Não há dúvida que… Um postulado ou uma proposição assumida são caminhos para não ter desvios, mas não indicam sempre que estamos no caminho certo. Transformar pressupostos em hipóteses é o caminho da exploração, da criatividade e da inovação e essa deve ser a mentalidade de um líder em inovação. Quase sempre um líder difere [...]
Não há dúvida que…
Um postulado ou uma proposição assumida são caminhos para não ter desvios, mas não indicam sempre que estamos no caminho certo.
Transformar pressupostos em hipóteses é o caminho da exploração, da criatividade e da inovação e essa deve ser a mentalidade de um líder em inovação.
Quase sempre um líder difere de um gestor pelo uso que fazem de pressupostos porque enquanto o primeiro questiona os pressupostos e procuram fazer as coisas certas o gestor de uma forma incremental procura fazer as coisas direito, isto é, seguem as normas e a política da empresa.
Dos muitos os obstáculos à inovação, os que são mais perigosos são os pressupostos porque para além de serem um mau hábito, só por si bloqueador de abertura, ele são muitas vezes insidiosos e invisíveis ou conscientemente ocultados.
Os pressupostos inibem o futuro enquanto puro potencial. O futuro constrói-se com a nossa criatividade.
Frequentemente nós assistimos a esforços de gestores procurando melhor esta ou aquela parte da organização no pressuposto de que assim estarão a melhor a organização como um todo, mas isso pode ser falso, aliás frequentemente cria desequilíbrios. A organização tem ser vista como um todo, isto é, incluindo as conexões entre as partes.
Ackoff diz o seguinte: Isto baseia-se no pressuposto falso que melhorar o desempenho das partes separadamente necessariamente melhora o desempenho do todo, a corporação. Essa é uma premissa falsa. Na verdade, você pode destruir uma corporação, melhorando suas partes individuais…
Tente colocar num Rolls Royce motor de um Hyundai…: Isto requer concepção e desenhos que exigem criatividade.”
As pessoas fazem suposições (pressupõe que) sobre os seus patrões, sobre a empresa, a cultura, a gestão etc., e também fazem suposições sobre as oportunidades ou o sobre os problemas o que afecta muitas vezes a forma como eles olham para soluções.
Para Ackoff a criatividade envolve um processo de três etapas:
- Identificar os pressupostos que nos impedem de ver as alternativas àquelas que vemos no momento. Estas são restrições auto-impostas.
- Negar os pressupostos constrangedores.
- Explorar as consequências das recusas.
Os pressupostos em inovação são um problema e como tal devem ser identificados.
Podem ter vários nomes como mentalidade, pontos cegos ou vacas sagradas mas de facto são um conjunto de premissas e normas ocultas que governam o comportamento dos gestores e que levam muitas vezes à utilização do benchmarking ou de outras receitas guardadas para situações problema, em detrimento da criatividade e da inovação.
O Professor Constantinos Markiders from the London Business School pode dar-nos uma ajuda na compreensão deste “fenómeno”:
“Tenho em mente uma palavra em Inglês que tem quatro letras. Está faltando a primeira letra, mas eu sei que termina com as letras _any. Você pode pensar em uma palavra que se encaixa nessa descrição?
Por favor, dê 20 segundos para chegar a uma antes de ler mais. “
A maioria das pessoas, não tem problemas para encontrá-la, depois de alguns segundos a atravessar o alfabeto eles vêm para cima com a palavra many. Considere agora o problema seguinte.
“Eu tenho mais uma palavra em Inglês que tem quatro letras. Está faltando novamente a primeira letra, mas eu sei que termina com as letras _eny. Você pode pensar agora de uma palavra que se encaixa nessa descrição?
Por favor, tome mais 20 segundos para chegar a uma antes de ler mais. “
Neste segundo problema a maioria das pessoas não conseguem encontrar uma palavra, mesmo quando vão através do alfabeto colocando letra por letra na frente da palavra, e ficam de alguma forma surpresas quando você lhes disser que a palavra é deny. A razão é que eles costumam tentar encontrar uma palavra com o mesmo som da vogal, como em muitos.
Como Markides conclui “se uma palavra é o bastante para influenciar o nosso pensamento de tal maneira, imagine o que vinte ou trinta anos em um determinado negócio pode fazer”
São vinte ou trinta anos de pressupostos ocultos, muitos conscientemente outros submersos inconscientemente e difíceis de identificar à vista desarmada.
São muitas vezes 20 ou 30 anos a construir uma crença que pela sua natureza se torna difícil de negar e impedindo assim a segunda etapa na criatividade como diz Ackoff.
Quando conscientemente utilizados de forma oculta os pressupostos são no entanto uma demonstração clara de falta de colaboração e de incapacidade de liderança.
É um refúgio para evitar a aceitação de responsabilidades em assumir riscos ou enfrentar incertezas.
O que pensa disto?
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