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Será que o que fazemos, importa?

Quando chego ao princípio de um ano civil costumo pensar em algumas coisas que gostava de concluir, pensar em outras que devo abandonar e ainda noutras que gostaria de construir ou realizar.

De há uns anos para cá, há medida que os meus quatro filhos foram crescendo e experimentando a vida adulta em sociedade as palavras significado e propósito foram surgindo em mim com mais frequência e com um valor e sentido muito peculiar. Essas coisas que antes eram fugazes foram substituídas pela necessidade de participação em experiências gratificantes que tragam memórias duradouras e reconfortantes e que podem ir de um restauro de uma cadeira à criação de uma proteção solar para o jardim com dispositivo de acompanhamento automático da rota do Sol.

Mas este ano, uma “artéria anterior” que irriga o meu coração resolveu em vésperas de Natal brincar comigo e não forneceu por pequenos períodos de tempo a quantidade de sangue necessária a um pulsar ritmado e sem dor a esse maravilhoso órgão que é o nosso coração

Este episódio que me fez passar uns dias na Unidade de cuidados intensivos deixou-me espaço para reflexão (telemóveis e portáteis proibidos) sobre o significado das coisas.

Eu tinha passado o ano de 2011 a falar de criatividade, inovação, design thinking, comportamento e organizações e a preparar projetos para 2012 e esta novidade na artéria parecia querer pôr alguma coisa em causa.

Devo confessar que neste momento nada praticamente mudou em relação ao que eu fazia antes, a não ser, e bem, o facto de não ter fumado mais.

Eu já antes tinha escrito sobre a necessidade de inovar o significado das coisas e fazê-lo em escala para mudar comportamentos de amanhã. Isto não quer dizer que vamos colocar os inovadores numa vitrina de troféus e olhar para eles como os grandes fazedores de riqueza rápida.

O que de facto esses dias de cuidados médicos me permitiram, foi avaliar a importância (valor) que pequenos gestos repetidos diariamente tinham no conforto e alegria a tanta gente.

“Nós precisamos de entender quem cria valor, e incentivar aqueles que podem replicar esse comportamento. Precisamos parar de direcionar as pessoas para as organizações em fase inicial, se os seus talentos poderiam ser melhor aproveitados em outras modas. E se o mundo em arranque é o lugar certo para um inovador, é preciso orientá-los para construir organizações duradouras; organização que existirá o tempo suficiente para permitir a mudança de paradigmas que geram valor significativo na sociedade.” – The Disruptive MBA

Hoje temos um maior acesso às pessoas, a imagens de lugares surpreendentes, à música e às palavras de lugares distantes, e tudo isso nos ajuda a sermos mais criativos, não só porque nos expõe a uma variedade maior de estilos e ideias, mas também porque nos permite imaginar e verificar os valores que dão significado a tantas coisas que importam.

Esta nossa capacidade de imaginação não se reflete só nos pensamentos relaxantes, ela também é usada na resolução de problemas do nosso quotidiano e do quotidiano dos outros.

“O que é importante é que o que está a fazer importa – para si mesmo, para as pessoas que ama, e para algo maior, seja a sua comunidade, aa sociedade, ou mesmo a humanidade. Escolha realização e paixão sobre “dinheiro” e “sucesso”. Este último segue o primeiro – e sem o primeiro, o segundo está vazio. Quando você está seguindo através das suas paixões, considere que você tem potencial para ser não apenas medíocre, mas campeã mundial, nisso. E à medida que refina as suas escolhas, considere as que vão ser mais importantes no sentido do maior bem para o maior número – talvez por mais tempo. Porque uma realização de um mundo em mudança que bate a bola para fora do parque é suscetível de lhe dar mais satisfação do que uma vida inteira de jeans com design.” – Umair Haque

Muitas vezes podemos transformar um problema, encontrando uma maneira melhor de fazer a pergunta e estando distante do problema poderá ser mais fácil encontrar essa maneira.

A verdadeira importância da criatividade surge quando somos confrontados com um problema para o qual não temos resposta mas achamos que podemos criar uma solução.

 

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Do falhanço à inovação aberta

 

É um desafio o que Clay Maxwell (@bizinovationist no twitter) sugeriu! Comentar “Today’s Innovation Can Rise from Yesterday’s Failure”.

Este artigo de Vijay Govindarajan em co-autoria com Jay F. Terwilliger e Mark H. Sebell vem na sequência de um outro já mencionado aqui onde se pode ler que “Muitas vezes quando experimentamos as nossas ideias temos tendência a olhar exclusivamente para os resultados e não consideramos a aprendizagem que podemos fazer dos sucessos e dos insucessos.”

O que os autores referidos sugerem é apesar de muitos esforços feitos em inovação terem falhado as oportunidades não se extinguiram com o tempo. Pelo contrário a mudança a que estamos sujeitos transporta também novas oportunidades de mercado, novas vontades e novas competências.

Falhar não significado deitar fora todo o investimento realizado! Falhar pode significar parar no momento certo!

O momento certo para reflectir nos novos modelos de negócio, para reorganizar a empresa, para reavaliar os investimentos realizados e transformá-los em plataforma de lançamento de inovação inserida num novo contexto e com recursos disponíveis mais significativos e menos dispendiosos.

O que antes não era viável hoje pode ser, e as ideias ou conceitos podem ser ajustadas às novas realidades.

Para aprender com as falhas é necessário compreendê-las e os autores no artigo referido em cima apontam um modelo para rever as falhas do passado e delas retirar a estratégia de inovação a implementar.

“Compreender essa estrutura fornece às empresas uma oportunidade para rever as falhas do passado, compará-los às realidades de hoje, e mais rapidamente e eficientemente alavancar os conceitos que “falharam” no passado.” HBR

 

 

É na intersecção da vontade corporativa, das oportunidades de mercado e das competências que emerge a nova estratégia de inovação que pode passar por um enquadramento em novas circunstâncias.

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades. Os conceitos que falharam no passado não são inúteis.

Henry Chesbrough diz : “com a inovação aberta , podemos criar uma nova divisão do trabalho de inovação, que pode apoiar o investimento em inovação no futuro. Se eles abrirem os seus processos de inovação para utilizar o trabalho dos outros, por um lado, e compartilhar seu próprio trabalho com os outros, por outro lado, a inovação pode prosperar, uma vez mais. Se eles são capazes de o fazer, mais ideias estarão disponíveis para eles, para consideração, e muitos mais caminhos para ideias internas não utilizadas vão surgir para desbloquear o seu potencial económico latente à medida que vão ao mercado.”

As empresas têm agora novos espaços para alianças com o exterior que podem permitir conquistar novos mercados ou mercados que eram inatingíveis até então o que pode significar novos modelos de negócio, isto é, um modelo de negócio aberto para a criação de valor e para a captura de valor no âmbito das alianças estabelecidas.

As estratégias de criação de valor geram benefícios que são compartilhados pelos parceiros de aliança, enquanto as estratégias de captura de valor determinam como esses benefícios colectivos são divididos entre os parceiros.

Para Henry Chesbrough “um modelo de negócio executa duas importantes funções: ele cria valor, e capta uma parte desse valor. Ele cria valor através da definição de uma série de actividades a partir de matérias-primas até o consumidor final que irá produzir um novo produto ou serviço com valor a ser adicionado ao longo das várias actividades. O modelo de negócio de captura valor através do estabelecimento de um recurso único, activo, ou posição dentro desse conjunto de actividades, onde a empresa goza de uma vantagem competitiva.”

Os caminhos emergentes que a inovação aberta proporciona quando encarados com a vontade renovada dos dirigentes das empresas podem traduzir-se na revitalização das “velhas ideias ou conceitos” e na consequente rentabilização do trabalho já realizado.

Mas isto, na minha opinião, só será possível se de facto essa vontade representar uma nova postura por parte dos gestores das empresas:

– Predisposição para compreender as condições em que os erros ocorreram. Aceitar os erros como alavancas para inovar.

– Adaptação das paixões às novas realidades. O ambiente dos sonhos pode evoluir.

– Criação de novas competências face ao desenvolvimento de mercados e de novas tecnologias. A mudança traz quase sempre resistências.

Nas empresas pode haver dois tipos de portfolios que importam para aqui e agora, o do falhanço e o das alianças. Ter consciência (conhecimento e compreensão) de quais foram as iniciativas que falharam e ter conhecimento das possíveis alianças pode resultar em criação e captura de valor.

Combinar portfolio de falhanço com portfolio de alianças ou parcerias pode ser um novo caminho para agarrar novas oportunidades.

“A única maior razão para que as companhias falhem é que eles sobre investem no que é, como oposto ao que poderia ser.” Gary Hamel