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A interacção e a descoberta de conexões

Quando procuramos ser criativos e inovar, isto é quando queremos acrescentar valor à nossa nova ideia temos de interagir com o mundo que nos rodeia.

A interacção que procuramos, pode ser para iniciar um processo de pesquisa, para clarificar conceitos ou refinar protótipos. Isto pode ser feito em casa no jardim ou na cozinha ou no local de trabalho seja ele uma empresa de software ou uma companhia de seguros.

O que acontece nestas alturas é que se de facto estamos empenhados no sucesso dessas realizações, verificamos que isso, é parcialmente derivado de relacionamentos com outras pessoas, através dos quais temos acesso a conhecimentos e capacidades para além de nós mesmos.

Muitas vezes algumas das nossas ideias parecem ser de uma complexidade que não abrangemos por insuficiência de recursos e competências mas eles podemos ser transcendidos através de uma rede. Por outras palavras, não é importante apenas o que sabemos, mas é também quem conhecemos.

Há algum tempo atrás assisti em Talk 2.0 à apresentação da “aventura” de um jovem Português, em Londres a propósito do sucesso de uma produção musical. Foi referido que há duas coisas importantes:  

– O sucesso depende da equipa, e não de indivíduos, e passa por redes de colaboração, para produzir inovação de sucesso.

– É da intersecção em colaboração que nasce o novo conhecimento.

Esse novo conhecimento ocorre quando uma associação casual, no decorrer, por exemplo, de um trabalho de pesquisa, resulta num atalho dentro do conjunto de representações que possuímos na altura. Isso faz com que surja a luz necessária para compreendermos uma série de conexões que até então podiam não fazer sentido. É como se encontrasse a direcção certa a meio de um percurso, é o corta caminho.

A nossa capacidade de raciocínio, num mundo em constante mudança, provoca tantos resultados e tão divergentes que o mundo da criatividade parece ilimitado.

Eu penso que a experiencia nos mostra que a criatividade, muitas vezes acontece, quando ideias diferentes, estímulos e materiais são colocados juntos através de novas combinações. É um dos aspectos positivos a reter com a experimentação e mesmo o falhar quando convertido em aprendizagem é benéfico.

Por exemplo, quando nós experimentamos uma intersecção de campos ou disciplinas ou até mesmo culturas, é-nos possível combinar os conceitos existentes e criar inúmeras ideias novas de elevado valor.

Esta preocupação com a intersecção de ideias não é uma preocupação de agora. Ao atrair pessoas talentosas de várias disciplinas e culturas diferentes, os Medici provocaram o encontro entre artistas e “cientistas”, de que resultou a troca ideias, e a descoberta de intersecções que permitiram saltos gigantescos em criatividade e inovação.

Por outras palavras, o que permitiu procurar e encontrar as conexões entre as diferentes disciplinas e culturas, levou a uma explosão de ideias excepcionais.

Para encontrar a intersecção entre ideias aparentemente sem relação, é necessário adquirir o hábito da observação. Temos de estar constantemente à procura para encontrar conexões.

“Em vez de pensamentos de coisas concretas seguindo pacientemente um ao outro numa trilha batida da sugestão habitual, nós temos os mais abruptos atalhos e transições de uma ideia para outra, as abstracções mais rarefeitas e discriminações, a mais inédita combinação de elementos, as mais subtis associações de analogia; numa palavra, parecemos de repente introduzidos num caldeirão fervente de ideias, onde tudo está a assobiar e borbulhar num estado de actividade desconcertante, onde as parcerias podem ser unidos ou soltos num instante, a esteira da rotina é desconhecida, e o inesperado parece apenas a lei ” – William James

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Porque é que as conexões através de várias opções interessam?

 

Na nossa vida encaramos problemas de múltiplas dimensões que requerem soluções de níveis diferenciados. Nem tudo à nossa volta precisa de metodologias interdisciplinares ou soluções muito elaboradas.

Mas a experiência humana não pode ser pensada e compreendida exclusivamente através de uma disciplina ou reduzida a uma perspectiva.

Acontece que não aprendemos nada com alguém que vê os problemas exactamente da mesma maneira que nós os vemos e frequentemente em casa ou nas organizações deparamo-nos com problemas cuja solução requer a participação de várias disciplinas.

O nosso comportamento está sujeito a múltiplos níveis de influência e consequentemente a uma variedade de perspectivas e a forma como construímos o nosso mapa cognitivo vai influenciar a nossa capacidade de resolver problemas, criar valor ou construir uma visão.

O nosso mundo de soluções e criação de valor não se restringe a métricas verificáveis, pelo contrário ele estende-se até ao infinito, até ao mundo das possibilidades onde se devem incluir as soluções resultantes de combinações, conexões e contribuições.

É um mundo onde há lugar a sentimentos diferentes sobre as coisas e que dá lugar a paixões.

Eu sou o quadro de referência para tudo que acontece na minha vida e portanto sou eu que construo o meu futuro através das opções que crio num ambiente de complexidade.

 

Mas se a minha actuação, de uma forma geral, se resume a escolher o que me é proposto eu não estou a construir o meu futuro, estou a aceitar exclusivamente as escolhas de outros.

É importante que eu identifique o contexto em que estou inserido, estabelecer conexões e desenvolva colaboração para criar valor de forma sustentável.

O mundo em que vivemos é um mundo complexo onde muitas das soluções que nos são apresentadas não são construídas com base nas nossas necessidades e por isso precisamos de criar competências de adaptação.

“Como indivíduos, relacionamo-nos com os nossos complexos, incertos e nebulosos mundos não só através dos nossos sentidos, mas também através de formas de compreender o que os nossos sentidos significam. Estas ‘ maneiras de ver ‘ podem ser pensadas como ‘modelos mentais’, e as nossas mentes são preenchidas com eles, se estamos conscientes dele ou não. No actual ambiente complexo, os pensadores mais bem sucedidos podem rapidamente e eficazmente abstrair as melhores qualidades de diferentes maneiras radicais de ver dos outros e aplicá-los sobre a situação actual. Ao fazer isso, esses pensadores desenvolver uma lente’ adaptável’ sobre o fenómeno desconcertante a que chamamos o mundo. – Mihnea Moldoveanu and Roger Martin

As inúmeras possibilidades de soluções desenvolvem-se num ambiente de interdisciplinaridade.

Explorar a arte das possibilidades passa por atingir a máxima abrangência e profundidade de conhecimento e competências.

Quanto mais diversificadas forem as nossas conexões mais abrangente será o nosso campo de exploração o que faz com que a nossa capacidade de explicar muito com pouco bem como a nossa capacidade para ver e observar aumente significativamente.

Ao realçar as conexões entre as várias disciplinas podemos explorar formas criativas de valor e significado e partilhar a nossa visão do mundo.

Uma visão é uma estrutura poderosa para empreendermos as nossas operações em qualquer ecossistema com destino ao universo das possibilidades.

Si Alhir ( @SAlhir ) no seu blog enquadra muito bem o conceito e a visão de Umair Haque

“Um capitalismo onde empresas, países e economias chegam a um vértice superior da vantagem — um, onde o maior propósito desperta o inexplorado potencial humano de todos os funcionários, clientes e futuros clientes, em vez de o tornarem fútil.

Um, onde a mais intensa paixão faz a inovação tão natural como respirar, fazendo combustão espontânea na centelha de criatividade em vez de esmorecer a sua chama com denominadores comuns de menor.

Um, onde o significado mais profundo substitui interruptor monótono de repetição com um desafio e atraente trabalho que eleva a alma.

Onde a mais autêntica energia flui de princípios comuns em vez de (bocejo) doce cenouras e paus.

Onde maior desenvoltura significa não ser conquistador do mundo natural, mas seu campeão.

Onde valor de qualidade superior é criada, fazendo coisas de maior valor. E, finalmente, onde empresas competirem não apenas para mudar as regras, mas para mudar o mundo.”

Criar coisas de mais valor através do estabelecimento de conexões, compreendendo profundamente as necessidades das pessoas implicam também uma nova forma de pensar. Implica pensar sobre aquilo que pensamos para podermos  criar um conjunto de competências que nos permita abraçar também a complexidade sem ficarmos dependentes da exploração “selvagem” de quem fornece.

“O que é necessário é um novo conjunto de habilidades e um novo desenvolvimento de programa para os nutrir. Especificamente, é necessário desenvolver maneiras de construção melhores ‘pensadores num só pé’, que só podemos fazer por articular com precisão os tipos de pensamento necessária para problemas de negócios. Essas habilidades são variadas, mas elas assentam numa capacidade de pensar sobre o pensar enquanto pensamento. Ou seja, pensar sobre o que você está pensando sobre – sobre a complexidade do problema que você está tentando resolver, enquanto ao mesmo tempo, pensando através de vários soluções para o problema.” MM e RM

Da observação das conexões em determinado contexto podemos observar que informação é relevante, decidir onde é importante reduzir ou cortar, compreender as relações causais das conexões, e fazer as escolhas finais.

O mundo não é feito só de coisas complexas, mas elas existem!

O que pensa disto?