Relatar experiências e transferir conhecimento

Muitas vezes, ao explicar ou clarificar o significado da nossa mensagem, sentimos dificuldade em fazê-lo, mas essa dificuldade pode ser atenuada se utilizarmos a narrativa, isto é, se contarmos uma boa história.

Por exemplo, uma ideia que se pretende inovadora tem de ser transmitida com paixão e é o calor dessa paixão que faz vibrar os nossos ouvintes, leitores ou espectadores.

Mas também é necessário aprender a contar histórias, porque hoje uma história mal contada pode ser pior que justificar uma análise suportada em dados pouco relevantes.

Há já algum tempo que as organizações manifestam um interesse renovado nas antigas formas de comunicação, talvez fruto da sua tomada de consciência da importância do conhecimento, e mais ainda, porque este não pode ser exclusivamente originário de análises frias, categorizadas e categóricas.

Nós, facilmente constatamos que as nossas experiências se vão acumulando com o passar do tempo e a partilha desses momentos e vivências é extremamente importante para a coesão das equipas e das organizações.

Contar histórias é por isso uma cola poderosa do conhecimento e das emoções dos elementos de uma organização. Contar histórias é uma forma comunicativa de sintetizar resultados de aprendizagens diversificadas e prolongadas.

A partilha de experiências através de histórias está a surgir em várias profissões como uma poderosa forma de trocar e consolidar o conhecimento. A pesquisa sugere que partilhar de experiências através da narrativa constrói confiança, cultiva as normas, transfere o conhecimento tácito, facilita o desaprender e gera conexões emocionais.”

Esta mensagem é claramente uma indicação de um caminho promissor que não aponta para o uso independente do conhecimento como forma para a criação de um fim feliz nas organizações, mas antes proporciona, um papel relevante às conexões, relações e emoções no ambiente organizacional.

Para construirmos um futuro, partilhando experiências, não nos podemos resguardar exclusivamente na análise das forças e fraquezas ou das ameaças sofridas e oportunidades ganhas e perdidas.

– Então qual é a solução?

A minha solução? Pense numa das opções estratégicas como sendo apenas uma história feliz sobre o futuro. Ela não tem que ser certa e não tem sequer que ser razoável. Ela só tem que resultar na sua organização e estar num lugar feliz no futuro. Na verdade, se fosse absolutamente certo e totalmente sensível, a sua empresa, provavelmente, já estaria a fazer isso.

Não tem de ser construída analiticamente. É uma história holística – é aqui onde nos iríamos encontrar a jogar e como nos iríamos ver a ganhar. A única exigência é que seja uma história feliz, uma aspiração. Se não estiver feliz, não vale a pena ser uma opção, em primeiro lugar.

Se cada participante conta uma outra história feliz, o grupo terá uma maravilhosa lista de opções – e muito rapidamente, porque os participantes não sentirão que têm de trabalhar muito duro nem ser terrivelmente cuidadoso e ser muito lógicos. A norma em todas essas dimensões é trazida para baixo. Enquanto isso, a criatividade é uma forma elevada até – porque estas são apenas histórias, histórias felizes.” – Roger Martin

Apesar de todas as forças positivas que contar histórias transporta, não nos podemos esquecer que um dos nossos grandes propósitos é partilhar conhecimento ou mudar comportamentos nas organizações e de preferência proporcionar a felicidade a todos os seus colaboradores.

Mudar comportamentos pode ter a ver com a forma como lidamos com a informação ou como lidamos com os nossos interlocutores e isso, algumas vezes, encobre armadilhas. Por exemplo:

-As histórias podem ser demasiado sedutoras e desviar os ouvintes ou leitores do verdadeiro propósito da história.

-As histórias quase sempre representam um único ponto de vista e por isso precisam de incorporar na sua construção pontos de vista diversificados.

-As histórias dependem de quem as conta e em que alturas são contadas. Num ambiente em mudança, as histórias podem eventualmente tornar-se distantes das realidades e das preocupações das pessoas presentes.

Contar histórias pode ser uma boa estratégia para partilhar experiências e conhecimento proporcionado à audiência ligações fortes e emotivas com a construção do futuro.

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