Currently viewing the tag: "Conectividade"

Sem pontos de contacto não há valor criado

Quando penso em criatividade, eu penso em conectividade e imagino um universo complexo de relações e conexões, cheio de atributos e de surpresas.

Estar conectado significa que eu não estou indiferente ao que se passa no mundo á minha volta.

Imagine uma rede de trabalho numa organização onde cada um de nós representa um ponto de ligação a outras pessoas. A velocidade, frequência e a intensidade com que essas conexões se realizam é a conectividade.

Dito desta forma parece ser fácil imaginar que quanto maior for a conectividade, maior rapidez e volume de troca de ideias se realizam e mais a criatividade emerge.

Isto é, a criatividade emerge como uma confluência de vários fatores, sejam eles a nossa capacidade intelectual, o conhecimento, o nosso estilo de pensamento, a nossa personalidade, a motivação ou o contexto.

Por exemplo as pessoas que são mais propensas a pensar de forma divergente são mais criativas e, exibem níveis mais altos de complexidade cognitiva apresentando também uma maior flexibilidade na abordagem aos problemas.

Parece ser verdade que as pessoas criativas são boas ao lidar com situações não estruturadas e ambíguas. O que acha?

Isto poderia significar que uma pessoa criativa possui algumas características mais salientes, como a tolerância para a ambiguidade, autoconfiança (na sua atividade criativa), independência e autonomia na tomada de decisão (podendo não deixar de ser colaborativa), persistência e autodisciplina, uma narrativa muito peculiar e que acredita na sua atividade.

Mais um cenário! Imaginemos uma troca de experiências numa equipa interdisciplinar, em que os participantes constroem um mapa através do qual, um qualquer utilizador pode construir novas representações estruturadas de conceitos e dos relacionamentos entre eles!

Esse mapa pode ser usado para formalizar, organizar e representar conceitos e até outros mapas das várias disciplinas, facilitando assim a partilha de informação e de conhecimento, e dando lugar à criação de conhecimento novo.

Nestas circunstâncias podemos “adivinhar” que a ambiguidade surge naturalmente como uma consequência da ausência de uma linguagem comum entre as disciplinas, mas que é rapidamente desvanecida com uma metodologia colaborativa e crença no sucesso.

Isto é uma forma libertadora de conhecimento e simultaneamente uma alavanca para criatividade.

Nós podemos observar com alguma facilidade que por um lado, é comum haver conhecimento de fronteira entre as várias disciplinas e esse conhecimento é facilmente integrado e por outro lado o conhecimento que não reside nas fronteiras favorece a curiosidade e a investigação proporcionando maior riqueza entre as várias disciplinas.

Assim, na medida em que os resultados baseados em diferentes perspetivas teóricas e metodológicas se complementem uns aos outros, adquirimos um todo muito maior que a soma das partes, pois pode haver lugar a validações que antes não eram imaginadas.

Hoje o mundo é de conectividade, de relações, mesmo que virtuais, onde o conhecimento é uma moeda forte nas trocas entre os indivíduos e grupos que promovem a criatividade através de conexões.

O papel das pessoas criativas é ligar as coisas que aparentemente não se relacionam. Com um mundo cada vez mais ligado através da Web a quantidade de pontas soltas na informação, aumenta todos os dias, e as oportunidades de geração de ideias acompanham esse crescimento.

O contexto onde as pessoas se inserem, é naturalmente um fator que importa considerar, quando falamos de riqueza de ideias, quer pela sua quantidade quer pela sua “qualidade”, isto é abrangência, complexidade e eficácia de resolução de problemas ou satisfação de necessidades.

É relativamente a este aspeto, necessidades de pessoas, que se levanta a questão de uma outra necessidade, a da empatia.

Será que, para que uma ideia seja válida, ou realmente com valor, ela precisa de se encaixar numa necessidade existente, mesmo que oculta?

Será que para isso é necessário ter uma atitude empática com as pessoas para solucionar os problemas?

Não tenho dúvida que só a compreensão profundo dos problemas permite que haja geração de ideias capazes de satisfazer reais necessidades dos consumidores/utilizadores, mas há necessidades ocultas, portanto não satisfeitas, que só serão satisfeitas se existir um ambiente de conectividade amplo no processo criativo.

A conectividade, não são apenas os atributos físicos e técnicos de quem, onde e como, se conecta com alguém. Existe um vazio que deve ser preenchido com foco na qualidade das comunicações e onde a empatia deve ocupar lugar de destaque.

“Quando você pergunta a pessoas criativas como é que elas fizeram alguma coisa, elas podem sentir-se um pouco culpadas porque elas realmente não o fizeram, elas só viram algo. Parecia óbvio para elas depois de algum tempo. Isso é porque elas foram capazes de conectar experiências que tiveram e sintetizar coisas novas. E a razão por que elas foram capazes de fazer isso foi que elas tiveram mais experiências ou pensaram mais sobre suas experiências do que outras pessoas. Infelizmente, isso é um bem muito escasso. Um monte de gente na nossa indústria não teve experiências muito diversas. Eles não têm bastantes pontos para se conectar, e elas acabam com soluções muito lineares, sem uma ampla perspetiva sobre o problema. Quanto mais ampla a nossa compreensão da experiência humana, mais design, nós teremos.” – Steve Jobs

Quer comentar?

Tagged with:
 

Conectividade

A inovação, não segue trajectos lineares e a última década foi bem disso o exemplo.

Gary Hamel dizia em 2006 que, o “maior desafio parece ser realmente gerar ideias originais.”

Para gerar essas ideias, capazes de alterar significativamente a posição das organizações no mercado, existem quatro componentes que podem ajudar:

  1. Um grande problema que exige uma nova visão.
  2. Os princípios criativos, ou paradigmas que podem revelar novas abordagens
  3. Uma avaliação das convenções que restringem o pensamento novo.
  4. Exemplos e analogias que ajudam, a redefinir, o que pode ser feito.

Mas os processos de gestão que existem nas organizações ampliam e distorcem os grandes problemas que aguardam resolução.

Para os identificar, é necessário colocar uma série de perguntas para cada um:

  1. Quem é dono do processo?
  2. Quais são seus objectivos?
  3. Quais são as métricas de sucesso?
  4. Quais são os critérios de decisão?
  5. Como é que as decisões são comunicadas, e a quem?

(adaptado Gary Hamel – HBR)

De facto, o que as organizações precisam, para sobreviver hoje, é a informação transformada em conhecimento e que pode apontar para a inovação em produtos, serviços, processos ou modelos de negócios.

Para conseguir integrar esse conhecimento é preciso ligar e desligar, agregar e desagregar toda a informação recolhida. Feito isso chega-se a novas formas.

Este processo de integração do conhecimento só se faz com pessoas:

  1. – Aquelas que trabalham dentro da organização,
  2. – As do exterior, com quem se estabelecem parcerias, mas formais,
  3. – Aquelas do exterior, com quem informalmente estabelece relações de aprendizagem.
  4. – Aquelas a quem a organização visa satisfazer, com produtos ou serviços.

Como dizia G. Hamel “um grande problema exige uma visão” e essa visão tem origem em matérias-primas de informações e conhecimentos, que dão como resultado a inovação.

A missão é ligar e gerir as pessoas, no interior e no exterior, de modo que a inovação possa surgir e seja colocada ao serviço dos consumidores. Mas se a organização não tem preparada a sua estrutura a nível tecnológico, nunca conseguirá estabelecer essas relações entre pessoas, no interior e para o exterior. Não haverá portanto conectividade.

Esta falta de conectividade está ainda, infelizmente, presente em muitas organizações, porque não adoptaram perspectivas de gestão que permitam alinhar os negócios e a tecnologia.

A velocidade de desenvolvimento e a relativa tenra idade das novas tecnologias podem servir de desculpa, a alguma inactividade por parte dessas organizações. Contudo, mesmo existindo falta de confiança as TI, as empresas, se pretendem inovar, têm de desmultiplicar informação e conectar-se com o exterior. Só assim haverá sucesso.

As novas tecnologias deixaram de ser ferramentas para passarem a ser elementos estratégicos de negócio. Isto é, a melhor gestão da empresa, passa obrigatoriamente pela gestão da tecnologia como um todo integrado. É a conectividade.

Uma nova aprendizagem tem de ser feita e de forma consciente, a gestão de pessoas e das novas tecnologias. A Inovação precisa delas.

Conecte-se!