagiam com elementos dos grupos formados e era importante para mim perceber até que ponto os aspectos analíticos eram dominadores.

Com uma linguagem comum e retirando a dominância do pensamento analítico toda a organização dos grupos onde estive parecia enfrentar os desafios como oportunidades.

Agora imagine uma organização liderado por um pensador integrativo a motivar e a coordenar todas as equipas bem treinadas no equilíbrio dos pensamentos analítico e intuitivo!

Imagine o que pode ser, em vez do que deveria ser ou é!

O que me pareceu importante ontem foi despertar a necessidade de não ficar preso ao passado e procurar um equilíbrio entre aquilo que é provável que aconteça, dentro dos constrangimentos da lei, dos números e do ambiente, e aquilo que nós pensamos que pode ser, isto é, entre o previsível e o desejável.

A criatividade e a motivação saltaram para a mesa e a consciência dos conflitos construtivos emergiu! Ser empreendedor também é reconhecer dificuldades!

É fácil perceber que, uma empresa que não tem por hábito recompensar o que pode ser, sinta nos constrangimentos a adversidade em vez de oportunidade.

Estar constantemente a inovar a maneira de inovar, significa ter uma mentalidade de abertura constante a novas perspectivas e a novos desafios.

Esta abertura tanto se refere a ideias como a protótipos, na fase de desenvolvimento ou na comercialização questões que foram faladas durante o evento.

Mas uma das questões que debatemos numa das mesas foi, como fazer a escolha de modelos que eventualmente nos são apresentados sabendo nós que ele podem determinar a forma como nos organizamos como empresa.

Imaginemos que temos à nossa frente, dois modelos opostos e que eventualmente são úteis para resolver o problema, que temos em mãos.

Temos tomar uma decisão e escolher um entre os dois? Talvez não. Tão pouco vamos passar dias a pensar em novas soluções quando a possibilidade de resolução está tão perto.

A nossa capacidade de criar de forma construtiva, face às tensões de modelos opostos, permite-nos gerar soluções alternativas. Então em vez de escolher um em detrimento do outro geramos um novo modelo que contém elementos de cada um dos modelos disponíveis, mas o resultado final é melhor que cada uma das partes (modelos).

Todos sabemos a que velocidade a informação flui e como ela pode ser actualizada. Tomar decisões implica naturalmente momentos de alta tensão, em muitos casos, mas principalmente para quem quer iniciara um negócio ou procura levar uma ideia nova até aos tão desejados consumidores ou utilizadores.

Deixar as coisas como estão, já não é solução, era a aposto dos cerca de sessenta estudantes universitários que estavam naquele jantar!.

A maior parte das vezes estas escolhas são enigmáticas e provocam um autentico desafio na combinação de incertezas, ambiguidades, complexidade, instabilidade, risco e apelam a aspectos únicos da nossa experiência, seja ela curta ou longa (papel dos mentores e de empreendedores de sucesso que se juntaram no evento).

Mas o maior desafio é quando ao tomar decisões, nos deparamos com as possíveis consequências. Não estamos sozinhos e a nossa atitude implica com outros indivíduos, grupos ou organizações e por isso temos de pensar em como estabelecer as redes de trabalho.

Eu penso que a melhor opção é trabalhar o problema como um todo. Dar atenção à diversidade de factores e compreender a complexidade das relações causais nas conexões das  coisas e das pessoas entre si.

 

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