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Podia ser mais simples?

Esta é a pergunta que deve ser feita com frequência num mundo como o nosso cujos bastidores se caracterizam por complexidade e fluxos de informação intermináveis. Quanto mais complexo é um sistema, mais informações fluem através dele.

Parece-me por isso que um bom trilho a percorrer é o da complexidade mínima, isto é, transformar as jornadas completas dos consumidores e utilizadores em experiências simples mas surpreendentes.

Muitos dos produtos e serviços criados hoje são mais sistemas complexos que simples objetos; eles frequentemente envolvem uma confluência de software, hardware e comportamento humano.” – Tim Brown

Adotar uma estratégia de simplicidade é um dos caminhos a percorrer mas devemos estar conscientes de que a simplicidade é um alvo móvel e relativo.

A velocidade de aceleração da inovação provoca uma evolução e não garante que uma solução seja a mais simples por muito tempo. Não são só os sistemas complexos que evoluem, também as coisas simples como pode parecer ser o comportamento das pessoas à nossa volta.

Para as organizações e naturalmente também para as pessoas, um qualquer atraso em relação à velocidade da implementação da inovação pode dar origem a uma quebra ou rutura no seu “equilíbrio”.

As várias gerações que hoje compõem o nosso ecossistema são um bom motor de evolução e são notoriamente visíveis as diferenças de velocidade de adaptação aos sistemas complexos que a sociedade vai gerando.

Isto não é particularmente preocupante porque os seres humanos, de uma forma geral, evoluem e são capazes de rumar na direção certa, isto é, a da simplicidade.

“Simplicidade e complexidade precisam uma da outra. Quanto mais complexidade há no mercado, mais o que é mais simples se destaca. E porque a tecnologia só vai continuar a crescer em termos de complexidade, há um benefício económico claro na adoção de uma estratégia de simplicidade que ajudarão a colocar o seu produto à parte.” – John Maeda

As pessoas precisam de coisas que lhes proporcionem uma relação de simplicidade e que conduzam a “comportamentos desejáveis”.

É portanto na procura da mudança de comportamentos que podemos encontrar uma forma simples de fazer as coisas, isto é, as empresas devem procurar conciliar a necessidade de proporcionar “coisas” simples mas que sejam eficazes no despoletar de comportamentos desejáveis (experiências gratificantes).

Contudo é importante assinalar que esses comportamentos desejáveis a que me refiro não são orientações de topo das organizações mas sim as vontades das pessoas que eventualmente participam em atividades de cocriação.

As empresas têm de ser capazes de abrir as portas às comunidades e promover a cocriação, a partilha de ferramentas e até o conhecimento para facilitar a extensibilidade e proporcionar a resolução de problemas localmente e face a especificidades.

Problemas locais são muitas vezes resolvidos com a intervenção no domínio dos comportamentos como é o caso da área da saúde.

“Penso que uma maneira de pensar sobre a aptidão no domínio organizacional é o conceito de propósito. As organizações que têm um propósito claro tendem a ser capaz de conceber de uma forma menos de cima para baixo.” – Tim Brown

É importante que no futuro o sentido da nossa ação enquanto atores ou personagens dos eventos que as organizações nos propõem seja o da cocriação para dessa forma a simplicidade se encaixar nas nossas necessidades, desejos e até vontades.

Para Tim Kastelle, as empresas que se encaixam no propósito são melhores. “Elas compartilham todas as características descritas para as empresas que estão pensando sobre inovação, mas são significativamente melhores na execução de ideias. Na prática, isso significa que eles são provavelmente razoavelmente boas no processo de gestão da ideia. Elas têm a capacidade de capturar ideias, ter um processo para selecionar as melhores, elas podem executar as ideias e eles podem levá-los a espalhar-se.”

Desta forma, as empresas com propósito podem com facilidade chegar mais perto dos utilizadores, dando-lhes acesso a um sem número de dispositivos ou ferramentas que os ajudem a alterar os seus comportamentos, de um estado menos bom para outro mais desejável. Imaginemos essa vontade aplicada no design da mudança de comportamentos relativos á alimentação e saúde.

O que importa em Design de comportamento:

“1. Nós, seres humanos, somos preguiçosos. BJ Fogg mapeou os seis elementos da simplicidade que representam esta realidade. Com esta nova visão, nós podemos identificar porque muitos projetos não conseguem atingir resultados. A simplicidade importa mais do que motivação quando se trata de influenciar as pessoas.

2. Gatilhos quentes mudam as pessoas. Muitas pessoas argumentam que informação importa mais ao projetar para a mudança de comportamento. Não é assim. Disparadores quentes são o elemento mais poderoso na mudança de comportamento.

3. Hábitos diários são poderosos. Na verdade, hábitos diários são os mais poderosos de todos os comportamentos. Enquanto a tecnologia pode ajudar as pessoas criam bons hábitos a maioria das tentativas falham. Porquê? Alguns designers compreendem a psicologia da mudança de comportamento a longo prazo. Sabemos que é preciso para criar um hábito – em si mesmo, num cliente, no seu cão.

Design para a mudança de comportamento através de tecnologia móvel e social é novo, sem nenhum livro líder ou conferências para fornecer orientação.” – Stanford Persuasive Tech Lab

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