Os impactos negativos

Hoje já não é surpresa o número elevadíssimo de produtos e serviços que são colocados à nossa disposição e que nunca serão “rentabilizados” pelos compradores ou utilizadores.

Provavelmente muitos desses produtos ou serviços teriam uma maior aplicabilidade na vida das pessoas se encaixassem num contexto, isto é, se quando são propostos às pessoas tivessem em contam o meio onde as pessoas vivem.

Algumas das formas de proporcionar essa contextualização são a pesquisa centrada nas pessoas e nas suas necessidades, a co-criação ou a possibilidade de extensibilidade desses produtos ou serviços.

E porque a extensibilidade, na minha opinião já incorpora as outras duas, eu gostava de tentar perceber até que ponto esta abordagem pode ter impactos negativos em inovação.

Será a extensibilidade uma possibilidade para validar a inovação num contexto?

Podemos dizer que a extensibilidade é o grau com que as funcionalidades existentes podem ser usadas de novas formas, criando assim novas oportunidades para a contribuição de novos conteúdos e para a co-criação de valor com a organização que promoveu esses produtos ou serviços.

O princípio parece ser simples: Existe um produto ou serviço que é entregue e depois o usuário, sem alterar a base, constrói sobre ele o seu “unique” de acordo com as suas necessidades.

Nós podemos ver isso em software ou em automóveis, em projectos de turismo ou em embalagens de produtos no supermercado.

 

 

Estes processos, no entanto, carecem muitas vezes de co-criação dada a especificidade de alguns produtos ou serviços, mas permitem a diversidade e a interdisciplinaridade sinónimos de riqueza nos resultados.

O que pode acontecer, e pode ser surpreendente, é que a extensibilidade pode ter um impacto negativo na experiência do utilizador ou consumidor.

Tomemos como exemplo, separar um serviço design (“completo”) ou a sua implementação em duas partes: O serviço nuclear e a aplicação de parcelas específicas.

Se nós pretendemos, que a aplicação das parcelas específicas, podem ficar sob a “tutela” do utilizador, no meu ponto de vista, vamos encontrar pelo menos duas situações distintas:

– Uma, as pessoas vão inovar ajustando a criação às suas reais necessidades sem terem de consumir ou adquirir irrelevância ou redundância.

Esta via, mais restrita por exigir um conjunto de competências não generalizadas, pode surgir como a refinação ou o equipamento por medida que muitos indivíduos e empresas necessitam. Ela também permite uma aplicação real ao contexto.

A outra, com duas variantes:

1-   As pessoas não vão satisfazer as suas necessidades e vão seguir o princípio do prazer, isto é, o caminho do uso e consumo não consciente de produtos e serviços.

2-   Não vão criar por não conseguirem articular as suas necessidades ou não se sentem confortáveis ao criar novas soluções para os seus problemas.

Este é o lado escuro da Lua, isto é, as pessoas não querem a extensibilidade enquanto utilizadores finais mas eventualmente aceitam essa possibilidade em co-criação com outros proponentes de serviços ou produtos.

Este é o lado da Lua que exige uma nova mentalidade nas propostas de negócio:

“Este tipo de abordagem exige capacidades completamente novas. Os estrategistas de sucesso do futuro terão uma compreensão holística e empatia dos clientes e serão capazes de converter um pouco turvas ideias num modelo de negócios criativos que possam fazer prototipagem e rever em tempo real. Para fazer tudo isso, eles terão que ser bons comunicadores, confortável com a ambiguidade e prontos para abandonar a busca de certas respostas em um único ponto.” – Roger Martin

Será que a possibilidade, de existir um novo serviço ou um produto diferente ou ainda a possibilidade de aplicabilidade a um novo tipo de contexto, através da extensibilidade, cria um impacto negativo nas pessoas?

 

Será que a extensibilidade a que me refiro só é aplicável a um número restrito de situações?

 

Será que o contexto é importante?

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