Do produto ao líder da organização

Quando era jovem adulto havia uma expressão que as pessoas, as que se juntavam nos mesmos grupos que eu, usavam para dizer que um de nós estava a mentir ou a inventar. Essa expressão era:

– “Conta-me histórias, que eu gosto!”

É com um sorriso na cara que hoje recordo essas reuniões e essas histórias. Havia um certo prazer em elaborar histórias convincentes mesmo para assuntos banais que hoje seria uma mina de ouro se o aplicássemos à transferência de conhecimento nas organizações.

Mesmo sabendo que a quantidade de conhecimento que armazenamos de uma forma geral diminui de valor, à medida que o tempo passa, contar histórias pode ser uma forma de validar esse conhecimento em novos contextos.

É importante contudo lembrar que a narração nem sempre funciona bem. Contar histórias não pode ultrapassar a qualidade da ideia subjacente a ser transmitida como acontecia com os meus amigos na adolescência.

A carga emocional contida nas histórias faz com que o sentido da mensagem seja integrado com mais rapidez e de forma mais profunda, mas o significado a extrair não pode ser adulterado.

Nas organizações contar histórias, envolve todas as partes interessadas no desenvolvimento de produtos ou serviços e não pode ficar pela descrição dos processos ou etapas de desenvolvimento.

Um produto é mais do que uma ideia, é mais que um site, e é mais do que uma transação ou uma lista de funcionalidades. Um produto deve fornecer um serviço que agrega valor para a vida de alguém por meio de satisfazer uma necessidade ou satisfazer um desejo ou experiência. A pergunta final, em seguida, é: O que identifica esse valor? Depois que o executivo ou as partes interessadas identificarem a ideia inicial, quem, na organização, garante que o produto e a experiência de entregam valor para o usuário? Talvez não é o gestor de produto, marketing, tecnólogo ou designer; Talvez o que precisamos é de um novo papel: o contador de histórias do produto.”

Um contador de histórias tem de ser alguém que inspira confiança, tem um propósito e não perde o significado dos elementos da história.

Nós sabemos que um elemento fundamental para o sucesso das relações entre as pessoas é a capacidade de criar uma história convincente. Contar histórias significa poder envolver a audiência, construir a confiança e clarificar centros de influência.

A construção de confiança na transferência ou partilha de conhecimento é fundamental para o desenvolvimento dos indivíduos e das organizações.

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Contar histórias pode alimentar a confiança entre os vários interlocutores dos processos de mudança.

Uma boa história ajuda a estabelecer a confiança, articulando valores, gerando uma ação inspiradora, provocando a partilha de conhecimentos, a construção da comunidades e ajuda a abrir os caminhos da inovação.

As histórias movem-nos para a ação.

A ação requer riscos e é inovação. A nossa abertura para assumir riscos está enraizada nas nossas emoções e estas são suportadas pelos nossos valores.

A inovação é uma necessidade vital para a competitividade das empresas e a inovação só faz sentido com a assunção de riscos. Nós sabemos no entanto que muitos gestores, enraizados não em emoções mas em análise, recusam com facilidade a possibilidade de risco. O mesmo se passa em relação à maior parte dos colaboradores das empresas para defesa da sua zona de conforto.

As histórias podem moldar a forma como nós respondemos.

Nós somos confrontados todos os dias com nova informação, novidades que nos confrontam com a realidade e que requer interpretação.

As histórias ensinam-nos a agir.

Se sinto essa vontade de agir ao ouvir uma história é porque ela me inspira. Sentir é deixar que as emoções assaltem o meu estado de espírito, e realcem “os valores” que há em mim, valores esses que criaram o significado de bom ou de mau na novidade que recebi.

Entre as características compartilhadas pelos líderes inspiradores, uma das mais importantes é a capacidade de contar histórias. Uma história de apelo é muito mais eficaz no tocante a ouvintes e movendo-os para ação do que uma enciclopédia inteira dos fatos de frios, duros. De mitos e fábulas para anedotas pessoais, contar de histórias tem um poder único para criar conexões rapidamente. Pessoas se conectam com a energia emocional de histórias… a potente impacto de uma história persiste muito tempo depois de meros fatos e números que são rapidamente esquecidos (ou demitidos).”

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