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Transferir sentimentos.

Esta semana li um tweet de @guidostompff, a quem agradeço o empurrão para pensar e onde se lia o seguinte:

“É de todo possível, um design de “emoções” ou “significado”? Eles servem de base a uma grande parte da teoria de design.”

Embora eu sinta uma vontade enorme de dizer que sim, eu não sei a resposta e por isso vou tentar fazer algumas perguntas, esperando alguma colaboração! Possivelmente essa resposta tardará e ficaremos apenas com um sentir o “como”.

Mas não deverá ser esse o nosso propósito, entregar emoções e significado?

Richard Seymour “definiu” design como sendo o “fazer coisas melhor para as pessoas”, actividade que é focada no comportamento humano e qualidade de vida.

Design poderia ser visto como uma actividade que traduz uma ideia em algo útil, quer se trate de um carro, um edifício, um gráfico, um serviço ou um processo.

“Os cientistas podem inventar tecnologias, os fabricantes podem fazer produtos, os engenheiros podem torná-los função e os comerciantes podem vendê-los, mas só designers podem combinar esses pareceres em todas essas coisas e transformar um conceito em algo que é desejável e viável, comercialmente bem sucedido e que adiciona valor à vida das pessoas.” – Design Council

 

Se os designers ou as pessoas que pensam como designers são capazes de realizar essa combinação, eles fazem-no incorporando não só o conhecimento sobre as coisas mas sobretudo incorporando e transferindo para o resultado as emoções e os significados que os vários elementos interdisciplinares partilham.

Quando observamos as pessoas no seu dia-a-dia, reparamos que essas pessoas sabem muita sobre emoção. Por exemplo quando lhes são dadas fotografias com expressões emocionais ou quando presenciam as expressões num ambiente natural, facilmente reconhecem o significado dessas emoções ou da sua representação.

Por exemplo, a expressão “É impressionante” ou “É fabuloso” pode ser ouvida quando o resultado do trabalho é apresentado.

Será que a emoção vivida nesses momentos foi a emoção desenhada?

Será que foi transferida intencionalmente? Será que isso representa a existência de significado no trabalho?

“É impressionante” é uma espécie de base para uma multiplicidade de receitas, mas que confere a todas elas sabor e autenticidade para além de um aroma inconfundível a sucesso.

É fruto de uma mão cheia de design, ou aquela capacidade de criar alguma coisa que tem significado e utilidade, porque a utilidade é um destino privilegiado da criação.

Quando se aprecia o trabalho na sua totalidade, de forma a estabelecer novas relações, quando se utiliza a metáfora como forma de pensamento e se consegue que o todo seja maior que a soma das partes, estão-se a construir emoções e significados. As equipas interdisciplinares são exímias em alcançar estes objectivos.

Ao ler as emoções, capacidade possibilitada pela empatia, sabemos para onde vão aqueles que são os destinatários do nosso trabalho.

Empatia é saber estar no lugar do outro e isso promove a melhoria de qualquer ambiente, tornando o que fazemos em algo melhor.

Tudo isto tem significado e é inovação!

Inovar significa repensar completamente a maneira como alcançar um objectivo e, em alguns casos, isso pode significar a redefinição do objectivo que perseguimos, passando muitas vezes das nossas emoções para as emoções de outros.

Inovar significa adaptar o ambiente às novas exigências e necessidades dos mais novos aos mais velhos.

Como também significa chegar com uma nova ideia capaz de criar um mundo melhor e permitir criar filhos melhores num mundo em transformação.

Será que isto tem significado?

Inovar significa criar ambientes de educação positivos, aplicando o futuro a um novo contexto.

Há medida que vamos avançando no nosso percurso de vida, vamos pensando em deixar algo, como testemunho da nossa presença, que possa servir para contar depois.

Nessa altura estamos a contar uma história de emoções e significado!

Contar uma história é importante quer, para atribuir significados às coisas que criamos quer, para construir ligações e relatar os passos das viagens criativas.

Será que é possível desenhar o bem-estar? Será que o estar bem tem significado?

Será que vale a pena pensar nisto?