Currently viewing the tag: "Confiança e validação"

O medo ou a falta de confiança

Em vários projetos onde tenho participado como membro de equipa ou como facilitador, noto que as pessoas, quando lhes é pedido para validarem as suas hipóteses de solução, junto das comunidades onde estão a trabalhar (vida real e não online), inventam uma série de desculpas para, não se confrontarem cara-a-cara, (munidos com os seus protótipos), com os potenciais utilizadores.

Isto acontece numa altura em que o crescimento económico e o renascimento (depois da crise) das cidades contemporâneas, depende fundamentalmente das atividades criativas da sua população.

O ambiente que se vive está em constante mudança, com altos níveis de incerteza e onde o conhecimento tácito se sobrepõe ao conhecimento explícito e nos empurra para interações constantes.

Quando procuramos ser criativos e partilhar as nossas ideias, isto é, quando queremos que a nossa ideia nova seja uma solução para os problemas de alguém, temos de interagir (também na vida real) com o meio ambiente onde nos queremos inserir.

Estudos em diferentes indústrias culturais têm mostrado que a comunicação face a face executa várias funções. Primeiro, os trabalhadores culturais, gastam tempo, dinheiro e energia em interação cara-a-cara porque eles precisam construir relacionamentos que conduzam à confiança e renovação mútua, e confirmar essa confiança ao longo do tempo. As relações de confiança são necessárias devido à natureza do conhecimento envolvido no seu trabalho, que implica habilidade individual, sensibilidade, gosto e estilo de vida que pode ser comunicado e transferido somente através de um relacionamento pessoal com base na confiança mútua. A confiança, então, facilita a partilha de bens culturais diferentes e habilidades necessárias para projetos coletivos.”

white_face_masks

Voltando ao receio que nós temos de, cara-a-cara, enfrentarmos os avaliadores dos pressupostos embutidos nos nossos protótipos, podemos pensar que o que está em causa nessas alturas são dois tipos de diferentes de confiança.

Por um lado, eu crio resistência porque a confiança que eu tenho nas minhas capacidades para elaborar uma solução é muito baixa e, por outro lado, ainda não existe uma confiança mútua com a população “alvo” a abordar que me permita receber o feedback negativo que eventualmente possa surgir.

A confiança é fundamental não só nos momentos de cocriação com os membros das equipas onde estamos inseridos mas também com os futuros consumidores e utilizadores que participação nesses atos criativos.

Em qualquer destes momentos é fundamental que um clima de colaboração seja uma constante e por isso a confiança é um pré-requisito para o sucesso.

A interação que procuramos, pode ser para confeccionar um doce nunca experimentado ou pelo menos desconhecido ou para resolver um problema grave de alojamento a um grupo de pessoas vítimas de uma tempestade.

Se de facto estamos empenhados no sucesso das nossas realizações, podemos verificar que esse sucesso é em parte derivado de relacionamentos com outras pessoas, através dos quais temos acesso a conhecimentos e capacidades para além de nós mesmos, isto é, para além dos nossos pressupostos.

A resistência que muitas equipas, ou membros dessas equipas, mostram quando precisam de ir para o terreno e encarar a realidade sob a perspetiva das necessidades reais e dos quereres dos utilizadores finais é um medo fundado na falta de confiança que pode arrastar graves consequências.

Não testar ou validar os nossos pressupostos ou hipóteses nos ambientes reais e não procurar um feedback verdadeiro e claro leva-nos à construção de falsas propostas e ao despesismo na procura de soluções autênticas.

Não podemos esquecer-nos que nós construímos protótipos para aprender e não para testar um produto supostamente acabado. São os “clientes” quem mais têm para nos ensinar por isso construir confiança é o caminho certo para uma aprendizagem segura e uma proposta de solução com menos risco.

Quer comentar?

Tagged with: