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Mutações necessárias

 

Ontem foi mais um dia de inspiração com #Ideachat promovido por Angela Dunn (@blogbrevity) e dessa fervorosa troca de ideias retirei uma que me parece servir o meu propósito:

Como facilitar um novo estado de espírito que traga para a inovação mais significado e mais aceitação da nova realidade que é o século 21?

No decorrer de #ideachat, Dean Meyers (@deanmeistr) disse: ”As ideias são construídas em processos interactivos, assimilação, adaptação, mutação: e podem viajar através de muitas mentes.”

Eu concordei com esta afirmação dizendo que as ideias são como viroses e de facto esse processo de contaminação pode ser extremamente útil quando pretendemos que a mudança aconteça.

O caminho é simples:

– Há lugar a um comportamento contagioso mas naturalmente benéfico.

– Há lugar à aplicação de pequenas mudanças que têm grandes efeitos.

– Tal como nas viroses, as mudanças acontecem de repente.

Na minha opinião estes princípios são aplicáveis para promover a mudança de quadros mentais tradicionalmente divulgados no séc. XX onde a análise do que se fez prevalece sobre o que se pode fazer.

Refiro-me ao pensamento analítico, que se sustenta em duas formas de lógica, raciocínio dedutivo e raciocínio indutivo, para definir as verdades e as certezas dentro das organizações e não só.

Esta forma de pensar, não é de facto uma doença, mas que me desculpem os puristas, é um mal-estar generalizado nas organizações, que urge dissolver de forma epidémica.

O comportamento contagioso que importa ter é o do primado da criatividade e da inovação com pensamento crítico efectivo.

Há pequenas mudanças que têm grandes efeitos e, uma delas, um grande desafio, é a passagem de um pensamento rigoroso e analítico para um pensamento de equilíbrio entre a análise e a intuição, tentando definir direcções e tendo como objectivos a inovação.

Teremos de encarar as possibilidades, isto é, não ficar exclusivamente pela análise do passado mas pensar no que pode ser no futuro. Utilizar o pensamento abdutivo.

De acordo com Jeanne Liedtka pensamento abdutivo é a “lógica do poderia ser”. Pensamento indutivo é “provar através da observação que algo realmente funciona”; Pensamento dedutivo é “provar através do raciocínio por princípios que algo deve ser”.

É esta a dança que o pensamento tem de acompanhar. É a mudança, é a Inovação.

A nova prática deve ser mais colaborativa, mas de uma forma que amplifique, em vez de subjugar o poder de criatividade dos indivíduos, capaz de responder a oportunidades inesperadas, procurando um equilíbrio entre produtos ou serviços e a sociedade.

As mudanças acontecem de repente!

Temos de olhar, não apenas as necessidades dos consumidores, mas também para o seu meio ambiente e cultura e, o que se pede aos criadores é que procurem as falhas nos sistemas e, que usem a sua criatividade para as preencher.

Eis um bom exemplo:

Good Business: Você consegue imaginar um mundo no qual as pessoas realmente se unir de forma sistemática e legalmente derrubar bancos?

Umair Haque: Claro que posso, os holandeses apenas se auto-organizaram digitalmente para forçar o parlamento a dar a sua machadada no “bónus dos banqueiros”. Não é só para frente, mas com efeitos retroactivos. Isso não é um passo de beb, é um salto gigante. Se os holandeses podem fazê-lo, usando tecnologia inventada nos EUA, o Twitter e´o Facebook, é terrivelmente irnico que os americanos parecem pensar que ele é quase tão irreal como um filme de ficção científica chamado ´”Escape from New York Meets Cloverfield.”

 

Mas quem são as pessoas que estão disponíveis para lançar estas abordagens “epidémicas”?

São pessoas que transbordam curiosidade, com capacidade para empregar o conhecimento tácito e desenvolver a capacidade de estar alerta.

São os mesmos que têm capacidade para compreender problemas complexos e identificar as raízes dos mesmos problemas, antecipando e visualizando novos cenários.

São ainda capazes de gerar ideais novas e de as sintetizar para a resolução de problemas.

Quer comentar?

Experimentar é bom!

Ontem tive a oportunidade de conversar no twitter com Shell (@shellartistree) sobre uma das suas criações em aguarela. Os meus agradecimentos a Angela Dunn (@blogbrevity) por ter estabelecido o contacto.

Curiosamente tinha decorrido um #ideachat onde se trocaram ideias sobre, entre outras coisas, a estética Japonesa que vale a pena ver em “Ideias para a mudança significativa” de onde transcrevo:

“Estas sete qualidades estéticas podem orientar o design de quase tudo, não importa se é uma acção ou um objecto. ” –

 “A Estratégia Shibumi”

Kanso – simplicidade
KOKO – austeridade e subtracção de não essenciais
SEIJAKU – quietude
FUKINSEI – assimetria e a imperfeição sedutora
DATSUZOKU – quebra da convenção
ShiZen – naturalidade, sem pretensão ou artifício
Yugen – subtileza e sugestão.

De um lado e de outro das conversas recolhi alguns pontos que me fizeram pensar até que ponto será possível aprofundar as experiências de uma artista em criatividade, e particularmente, usando aguarelas e transferi-las para o mundo do trabalho dos “stressados”.

A água é um elemento fundamental na criação com aguarela tem um comportamento extraordinário que devemos observar e até experimentar.

A água por vezes faz-me lembrar a quietude (SEIJAKU) e outras vezes (Yugen) subtileza e sugestão como é o caso da obra de Shell.

As pessoas criativas são como a água e procuram entregar o conforto mesmo partindo de um ambiente de constrangimentos ao mesmo tempo que transformam o silêncio em comunicação para poderem ouvir e sentir as necessidades das outras pessoas.

A criatividade é como a água, flui com facilidade e é flexível fazendo-nos confiar na intuição.

Ser criativo é ser capaz de sentir profundamente, é ter a capacidade de lidar com mudanças facilmente ou deliciar-se com coincidências felizes.

Nós, enfrentamos diariamente desafios sem ter um minuto de descanso! Os desafios que enfrentamos aumentam com regularidade e ficamos cada vez mais ansiosos na procura de soluções criativas para os resolver.

A ansiedade é um estado psicológico que envolve aspectos somáticos, emocionais e comportamentais.

Para baixar a ansiedade procuramos aumentar as nossas capacidades de resolução de problemas.

Mas se esses desafios diminuem temos tendência a relaxar e, se as nossas competências são fracas, facilmente criamos tédio.

Mais ainda, com o desenvolvimento das nossas competências podemos também criar tédio se os desafios diminuírem.

Grandes desafios e grandes capacidades são sinónimos de grandes resultados e pequenas experiências podem simbolizar grandes desafios.

Experimente trabalhar a água e a cor e para além de resultados pessoais surpreendentes vai encontrar analogias com significado no seu trabalho diário.

Em alguns relatos de investigação, já realizados, sobre o efeito da cor no comportamento humano e nas emoções, verificou-se que as nossas associações pessoais e culturais afectam nossa experiência de cor.

A utilização da cor em ambientes de criatividade e inovação pode merecer alguma reflexão.

O que está por detrás da cor?

A cor inspira a criatividade e incentiva os indivíduos na geração de ideias novas. O uso da cor não só ajuda as pessoas em projectos “artísticos”, a cor estimula a criatividade de pensamento para a escrita e para contar histórias e ajuda a avaliar e resolver as questões.

Claro que há pessoas que não utilizam a cor como base de inspiração privilegiada. É o caso de Twila Tharp que no seu livro Creative Habit diz que “Eu passeio numa grande sala branca!”.

Tente combinar  a quietude (SEIJAKU) com a subtileza e a sugestão (Yugen) e conte-me como foi!

*Imagem gentilmente cedida pela autora!