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A interferência das emoções num ambiente de inovação

Apesar do crescente reconhecimento da relevância do afecto na cognição, os pesquisadores em analogia prestam pouca atenção à emoção.

As analogias mais simples, são as analogias e metáforas de referência directa sobre emoções.

Muito mais interessantes são as analogias que envolvem a transferência de emoções, por exemplo, a empatia, em que as pessoas compreendam as emoções dos outros, imaginando as suas próprias reacções emocionais, em situações semelhantes.

Finalmente, existem analogias que geram emoções, por exemplo, piadas com analogias que geram emoções como, surpresa e diversão.

Nas analogias sobre as emoções, as fontes verbais ajudam a iluminar o alvo emocional, que pode ser descrito verbalmente, mas que também tem um desvio, aspecto não verbal, fenomenológico. Estas analogias são também usadas sobre as emoções negativas, por ex.: a raiva é como um vulcão, o ciúme é um monstro de olhos verdes, etc.

Mas nem todas as analogias são verbais, algumas envolvem transferência de representações visuais. Pensar visual e analogia visual tem sido sempre vistas como ajudas importantes na resolução de problemas através do design.

Nas tarefas de design onde o pensar visual é largamente utilizado, os designers são frequentemente assistidos por estímulos visuais, tais como mostradores. (Goldschmitd)

O uso de analogias visuais, melhoram a qualidade das soluções dos designers e em muitos casos instruções para o uso de analogias foram consideradas factores críticos para o sucesso. (Casakin).

As analogias também podem envolver transferência de emoções de uma fonte para um alvo.

Um dos usos mais agradáveis de analogia é fazer as pessoas rirem, gerando o estado emocional de alegria ou divertimento. A maior parte do que faz uma analogia engraçada é uma combinação surpreendente de congruência e incongruência.

Uma analogia gera emoções positivas envolvidas na inspiração e auto-confiança.

O uso pelas pessoas, de modelos como análogos, para si mesmo, pode sugerir novas possibilidades para o que se pretende realizar. A inferência de que eu possa ter a capacidade de fazer algo, pode gerar grande entusiasmo com a perspectiva de tal realização. (Thagard)

Então, para chegar a essa realização, eu posso usar ou experimentar, uma analogia directa do tipo:

“Como têm sido resolvidos problemas semelhantes?”

Posso também procurar fazer parte do problema, imaginando-me uma prancha de surf a tentar deslizar mais rapidamente.

Mais elaborado, e usando a fantasia em busca de uma solução, como se estivesse dentro de um “filme”, procuro trabalhar por trás da solução.

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Puxar e empurrar a analogia, a caminho da Inovação

Herstatt refere a utilização de uma analogia, pelo arquitecto Michael Pearce, para criar um edifico de escritórios na África do Sul, cujo principal desafio era verões quentes e invernos frios.

Estava definido o problema. A solução encontrada para a estrutura, foi a analogia com os ninhos de térmitas.

“Mas Ford não inventou o automóvel, Edison não inventou a lâmpada, e os irmãos Wright, não inventaram o avião. A história simplista retira todas as outras pessoas, com quem eles trabalharam, tanto antes como depois, e sua contribuição fundamental para o processo de inovação.” – Hargadon

Numa equipa interdisciplinar é possível criar combinações, de peças de conhecimento, ainda não exploradas, que originam soluções inovadoras.

A analogia permite aplicar conhecimento existente a um novo contexto.

Segundo Herstatt, as analogias podem diferenciadas com a distância que se verifica, entre a fonte e o alvo de transferência:

Analogia próxima do produto (fonte e alvo na mesma categoria do produto), longe do produto (fonte e alvo pertencem a diferentes categorias de produto) e analogia a um não produto.

Depois de reunir diferentes analogias, estas são avaliadas quanto à sua aplicabilidade, e as soluções são transferidas para o problema que temos em mãos.

O factor experiência, conhecimento adquirido, tem um papel crucial na transferência de analogias. Quando o objectivo é alavancar a inovação, o foco das analogias centra-se na transferência de analogias a longa distância, cuja profundidade depende da criatividade e imaginação dos intervenientes no processo em causa.

 “ A nossa acção, numa abordagem baseada em investigação, mostra que a procura para e uso de analogias pode ser activamente e sistematicamente organizada. Isto levou a soluções inovadoras e com sucesso em todos os projectos que acompanhamos. Uma base de conhecimento diverso facilita a recuperação de conhecimento fora do campo do problema alvo. O conhecimento que está já na posse dos designers de produto antes do projecto de inovação parece ser de importância crítica. A heterogeneidade educacional apenas tem impacto na utilização de analogias não produto” Hersttat

Se Herstatt manifestou regozijo pelos resultados, já Gick e Holyoak num trabalho sobre, o processo analógico na resolução de problemas encontraram contrariedades para verificar os resultados esperados.

“ O modelo hidráulico do sistema de circulação de sangue e o modelo planetário da estrutura atómica, representam teorias científicas baseadas em analogias.”

A metodologia consistia em, a partir de uma história de casos análogos, procura-se descrever os problemas e as soluções, (estado inicial e estado objectivo) e observa-se como a analogia é usada em situações subsequentes.

– A história deve ser mapeada sobre a história do problema para identificar similaridades nos dois sistemas.

– Deve ser usado o mapa para gerar soluções. Isto pode ser feito, construindo uma serie de propostas solução, para o problema alvo que correspondam, às propostas de solução da história.

Os resultados não foram muito satisfatórios e algumas objecções podem ser levantadas no processo:

 – Pode não haver pertinência dos relatos espontâneos com o problema alvo.

 – Não estar clara a relevância da história para o problema alvo.

 – Dificuldade de acesso à memória. Como é que potenciais analogias podem aceder à memória?

“O processo de mapeamento envolvido no uso de analogias pode desempenhar um papel numa diversidade de competências cognitivas. Usar uma analogia envolve o mapeamento de duas ou mais instâncias com outra. Processo similar pode também estar envolvido ao abstrair a estrutura relacional comum a um conjunto de instâncias particulares.

Mary L. Gick and Keith J. Holyoak

“Apesar de o raciocínio analógico ser um método poderoso para a geração de ideias inovadoras, ele é perigosamente vulnerável a falhas de ignição quando as analogias são construídas em semelhanças superficiais.” Gavetti e Rivkin – HBR

Transferência de analogias (Parte 1)

Uma transferência, bem sucedida, de soluções de problemas de um sector, área ou domínio, para outro pode resultar em inovações substanciais.

Ao estudar a analogia podemos obter resposta para:

Como escalpelizar outros domínios, com problemas semelhantes, e identificar as melhores práticas.

Os estudos de analogia ampliam seu foco, para resolver problemas, e apoiar a identificação de abordagens novas e inovadoras.

Com base na definição do problema, uma equipa de pesquisa, interdisciplinar, procura analogias que sejam independentes do domínio de aplicação actual. O conhecimento dos membros da equipa, que é activado com diferentes técnicas de criatividade, é o ponto de partida.

Depois de reunir diferentes analogias, estas são avaliadas quanto à sua aplicabilidade, e as soluções são transferidos para o problema que temos em mãos.

Pode fazer sentido complementar este método com outros, tais como entrevistas qualitativas, análise de concorrência ou análise de tendências.

O pensamento analógico procede da fonte para o alvo.

O uso positivo de transferência analógica existe quando as características partilhadas pela fonte e pelo alvo são estruturadas. Por contraste, quando uma fonte e um objecto partilham atributos do objecto transferido, é muitas vezes realizada transferência negativa.

“Quando dois problemas partilham características, mas não as características da superfície, a transferência positiva espontânea deve ser mais provável em peritos do quem em novatos.

Quando dois problemas partilham características de superfície, mas não as características estruturais, a transferência negativa espontânea deve ser mais forte para os novatos do que para os especialistas.” – Laura R. Novick – Journal of Experimental Psychology

Há aqui a considerar, portanto, o factor experiência na forma como surgem os resultados de transferência de analogias.

Muitos designers procuram, nas palavras-chave ou em imagens significativas, as suas fontes analógicas. Depois eles transferem as fontes para fazer coincidir com equivalentes no trabalho que procuram realizar.

“Design por analogia é um a poderosa parte do processo de desenho, entre uma larga variedade de modalidades usadas pelos designers, tais como descrição linguística, Sketches, e diagramas. Precisamos de ferramentas para dar apoio às capacidades das pessoas para encontrar e usar analogias”Cambridge Journals

 Fontes : Yuan-YU Liao – Graduate Institute of Architecture, National Chiao Tung University

–       Cambridge Journals

–       How to use analogies to create breakthrough innovation? – Prof.Dr. Cornelius Herstatt

Analogia até no digital

 

Circulam rumores de que a inovação vai salvar a economia.

A inovação para enfrentar tamanho desafio tem de encontrar um método consistente e sustentável para produzir fluxos de ideias novas.

Novas ideias são, muitas vezes, antigas ideias embrulhadas em papel colorido. As antigas ideias são “recicladas” com equipamentos novos por um processo chamado de analogia.

Analogia é a capacidade de encontrar semelhanças em duas diferentes áreas do conhecimento que não parecem semelhantes na superfície.

Ou dito de outra forma a “transferência de um conhecimento prévio sobre uma situação familiar, chamada fonte, para uma situação que deve ser elucidada, chamada alvo.”  (Novick 1988)

As pessoas resolvem, os problemas todos os dias, usando analogias, com base em associações formadas ao longo do tempo. Este conjunto de normas de associação é também uma fonte de erro do indivíduo.

Estes padrões de associação dão às pessoas a capacidade de resolver problemas rapidamente, mas também limitam o espaço de busca da solução.

As associações padrão são úteis e prejudiciais.

A analogia é uma ferramenta eficaz para a comunicação de ideias e de novos produtos. Usar a analogia quando se fala de inovação é um factor-chave no desenvolvimento de uma ideia para passar as barreiras mentais dos decisores e executivos.

As ideias também deve sobreviver e prosperar, mesmo quando submetidas à linguagem e conteúdos variados de disciplinas como a engenharia, negócios ou design.

“As analogias, são omnipresentes na ciência, na teoria e na experimentação. Baseados num estudo etnográfico de um laboratório de pesquisa em engenharia neural, concentramo-nos num caso de inovação conceptual, onde o cruzamento de dois tipos de analogias levou a uma descoberta” – Nancy J. Nersessiana, e Sanjay Chandrasekharanb

Por exemplo, utilizando um aeroporto como uma analogia para um hospital, levou os administradores a agendar as descargas ao longo do dia, para melhorar o fluxo de pacientes. (Sue Kaiden),

A analogia proporciona tanto um foco claro como um processo de filtragem.

Mesmo num ambiente organizado, sempre que se juntam serviços, pessoas ou processos no desenvolvimento de um produto, é possível que os talentos de especialistas, proponham mudanças justificadas individualmente, mas que seriam erradas para a visão geral do produto.

A analogia é utilizada para tornar a inovação clara e específica.

É fácil ficar distraído ou mudar de foco quando um produto passa pelo processo de desenvolvimento. Quando se trata de um processo de inovação, o desenvolvimento da ideia, ganha mais clareza, mas também muda, e a mudança pode matar a ideia.

A analogia não é apenas um ponto focal da definição de uma ideia, a analogia também orienta, alinha e põe em evidência o produto.

O caminho do sucesso é feito com clareza e com o uso da analogia é mais provável que uma ideia seja solidificada na forma como foi originalmente concebida.

Descobrir o domínio certo e o sítio certo para uma analogia não é fácil, para fazê-lo é necessária, muita energia.

O truque para usar uma analogia, é perceber que já existem coisas que sabemos sobre o que nos poderia ajudar a resolver um problema novo.