Repensar opções

Um bom caminho que nós podemos seguir, quando estamos face a um problema, é examinar o problema como um todo, observando e registando as complexidades que existem e abraçando a tensão entre ideias opostas para criar novas alternativas que surgem da vantagem de termos muitas soluções possíveis.

A nossa capacidade de criar de forma construtiva, face às tensões de modelos opostos, permite-nos gerar soluções alternativas, isto é, em vez de escolher um modelo em detrimento de outro podemos gerar um novo que contenha elementos presentes nos outros.

 O resultado final é melhor que cada uma das partes que lhe deram “vida”.

Todos sabemos a que velocidade a informação flui e como ela pode ser actualizada constantemente. Essa velocidade, quando pretendemos tomar decisões implica naturalmente, em muitos casos, momentos de alta tensão e por isso deixar as coisas como estão não é uma solução.

A maior parte das vezes estas escolhas (tomar decisões) são enigmáticas e provocam um autentico desafio na combinação de incertezas, ambiguidades, complexidade, instabilidade e risco e apelam também a aspectos únicos da nossa experiência.

Frequentemente quando nós tomamos uma decisão, pensamos naquilo que nos trará maiores benefícios e eventualmente não estamos atentos a possíveis consequências indesejáveis para outras pessoas. Estas consequências podem ser nefastas para elas e eventualmente repercutir-se em nós ou na nossa organização, por exemplo, podem dar lugar a indemnizações por danos causados a terceiros.

Nós não estamos sozinhos e a nossa atitude implica relações com outros indivíduos, grupos ou organizações. Por isso a melhor opção é trabalhar o problema como um todo. Dar atenção à diversidade de factores e compreender a complexidade das relações causais nas conexões.

 

Eu penso que Roger Martin e Hilary Austen nos dão uma preciosa orientação para a tomada de decisões quando procuramos soluções para os problemas com que nos deparamos. Nós podemos proceder por meio de quatro etapas ou passos:

Que tipo de informação ou que variáveis são relevantes para que se faça uma escolha?

Quando procuramos respostas a esta questão é preciso ter coragem e não tratar a tensão aliviando os factores que podem ser relevantes. Facilitar em demasia a escolha de factores importantes não é em nada aconselhável.

Que tipo de relações achamos que podem existir entre as várias peças do nosso puzzle?

É extremamente útil criar um mapa mental de causalidade e que estabeleça as ligações entre as diversas varáveis. Ao estabelecermos as relações críticas fazemos sobressair as saliências encontradas no primeiro passo.

Criar um modelo mental global, baseado nas escolhas feitas a partir das duas primeiras etapas.

Nesta altura devemos decidir onde e quando cortar dentro do problema, tendo em atenção a riqueza das ligações entre cada componente do problema. Isso faz-se trazendo algumas partes do problema à superfície e levando outras para trás.

Qual vai ser a nossa decisão, baseada no nosso raciocínio?

Depois de termos identificado as variáveis relevantes, depois de termos construído o mapa causal e de termos estabelecida a sequência de acções, deparamo-nos com a etapa mais difícil, a resolução.

Esta etapa ou passo é difícil porque ficaram muitas pontas para trás, mas como não é possível trabalhar com todos as variáveis do problema, a dificuldade aumenta.

Este desafio tem de ser encarado como uma tensão para poder ser criativo e para se poder gerir com flexibilidade.

“Os pensadores integrativos, numa organização, constroem modelos, em vez de escolher entre duas opções. Os seus modelos incluem uma análise de inúmeras variáveis – clientes, colaboradores, concorrentes, recursos, estruturas de custos a evolução do sector, e regulamentação – e não apenas um subconjunto das opções acima. Os seus modelos capturam o complexo, relações causais multifacetadas e multi-direccionais entre as variáveis chave, de qualquer problema. Os pensadores integrativos consideram o problema como um todo, ao invés de dividi-lo e trabalhar as peças. Finalmente, criativamente resolvem as tensões sem fazer cara aborrecida e transformam os desafios em oportunidades.”- Roger Martin

Eu pessoalmente acho extremamente rica esta abordagem.

Qual é a sua opinião?

 

 

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