Cenários indesejáveis!

 

A colaboração pode levar à inovação, à participação activa e envolvimento, à satisfação e motivação, à criatividade e a uma gama nova de profissionais de facilitação.

Nós podemos colaborar para o bem e para o mal.

Podemos colaborar para conceber uma solução que não se encontra facilmente ou que não se encontra registada como resposta aos problemas mais frequentes.

Podemos colaborar para encontrar um caminho ou uma estrutura de suporte conciliável com o nosso projecto mas que não nos é familiar.

Podemos colaborar, porque é facultativo e a transferência de conhecimento é vital para a obtenção dos resultados pretendidos.

Podemos colaborar para rectificar situações que nos são colocadas mas que nos causam insatisfação ou mal-estar e que são frequentes nas organizações.

Ou então nós podemos colaborar para criar um ambiente indesejável de forma a evitar o sucesso de outros, sejam eles a concorrência, um adversário na progressão da carreira profissional ou até na política.

Mas onde, quando e quanta colaboração é realmente necessária?

Nos grupos que se formam através de uma “selecção natural”, isto é, nos grupos em que factores como a proximidade, as semelhanças e onde existe um conhecimento prévio, o potencial de relacionamento é elevado mas contrasta com um potencial de aprendizagem fraco.

Pelo contrário, o conhecimento e as perspectivas das pessoas envolvidas em redes sociais podem ser mais diversificados do que o conhecimento e as perspectivas dos grupos de “selecção natural” e, nesse caso, pode haver lugar a uma experiência positiva com uma boa interacção e um forte motivação para colaborar.

Naturalmente que também pode haver falta de diversidade nos grupos e que dá lugar a um efeito do conhecimento comum que compromete a eficácia para resolver problemas transformando a colaboração num acordo tácito de solução.

A colaboração é valiosa quando as pessoas precisam de trabalhar juntas em algo que exige negociação, mas pressupõe uma linguagem comum e alguma disciplina.

Quando é necessária imaginação e existe uma partilha voluntária de conhecimentos dentro de uma estrutura previamente definida, por exemplo uma organização, a colaboração pode levar á inovação. Para isso, é preciso que haja a indicação de uma direcção e que as energias das pessoas sejam canalizadas para um propósito.

Colaborar não significa “fazer o favor de”…colaborar implica uma participação activa e o desejo explícito de partilha.

Por exemplo, se uma empresa pretende agir em colaboração com os seus clientes e portanto fazer deles seus colaboradores é necessário que exista um clima de abertura que proporcione um afastamento dos funis internos de ideias para abraçar a diversidade e aceitar ideias diferentes.

“A questão mais difícil de trabalhar é ir criando culturas e mentalidades abertas e colaborativas. O funil da inovação e o modelo de portão de “estágio”, criando uma série de obstáculos à inovação, para filtrar as ideias e os projectos de acordo com critérios predefinidos, são experimentadas e testadas. É preciso coragem para adoptar alternativas significativas. Hoje as empresas são geridas em grande medida para minimizar os riscos e muitas vezes sofrem de uma mentalidade “não inventado aqui” que rejeita as ideias de fora. No entanto, as empresas estão começando a perceber que muitas pessoas talentosas e empreendedoras estão escondidas entre seus consumidores.” BusinessWeek

O ambiente de uma organização está normalmente alicerçado numa actividade já desenvolvida e criar uma cultura e mentalidades abertas não é tarefa fácil e rápida. Requer uma vontade enorme de mudança e sujeição ao pensamento crítico, isto é, requer coragem para partilhar e aceitar pontos de vista diferentes dos nossos.

Criar uma cultura de colaboração implica a mudança não de uma pessoa mas de um grupo ou de uma organização e a mudança proposta pelos outros cria quase sempre resistência, pelo menos enquanto não operamos em modo colaborativo.

“Um dos principais impedimentos para a mudança bem sucedida é que as pessoas usam a crença de que “é difícil e leva muito tempo” para evitar tentar fazer as mudanças necessárias em tudo. Ou, pior ainda, elas propõem um processo de mudança de longa duração, mas apenas começam a trabalhar nele pouco antes da “data de vencimento” – talvez propor um projecto de dois anos, mas fazem todo o trabalho nos últimos meses (muito parecido com os estudantes que, apesar de eu atribuir um papel com meses de antecedência, não o iniciam até a noite anterior). Além disso, há muitas mudanças construtivas que não são difíceis e não levam um tempo longo – como a mudança de regras pequenas ou outros procedimentos, experimentação e delimitado com um novo programa, e assim por diante. Infelizmente, muitas vezes, a mudança em larga escala é reduzida ou interrompida, porque as pessoas se atrasam ou falham ao completar o conjunto de passos pequenos e fáceis necessários para realizar qualquer mudança de grande porte (Por outras palavras, eles não conseguem concentrar-se nas pequenas vitórias diárias). – Bob Sutton

Esta constatação de impedimentos é particularmente notória ao nível individual e nós sabemos que é necessário atribuirmos alguma disciplina a nós próprios para encontrar soluções para os nossos problemas ou integrarmos a mudança sem grandes consequências.

Quando estamos inseridos num projecto em que a colaboração é fundamental para a transferência de conhecimento e para a co-criação, os pequenos passos têm de ser dados em conjunto o que implica encontrar dentro da diversidade pontos comuns de interesse.

Colaborar também significa estar alinhado!

O que pensa disto?

 

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