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A minha e a nossa realidade

 

Um maior acesso às pessoas, às imagens de paisagens, à música e às palavras de lugares distantes, ajuda-nos a ser mais criativos, não só porque nos expõe a uma variedade maior de estilos e ideias, mas também porque nos permite pensar mais abstractamente.

Esta nossa capacidade de imaginação não se reflecte só nos pensamentos relaxantes quando sonhamos com uns dias de férias, ela também é usada na resolução de problemas do nosso quotidiano.

E de forma surpreendente ou não ela é ampliada quando resolvemos os problemas dos outros.

“Em quatro estudos envolvendo centenas de estudantes de graduação, Polman e Emich e descobriram que os participantes esboçavam episódios mais originais para uma história a ser escrita por outra pessoa do que para uma história que eles estavam a escrever; esses participantes pensaram em mais ideias ricas e originais para um aluno totalmente desconhecido e alheio a si mesmo, ao contrário de alguém que lhes foi dito compartilharam o mesmo mês de nascimento…”

O que acontecerá dentro de nós nestas circunstâncias?

Será que os outros são o precioso quadro de referência diferente de nós mesmos que permite traduzir perguntas?

O que parece ser possível é que aquilo que pode parecer impossível quando descrito de uma forma pode ser perfeitamente possível quando descrito de maneira diferente. Isto é, a descrição que fazemos para nós próprios não corresponde à descrição do problema quando o contexto é o outro.

Algumas pessoas são muito mais aptas para resolver um problema específico do que outros. Usar a nossa energia e talento para encontrar um significado real parece ser facilitado pela distância em relação ao problema.

Muitas vezes podemos transformar um problema, encontrando uma maneira melhor de fazer a pergunta e estando distante do problema poderá ser mais fácil encontrar essa maneira.

A verdadeira criatividade surge quando somos confrontados com um problema para o qual não temos resposta mas achamos que podemos criar uma solução.

Quanto mais sabemos sobre as diferentes soluções que outros têm encontrado, maior será o número de opções que podemos oferecer.

A distância psicológica afecta o modo como representamos mentalmente as coisas e assim coisas distantes são representadas de forma relativamente abstracta. Nestas circunstâncias o nosso pensamento forma conexões surpreendentes entre as coisas aparentemente não relacionadas com conceitos.

O distanciamento no tempo, isto é, quando projectamos algum acontecimento para o futuro longínquo e se assumirmos que são alternativas improváveis a nossa criatividade também se desenvolve.

Por exemplo, pondo à prova a nossa criatividade imaginemos o futuro daqui a 20 anos, daqui a 3 meses e o dia de amanhã.

Provavelmente o que acontece é que nós resolvemos mais problemas e com mais facilidade da nossa história futura a 20 anos do que resolveremos os problemas de amanhã e mesmo a nossa percepção visual desses eventos parece ser melhor quando as alternativas são improváveis.

Mas não nos podemos esquecer que nós e os outros, desenvolvemos, juntos, um mundo de aproximações comuns que é relativamente independente da nossa própria existência dentro desse mundo.

A realidade colectiva é mais estável do que cada indivíduo que contribui para ela.

Por isso, cada um de nós que quer agir dentro de uma realidade comum deve subordinar-se mais ou menos às suas normas. Os seus movimentos são sujeitos às leis existentes em cada ecossistema.

Mesmo dentro desses constrangimentos, normas e leis, todos as pessoas envolvidas continuam a contribuir para a criação de uma realidade coordenada.

Dessa forma, no nosso dia-a-dia, mais ou menos conscientemente nós encontramos um quadro relativamente estável de criatividade que surgiu de um acordo sobre o que é possível e que exclui tudo além destes limites.

Esta é a música que me chega aos ouvidos. Quais os passos de dança que eu devo pôr em prática?