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À procura de novos caminhos

Ontem participei em mais um grande #innochat moderado por @DrewCM sobre o tema “Innovation’s Unintended Consequences” que pode ler aqui e que fez pensar porque este assunto é tão pouco debatido.

Drew começa o seu texto com:

“O poder da inovação é a capacidade de introduzir mudanças nos sistemas estáveis. Às vezes, essa mudança será fundamental e profunda. Quando nós trabalhamos para desenvolver e implementar as nossas inovações como nos preparamos para isso e para gerir fundamentais e profundas consequências não intencionais?”

Há algumas razões que são apontadas para não haver um debate mais amplo sobre este assunto!

São questões de investigação porque a investigação em em consequências não intencionais e indesejáveis é muito difícil, muito complexa e não há métodos confiáveis.

São questões políticas e eventualmente afectivas porque o debate pode incluir grupos de interesses dos promotores das inovações.

Eu penso que há sempre consequências involuntárias nas nossas acções.

Por vezes elas são benéficas e achamos que é somos pessoas sortudas outras vezes as consequências não passam de um pequeno aborrecimento. Por exemplo: Fornecer mosquiteiros para proteger as crianças e verificar que eles são usados como redes de pesca.

No entanto muitas vezes as consequências são maiores do que o problema que estamos a tentar resolver.

Outro exemplo: A introdução simples de lei que proíbe o emprego de jovens em fábricas têxteis nos países em desenvolvimento pode arrastá-las para a prostituição.

São apenas dois exemplos que não reflectem de facto a maior parte dos casos onde surgem consequências não intencionais mas que nos questionam sobre a forma de evitar essas consequências.

A grande imagem que surge actualmente sobre consequências não intencionais retrata toda a inovação à volta das tecnologias e segue percursos semelhantes.

As consequências da inovação intencionais tendem a ser concentradas:

– Desejadas e preferidas.

– Conduzem à adaptação.

– Improváveis mas possíveis.

Já as consequências não intencionais de inovação geralmente envolvem três resultados inesperados potenciais: Desejável, aceitável e indesejável. (adaptado de The Unintended Consequences of Technological Innovation)

 

“A tecnologia muitas vezes tem um impacto na nossa vida diária de maneiras que eram inesperadas pelos criadores da tecnologia. Um exemplo ocorre no campo da biotecnologia, onde o desenvolvimento de novos testes genéticos para a doença agora é combinada com uma crescente preocupação na forma como o indivíduo  lida com essa informação, como eles gerem oseu risco para determinada doença dados os resultados de teste, e que tipos de acções defensivas indivíduos tomam. Os exemplos menos dramáticos ocorrem com artefactos comuns, de torradeiras para teclados de computador, software para jogos e vídeo, para automóveis e seus componentes, mesmo em espaços, como casas e centros comerciais.

Como pode o design de artefactos incorporar uma perspectiva mais ampla do que a mera funcionalidade do artefacto que tentou abordar inicialmente?

Como podem as preocupações sobre o uso imprevisto ou consequências não intencionais da tecnologia ser incorporada directamente no pensamento do design original?

Como podemos projectar produtos que não são apenas centrados na necessidade, mas também focalizados na utilização, tendo em conta a forma como eles podem nos afectar ou mudar-nos individual e colectivamente? – Design Science

Os problemas ocorrem frequentemente quando aqueles que acreditam na tecnologia como um fim ignoram as normas sociais e culturais da sociedade em que a tecnologia está a ser introduzida.

“Uma pesquisa de fontes on-line usando um motor de busca Google revelou milhares de manchetes e artigos de notícias sobre Bluetooth, privacidade e mudança social, tais como:

• Países Árabes proíbem câmaras em telefones celulares.

• U.S. Secretário de defesa proíbe telefones com câmara no Iraque

• Japão proíbe celulares em banhos públicos

• Coreia do Sul exige “clicando em som e brilhantes luzes vermelhas” em todos os telefones celulares de câmara

• Juiz proíbe o uso de telefones celulares para captar imagens em tribunais, excepto nas áreas de média designados.

• Professores proíbem celulares de salas de exame

• Detenções para homens que sub-repticiamente usam um telefone com câmara para fotografar até saias (Japan Times)

Não seria razoável estar a inovar um produto ou um serviço adequado a cada tipo de cultura ou ambiente específico, mas é possível prever que situações como as referidas acima aconteçam.

Então como podemos evitar consequências indesejáveis?

Eu penso que um processo de inovação depende fundamentalmente de interacções, como forma de obtenção de novos conhecimentos e de abstracções como forma de estabelecimento de padrões. Parece fundamental a existência de equipas interdisciplinares para estabelecer uma perspectiva abrangente das consequências da utilização de um produto ou serviço inovador.

Por isso o pensamento design encaixa no processo de inovação e vai mais longe desafiando o status quo porque os pensadores design podem resolver os problemas mais delicados através do pensamento integrativo em colaboração, usando a lógica de abdução, isto é, a lógica do que pode ser e não o que deve ser ou o que é.

Podemos encontrar um caminho, quer através da realização de protótipos, onde podemos prevenir muitas consequências de uso indesejáveis quer através da utilização de espaços brancos onde podemos combinar soluções com a cultura onde esses produtos ou serviços poderão ser disseminados.

Design thinking procura descobrir os desafios de implementação imprevistos e consequências não intencionais, a fim de obter resultados mais confiáveis de sucesso a longo prazo.

“As ferramentas de análise do mercado externo são bastante conhecidas. No entanto, no mapeamento de espaço em branco o objectivo é abordar o desconhecido. Você poderia até dizer a definição do “espaço branco” é que há poucas pegadas na areia.” – Idris Mootee

Esta é apenas uma possível página neste assunto. Quer deixar algumas notas sobre o que pensa disto?

Obrigado!

O querer, o desejo e a necessidade

@sonia_manchanda escereveu: everyone dreams!

É nos sonhos que encontramos muitas vezes lugar para realizar os nossos desejos quando os mitos não se tornam realidade.

“Assim, os indivíduos representarão os seus próprios desejos e aspirações no seio sagrado dos deuses e deusas fabricados autoritários. A faculdade imaginativa do homem manifestar-se-ia nas suas necessidades básicas e desejos mundanos pelo melhor conceito do que o de transformação em outras coisas ou entidades, literalmente conhecido como “A Metamorfose”. Em relação às necessidades, não havia melhor substituto para a Metamorfose pois poderia efeminar o homem áspero e tomar medidas para atender às suas necessidades e embelezar os ritos selvagens que ele carregava para garantir a sua sobrevivência. O mesmo poderia ser aplicado a seus sonhos e desejos, pois foi somente através da possibilidade de mudança e transformação que ele poderia tornar-se o que ele desejava tornar-se. Somaye Nouri Zenoz

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!

Não é realista tentar viver sem desejos. Não vale a pena sequer pensar sobre isso, porque os desejos são o alimento ou combustível da nossa criatividade, são motivação intrínseca, dão-nos satisfação, e empurram-nos para alcançar os nossos propósitos.

O problema surge quando os nossos desejos se tornam nas nossas necessidades. De repente não consigo satisfazer os meus desejos e desespero e quando isso acontece há um desequilíbrio.

Na verdade, todos nós temos os nossos próprios filtros exclusivos, incluindo a nossa cultura, as nossas experiências, tendências, preferências e preconceitos que só complicam a satisfação dos nossos desejos.

Sem grandes preconceitos, podemos dizer que o desejo é uma força fundamental da existência humana e a manifestação primária de energia sexual que está presente em todos os seres humanos. Embora o desejo pode ter conotações negativas por força das pressões da sociedade ou sociedades que pretendem controlar o desejo, este deve ser visto como positivo e construtivo.

É o caso do nosso desejo de participação, de compromisso, de produtividade de felicidade e de bem-estar.

O meu sonho, desejo maior, é ser…é ter…é fazer…é…a minha vocação!

O desejo maior torna-se uma necessidade que importa satisfazer e muitas vezes alimenta os empreendedores.

Esse desejo também pode ser revelado como a necessidade de cumprir um propósito e auto realização sem olhar à dimensão, e neste caso, o desejo leva a proporção de uma missão e alcançar esse objectivo torna-se quase uma obsessão saudável.

“Podemos encontrar um novo modelo de crescimento económico sustentado, que não apenas para prover as necessidades, mas também tornar sonhos em realidade?” –  Bruce Nussbaum

Traduzir esses sonhos em cenários para o futuro e formular planos concretos para investimentos e negócios reais é um desafio lançado agora na Índia.

Designers, especialmente designers humanitários, geralmente tentam satisfazer as necessidades das pessoas. Na Índia, eles vão tentar realizar os sonhos das pessoas.

O que significa isso? Como é que isto vai acontecer?

O que pensa disto?

O propósito e a propósito de influência

 

Foi mais de uma hora de diversão e partilha de ideias no #ideachat de sábado (12/2) promovido por Angela Dunn (@blogbrevity) cujo relatório pode ver aqui!

A seguir estão alguns extractos desse relatório que serviram de inspiração para levantar algumas questões sobre o valor das ideias, isto é:

– O que podem ser boas ideias?

Angela Dunn iniciou (após apresentações) o debate com: “Let’s start with:

 – What is an influential idea?”

As respostas surgiram naturalmente de todos os participantes mas eu retirei apenas duas porque elas representam os pontos de contacto para atingir o meu propósito.

@futurescape: RT @Jabaldaia: #ideachat A1 An idea that provokes change!” e

@futurescape: RT @designthinkers: #ideachat Q1 Answer = when it’s contagious”

Normalmente se tivéssemos de considerar uma resposta apenas optaríamos por uma destas, mas o facto de Syamant (@futurescape) ter feito RT às duas leva-me a refinar a minha resposta e a produzir uma nova resultante das duas:

“Uma ideia que provoca a mudança e é contagiosa”, é uma ideia que influencia.

Agora imaginemos que eu tenho uma ideia com estas características e alguém me pergunta:

– “Como usa uma estratégia de conteúdo para expressar as suas ideias?” #ideachat – @blogbrevity:

Entre as muitas respostas eu retiro do relatório a que dei e que foi partilhada:

@futurescape: and @nedkumar: RT @Jabaldaia:Sublinhando e repetindo as ideias principais e dando significado aos pontos de contacto”.

Mas se de facto eu tenho uma ideia ou conjunto de ideias que pretendo sejam implementadas e que mudem comportamentos ou condições de aceitação ela tem que ser contagiosa e suportada numa boa história onde se sublinham as qualidades e se insiste nas vantagens da aceitação.

Acontece que a determinada altura do debate Arne van Oosterom (@designthinkers): lançou uma boa questão:

 – “ @alf2021 @Jabaldaia Eu não fiz nenhuma pesquisa…mas por vezes as más ideias parecem mais influenciáveis/contagiosas que as boas ideias. :-)”

O que pensa disto?

Para quem recebe – Será que o fruto proibido é o mais apetecido?

Para quem convence – Será que fazer contagiar uma má ideia é um desafio à inteligência de quem o faz?

Eu penso que Arne tem razão e nós temos muitos exemplos de ideias que foram bem “vendidas” e que são retratos autênticos de más ideias. Refiro-me às ideias que levam a um consumismo excessivo e às ideias que conduzem a situações irreparáveis como foi o caso de alguns produtos financeiros.

Eu penso que as boas ideias são aquelas que têm como alicerces um propósito (não um objectivo) e um significado (algo que faz sentido e que traz valor (ético, moral, etc.) a quem entrega e a quem recebe.

Mas claro que nem toda a gente pensa da mesma maneira e há pessoas inteligentes que gostam de defender ideias más.

Como podemos lidar com as más ideias?

Eu acho que vou aceitar a ajuda de Scott Berkun:

Pessoas inteligentes, ou pelo menos aqueles cujos cérebros têm boa primeira velocidade, usam a sua velocidade de pensamento para dominar os outros. Eles vão saltar entre os pressupostos rapidamente, lançando o jargão, pedaços de lógica, ou regras de ouro a uma taxa de “fogo” suficientemente rápida para fazer com que a maioria das pessoas fique agitada e ceda. Quando isso não funcionar, o arrogante ou o pomposo lançará algumas depreciações e usará qualquer sarcasmo ou tácticas de manipulação que têm à sua disposição para continuar a desanimá-lo de dissecar as suas ideias.

Então, sua melhor defesa começa por quebrar um argumento em pedaços. Quando dizem que “é óbvio que precisamos para executar um plano agora.” Você diz: “espere. Você está muito à frente de mim. Para mim, a seguir eu preciso decompô-lo em pedaços. “E, sem esperar pela permissão, você deve ir em frente e fazê-lo.”

No nosso debate de ideias partimos do princípio que todas as ideias (novas) são boas e que não há mas ideias. No entanto se elas surgirem combata o contágio começando por si.

Tenha boas ideias!

Chovia torrencialmente naquele dia!

Sentado calmamente no sofá ouvia as notícias enquanto experimentava o meu novo telemóvel e, de repente, surge a imagem provocadora de desassossego “…acidente na auto-estrada provoca 3 mortes e 1 ferido em estado grave”.

Por sorte ou falta dela ainda não tinha o telemóvel capaz de ligar a alguém para dar a notícia. Seria um desabafo se o tivesse feito!

Porque sabia que no dia seguinte iria passar naquele sítio, procurei relaxar e fazer contas. Não à vida, mas aos números de acidentes, mortos e feridos que entretanto o locutor contabilizara.

– “Mais um que no ano passado em época homóloga!”  

Bem-feitas as contas, pensei: “Bom! De cancro foi x+1, de gripe

Y+1, de acidente aéreo foi z-1, etc.”

Do mal, o menos, o risco existe e eu tenho que o assumir. Será?

Sou capaz de conduzir atento, sem excesso de velocidade e o carro está em perfeitas condições para a viagem. Dados estes pressupostos só tenho que admitir que o risco existe mas isso não é impedimento para eu investir na viagem. Nada me garante que vá ter sucesso, mas é esperado que assim seja.

– “Vou viajar!”

A nossa capacidade racional de admitir e pesar o risco coloca-nos muitas vezes, principalmente em negócios, em posições de fraqueza face ao mercado e à concorrência.

O que nos leva a enfrentar com medo situações de que sabemos acarretam baixo risco comparadas com outras de muito maior risco?

 

A utilização dos “ses” faz com a que a tomada de decisão, em questões pertinentes e cruciais, se arraste por tempo indefinido, muitas vezes até à ineficácia da decisão, quando esses “ses” são vistos numa perspectiva negativa.

Se pelo contrário eu pergunto muitas vezes “e se…?” mas com o intuito de encontrar novas soluções essa utilização é bem-vinda e proporciona novas oportunidades e novos negócios.

A atitude face aos “se” determina a nossa derrota antecipada ou promete ou sucesso.

A história de um acidente contada na televisão, engana o nosso pensamento, porque vem carregada de emoção, mas engana por pouco tempo. Um acidente diário com aqueles números não tem impacto igual a uma queda de avião com 150 passageiros!

Mas números são números e sabemos que por ano morrem menos pessoas de acidente de aviação do que de automóvel.

Tudo isto porque nós, pessoas, afinal pensamos de forma rápida, associativa, carregados de emoção tendo o hábito como líder.

Nestas alturas é importante lembrar a inteligência emocional e contar a história do Sr. Risco e as suas aventuras com a emoção.

Quando duas pessoas caminham lado a lado, elas prestam atenção, à distância a que estão uma da outra, para não andarem aos encontrões!

A racionalidade e a emoção também devem saber passear lado a lado, e por vezes, ora dirige uma, ora dirige a outra. São exemplo disso as “contas a pagar” ou “os sucessos a celebrar”.

A aceitação de risco nas empresas não pode ser governada exclusivamente pela lógica dos dados, assim como não pode ser conduzida como um devaneio de fim de tarde.

É importante um equilíbrio! Importa a intuição, importa a experiência e a emoção, para que o risco seja visto não como uma ameaça mas como uma oportunidade!

Será que o medo de falhar não pode ser substituído pelo prazer de um propósito?

Integrar sentimento e pensamento

“Mas há muitos negócios que podem aprender através da arte sobre o pensamento e até mesmo raciocínio moral. O trabalho em equipa, cooperação e valorização para os diferentes talentos e o trazer outras vantagens são inerentes ao ensino artístico. Criatividade e flexibilidade de pensamento são de rigor. Estes são os chamados ” intangíveis”, tão difíceis, se não impossíveis de medir particularmente que avaliação qualitativa pode ser tão válida como a avaliação quantitativa:

  • Qual é o melhor meio para usar?
  • Quando é que um projecto está completo?
  • É um bom trabalho?
  • Como sabemos, se não existirem regras para o julgar ou respostas chave?

 As artes ensinam-nos como juiz, na ausência de “regras” com o uso da emoção e da auto-reflexão.” Ruth Sherman

Pensar Design é parte paixão e parte foco estratégico na criação de crescimento, olhando para todos os aspectos do negócio para criar mais valor. É muito mais do que simplesmente ouvir os clientes. A pesquisa é importante para identificar as potencialidades e oportunidades, no entanto, em algum momento temos de alavancar uma ideia: o que será que os clientes querem e ainda não sabem?

Donald Norman em “Emotional Design” aconselha a considerar o nosso conceito de produto ou serviço a partir de três perspectivas.

Impacto visceral: Isto é, a primeira impressão que se espera que o consumidor tenha com seu serviço ou produto. Isso reflecte sua aparência física ou design.

Impacto comportamento: Isto é como que alguém usa a ideia: o seu sentir, forma e função. Como avaliar a experiência de usar o produto ou serviço?

Impacto reflexivo: Depois que alguém usa ou experiencia seu serviço ou produto, o que queremos que fique na memória? Que mensagem quero que eles passem sobre o produto ou serviço?

Prestar atenção, lembrar, ser capaz, querer e fazer coincidir conduzem-nos à modelação do comportamento.

“Formas artísticas de pensamento integram sentimento e o pensamento de modo a torná-las inseparáveis. Uma sabe que a outra está certa porque sente o relacionamento…outra forma de colocar a questão é, à medida que aprendemos através da arte tornamo-nos mais qualitativamente inteligentes.”- Eisner, Elliot W

Procurar facilitar a aprendizagem para novos comportamentos não é mudar comportamentos.