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Organizações, lideranças e compensações

Embora a curiosidade seja uma capacidade inata de muitos seres vivos ela não pode ser considerada um instinto porque este é a disposição inerente de um ser vivo em direção a um comportamento particular e expresso de uma forma fixa.

A curiosidade é comum nos seres humanos e em qualquer idade. Trata-se de uma atividades exploratória que tende a ser partilhada com outras pessoas, dando origem muitas vezes a conversas sem fim.

Essa necessidade enorme de encontrar respostas para dúvidas ou problemas é, muitas vezes a alavanca principal das atividades científicas ou da inovação.

Do “porquê” ao “Eureka” é o trajeto que percorre quem procura respostas ou soluções para problemas. O admirável mundo desconhecido é o que faz o ser humano querer saber mais e mais até dominar uma “matéria”.

Por exemplo, a curiosidade leva-me a perguntar:

Porque é que alguns líderes de empreses abdicam dos seus bónus de compensação e outros criam estratégias para os aumentarem?

Banqueiro português invoca recente baixa médica e crise financeira para declinar o prémio de 2,9 milhões de euros do ano passado.”

“Eles gastam o tempo todo para chegar ao topo e depois descobrem que o topo é um lugar destruidor de almas no mercado de capitais moderno. Então eles fazem isso por alguns anos, ganham dinheiro suficiente para se aposentarem, e dão o fora. Claros, alguns lutam contra a falta de autenticidade, de modo que o problema não é universal. Mas é duro danado para combater as forças dispostas em favor de um jogo fixo e inautêntico.” – Roger Martin

É de facto um percurso enorme, aquele, que os gestores fizeram até chegar ao topo. Mas vejamos! Se voltarmos uns anos atrás com a ajuda da nossa memória, ou se formos bons observadores nos dias de hoje, verificamos que para as crianças, aprender a comunicar entre si é um passo muito significativo no sentido de independência e autossuficiência.

As crianças criam jogos com facilidade e desempenham papéis do futuro com mestria, mas sempre impregnados de ingenuidade.

Muitas crianças com dez anos idade sonham ser o CEO de uma grande empresa e acima de tudo sonham usufruir dos benefícios inerentes ao desempenho dessas funções. Elas não sonham em criar empresas sustentáveis ou empresas reais. Eles sonham em criar um lugar para viver!

Naturalmente que nem todos os que sonham encontrarão esse lugar e muito provavelmente aqueles que hoje sonham encontrarão lugares bem diferentes.

É a diferença entre o que é “real” e o que são as ”expectativas”!

O ” mercado real “, explica Martin, é o mundo em que as fábricas são construídas, os produtos são concebidos e produzidos, produtos e serviços reais são compradas e vendidas, as receitas são ganhos, as despesas são pagas, e os dólares de lucro real de aparecer no linha de fundo. Esse é o mundo que os executivos de controle de, pelo menos até certo ponto.

mercado de expectativas é o mundo em que as ações das empresas são negociadas entre os investidores, em outras palavras, o mercado acionário. Neste mercado, os investidores avaliam as atividades reais do mercado de uma empresa hoje e, com base nessa avaliação, as expectativas quanto à forma como a empresa é provável executar no futuro. A visão de consenso de todos os investidores e potenciais investidores quanto às expectativas de formas desempenho futuro o preço das ações da empresa…

A autoridade moral dos negócios diminui a cada ano que passa, como clientes, funcionários e cidadãos comuns crescer cada vez mais chocado com o comportamento dos negócios e da ganância aparente de seus líderes.”

Mas se por um lado a autoridade dos negócios tem diminuído, por outro lado parece estar a emergir uma nova onda de liderança que começa a experimentar com ousadia, as novas formas de motivar e compensar e diferentes modelos de estabelecimento de metas.

São novos gestores, cheios de curiosidade, que agem e não pedem autorização para inovar, assumindo riscos e procurando tornar-se melhores líderes e dessa forma conseguirem criar melhores empresas.

“Precisamos mudar o foco das empresas de volta para o cliente e longe de valor para o acionista”, diz Martin…Em vez disso, as empresas devem colocar os clientes no centro da empresa e concentrar-se em delicia-los, e ganhar um retorno aceitável para os acionistas. “

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Como vais…?

A curiosidade é um ingrediente importante para o nosso desenvolvimento ou para o desenvolvimento de uma equipa que procura enfrentar a mudança, participando na construção de uma cultura organizacional de inovação.

Quantas vezes já reconhecemos pessoas que são regularmente exploradoras mas não são curiosas intelectualmente, isto é, são pessoas onde uma exploração e observação contemplativa prevalece sem a intenção de agregar e integrar conhecimento.

Por outro lado podemos observar pessoas que buscam incessantemente o significado das coisas, mas dificilmente arriscam a exploração do desconhecido porque a noção risco tem um peso importante nas suas atitudes.

Quando a curiosidade é uma atitude de observação constante permite o registo dos aspectos críticos capazes de alavancar os valores relevantes para a organização.

“Eu acho que a curiosidade é um determinante enorme do sucesso organizacional e individual.  Em última análise, a organização é apenas as pessoas e a capacidade de processar uma grande quantidade de informação que entra, a capacidade de ler muito, a capacidade de trabalhar em rede, a capacidade de ouvir um monte de coisas que não quer ouvir sobre o que não está a fazer muito bem.  Todas essas coisas são extremamente importantes para a capacidade de ser adaptável.

Eu tento empurrar a nossa empresa para o mundo.  É muito fácil para as empresas ficarem introspectivas.  É muito fácil para as empresas estarem convencidas de que as acções no interior são as respostas. Quando você é uma grande empresa, há um monte de acção no interior, mas temos de ser curiosos e ágeis utilizando informações em tempo real.  É por isso que a rigidez é o inimigo real.” – Devin Wenig

Qualquer desafio colocado a um líder é transformado em jogo quando toda a equipa conhece o meio ambiente onde se desenrolam as suas actividades.

A curiosidade traz consigo adversidades e por isso o auto-controle e a resiliência (capacidade de resistência ao choque) são fundamentais para se encarar obstáculos. Os colaboradores de uma organização devem estar preparados para desafios e isso só acontece quando deixamos a introspecção interna e temos um alto nível de motivação como uma alavanca para seguir em frente.

Saber ouvir e comunicar entre si são duas faces da mesma moeda que os colaboradores de uma organização devem usar nas trocas de saber e de experiências. É com uma atitude colaborativa que as ideias se desenvolvem e se materializam ou que a informação é recolhida e integrada. Hoje com a facilidade e disponibilização de ferramentas de comunicação não há lugar ao saber de “gaveta”, que apesar de proporcionar curiosidade não a alimenta. A colaboração enriquece o trabalho a realizar e conduz a resultados surpreendentes.

A capacidade que o meio ambiente tem de moldar as nossas atitudes é, muitas vezes, responsável pela direcção ou foco da nossa curiosidade.

Daí que seja frequente a interrogação:

Estarei a desenvolver a minha curiosidade exploratória ou estarei com sede de conhecimento e consequentemente a desenvolver a minha curiosidade intelectual?