Estatuto e mentalidade

A minha geração em determinada altura das suas vidas pensou e sentiu que muitas coisas eram possíveis e alguns de nós continuam a pensar da mesma maneira, isto é, não têm necessariamente que provar antecipadamente que funciona.

Mas muito de nós quando conseguiram atingir o patamar da realização do que era possível, acomodaram-se ou não conseguiram aprofundar mais mudanças para além das provocadas na sociedade de uma forma geral. Refiro-me por exemplo ao Maio de 1968 e as suas consequências, aos movimentos hippies ou de uma forma geral ao desenvolvimento da democracia.

Mas a maneira de trabalhar, a forma como olhamos a natureza parece que não mudou muito. No que diz respeito a estas perspectivas estamos a ser puxados pelas gerações mais novas, também elas a viverem um mundo de possibilidades.

O digital está a puxar pelo analógico, embora este (Baby Boomer) ainda sejam os detentores dos comandos nas empresas e com alguma presença mais forte em alguns nichos de sociedade.

Enquanto o “status quo” trabalha incessantemente para guardar as conquistas dos Baby Boomer, as gerações mais novas tentam usufruir daquilo, a que muito bem, chamam direito e que é a possibilidade de se divertirem.

Começa a ser uma palavra dominante para mim, quando eu falo de “convergência” como uma forma de aproximar dois tipos de interesses e motivações diferentes e eventualmente divergentes.

Aquilo a que eu dou tanto significado ou procuro realizar como um propósito é afinal aquilo que é encarado pelas gerações mais novas como algo que deve existir como um direito de quem trabalha.

As empresas maioritariamente dirigidas por pelas gerações mais velhas começam já a sentir a necessidade de procurar um equilíbrio entre estas duas forças. Uma com a sabedoria e a experiência vivida em cenários diferentes dos de hoje e outra com os cenários de hoje a pedir mudança constante.

As virtudes da geração Y

As gerações mais novas querem:

– Um ambiente de trabalho flexível bem como o horário de trabalho, que permita a conciliação entre a vida de trabalho e a vida fora do trabalho.

– Trabalhar em equipa e numa cultura de colaboração.

– Ter sempre tecnologia actualizada.

-Ter pensamento para a frente, ser responsável e trabalhar em empresas inovadoras.

– Processos de negócios simplificados.

Aquilo que estas gerações mais novas pretendem é afinal aquilo que muitos de nós entendemos ser correcto, mas que ainda não sabemos como integrar no nosso modo de vida.

Os pecados dos Baby Boomer

– Colaborar pode significar pôr em causa o meu estatuto de “pessoa experiente” e tem como consequência abrir os silos da minha sabedoria.

– Um ambiente de trabalho flexível pode pôr em causa as minhas rotinas e o meu conforto e isso significa um esforço suplementar para que não estou preparado.

– Ter de estar a par da evolução tecnológica não deve ser uma preocupação minha, porque afinal para que servem tantas coisas?

– Pensar em frente significa pensar em descanso e ser reconhecido pelo que fiz, porque não é agora que vou desistir do que aprendi!

– Os negócios simples não são seguros. Há sempre necessidade de sigilo.

Estas virtudes e estes pecados são apenas caricaturas de pontos de vista divergentes mas que através de uma comunicação eficaz nas empresas é possível transformar em valor acrescido para os Recursos Humanos.

Comente a seu belo prazer!

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