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As duas vertentes do problema dos idosos

O envelhecimento da população, não acontecendo da mesma forma em todo o mundo, traz desafios sociais e econômicos, que se traduzem numa dependência baseada na idade.

Num post anterior eu escrevi:

“Não basta manter as pessoas sobrevivas é preciso criar bem-estar para esses idosos e para todos os que os cercam, sejam eles os familiares, cuidadores ou simplesmente parceiros de jornada.

Mais do que nunca, num ambiente de poucos recursos financeiros e de pouca disponibilidade humana, devemos orientar o nosso foco e fazê-lo incidir na simplicidade, na usabilidade, na utilidade e entretenimento.”

Quando falamos de pouca disponibilidade humana referimo-nos ao desequilíbrio de atenção, vontade e partilha entre as várias gerações.

Há que procurar manter a estabilidade emocional dos mais idosos que são os “novos consumidores e utilizadores” mas também são os novos fornecedores de serviços, quer diretamente junto da sua família quer nas comunidades onde estão inseridos. Eles são os voluntários de hoje, em serviços, e necessitados de amanhã que precisam da atenção e dedicação inovadora das outras gerações.

Os idosos têm sido, tradicionalmente, um grupo de excluídos na implantação de informações e tecnologias da comunicação. Mesmo apesar do seu uso das TIC estar a aumentar, ainda há um fosso digital etário significativo. Para fortalecer o uso das TIC em pessoas idosas é preciso olhar para seus padrões de uso e perceções.”

Por todo o lado, nas sociedades desenvolvidas, o envelhecimento é uma tendência demográfica. Falamos de pessoas com mais de 65 anos de idade, ou seniores, que normalmente corresponde à idade da reforma.

Mas, nós sabemos que o envelhecimento é um processo que pode ter muitos significados e que vão desde o envelhecimento funcional (capacidades físicas e cognitivas de um indivíduo), ao cognitivo (grupo de idade a que pertence) passando pelo social (tipo de experiências sociais e culturais) e pelo percebido (o que um indivíduo sente).

Situações como a diminuição de capacidade de atividades funcionais, condição de saúde global e problemas comportamentais em algumas pessoas podem ajudar a criar preconceitos em relação aos idosos nomeadamente na utilização das novas tecnologias.

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As pessoas menos novas, não são todas pessoas inativas e precisam de usar as novas tecnologias por duas razões de fundo que são:

– Satisfazer as suas necessidades enquanto destinatários finais e,

– Satisfazer as suas necessidades enquanto prestadores de serviços às gerações mais novas.

As gerações mais novas, imbuídas de espírito competitivo, consideram os mais idosos menos competitivos e mais sedentários, não sendo por isso os destinatários preferenciais da sua atividade inovadora quer em software quer em hardware.

Este preconceito, transversal a qualquer ponto do globo, mesmo nas sociedades que tradicionalmente elegem os anciãos como fonte de saber, tem de ser eliminado pelas gerações mais novas com a ajuda da empatia e de muito foco nas necessidades reais das pessoas.

Por exemplo, compreender o que significa a idade percebida pelos idosos pode ajudar a criar novas tecnologias que satisfaçam de maneira eficaz as suas necessidades. Os idosos que têm perceção da sua idade como sendo mais jovens do que a idade cronológica representa, podem adotar as novas tecnologias mais rapidamente e assim facilitarem a adoção aos restantes.

 As novas tecnologias podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida (ativa) dos idosos, mas para isso é preciso combater duas frentes:

– Combater os preconceitos e estereótipos em relação aos idosos que incluem as imagens ridicularizadoras no uso de tecnologia pelos idosos e que acabam por inibir a sua utilização.

– Combater a tendência para vocacionar as novas tecnologias exclusivamente para a velocidade e quantidade de informação.

As novas tecnologias podem ajudar a tornar a vida dos idosos em vida ativa e de bem-estar, através das redes sociais, grupos de interesses, serviços etc. Desta forma reduzem a sua dependência de terceiros.

A internet pode apoiar e fortalecer as possibilidades dos idosos, para tomar parte na sociedade, comunicar-se com o sistema dos cuidados de saúde e aceder a arenas sociais. As tecnologias, tais como aquelas usadas em soluções de rastreamento e “casas inteligentes” podem aliviar a pressão sobre cuidadores e apoiar seu trabalho de cuidar. A tecnologia administrativa pode ajudar a saúde pessoal em fazer um trabalho mais focado, onde mais tempo pode ser dedicado ao contato direto com pacientes e tarefas relacionadas à saúde.”

Os preconceitos contra as pessoas mais velhas, têm consequências sociais, culturais e económicas, que não ajudam á sua integração na vida ativa e, mais do que isso, as marginalizam.

Aquilo que nós consideramos menos produtividade dos idosos pode ser mais visível em tarefas que envolvam algum tipo de resolução de problemas, velocidade na resolução ou até aprendizagem, mas pode eventualmente ser compensado pela sua experiência e pela sua dedicação.

O futuro passa por desenvolver empatia nas gerações mais novas e por clarificar algumas prioridades no desenvolvimento das novas tecnologias.

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