Compreender a complexidade

Quando um responsável de uma organização diz que os funcionários dessa organização devem tomar mais iniciativas para desenvolver a criatividade e a inovação ele não está a dar autorização. Ele está a afirmar que não é preciso pedir autorização.

Esta preocupação em fazer com que esses colaboradores fossem naturalmente mais ativos e empenhados na geração de ideias dentro da organização nem sempre é bem vista. Com frequência vemos ou ouvimos em muitas organizações queixas afirmando que as organizações não criam um clima de criatividade ou cultura de inovação.

É no meio deste hipotético conflito que se encontra a saída para a construção de um ambiente de inovação e de valores e propósitos. As empresas (líderes e gestores) e os seus colaboradores devem ser corresponsáveis por esses ambientes.

Por exemplo, porque é que não promovem um grupo de colaboradores mais entusiasmados com criatividade e se procura que eles criem um clima ou ambiente de criatividade desejável?

A resposta mais frequente por parte desses colaboradores é que o tempo é absorvido por tarefas meticulosamente cronometradas.

Essa falta de disponibilidade só existe se não se fizer uma gestão da atenção ou se não se definirem prioridades e isto consegue-se com paixão e com um propósito comum.

Essa paixão chega muitas vezes por um processo de contacto e contágio com “coisas”, com a arte e com as humanidades. Uma organização pode fornecer sem grandes custos esse contacto e pode escolher entre os seus elementos os facilitadores de contágio, isto é aqueles mais entusiasmados e que propagam a paixão pela criatividade e inovação.

“A imaginação, a originalidade e a assunção de riscos não devem ser produtos derivados de uma educação universitária. Devem ser o seu núcleo.” – Jonathan Berger e Wolf Bryan 

Se pensamos em inovação a nossa tendência é pensar apenas em ciência e tecnologia, mas ao fazer isso estamos a ignorar a contribuição vital da investigação e experimentação em artes e em Ciências Humanas. Através destas temos conseguido criar um desenvolvimento claro na nossa qualidade de vida.

 

A educação em artes e humanidades é o alicerce de uma educação em artes liberais e tem três papéis importantes.

Primeiro, ele prepara os formandos para lidar com a complexidade, diversidade e ambiguidade das sociedades humanas.

Em segundo lugar, destaca-se e desenvolve a criatividade pessoal.

Em terceiro lugar, as artes ponte todas as culturas, proporcionando o acesso à experiência das pessoas em outros tempos e lugares.

No mundo contemporâneo, em que graduados de Stanford vão liderar e inspirar, a compreensão da complexidade, encontrar soluções criativas para os problemas, e navegar a riqueza da cultura humana são capacidades essenciais.”

A investigação em artes e humanidades podem desafiar o pensamento convencional, isto é, pode libertar o nosso potencial criativo e pode também pode fornecer uma compreensão do contexto histórico dos “factos”, um enquadramento cultural em que os sistemas, a sociedade e a economia funcionam.

O que as organizações devem aprender é a viver em harmonia com as artes e com as humanidades para serem capazes de abraçar a complexidade, diversidade e ambiguidade como desafios capazes de gerar emoções e alegrias.

Quando a convivência com a arte não se resume a uma visita esporádica a um museu e passa a ser parte integrante do desenvolvimento profissional a compreensão dos diferentes valores culturais passa a ser uma realidade.

A colaboração entre pesquisadores e criativos nas empresas pode levar a interessantes novidades que empurrem os limites das tecnologias existentes.

Um ambiente de contacto com a arte promove a criatividade pessoal dentro de uma organização e a sua construção deve ser bem partilhada por um líder visionário.

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One Response to As artes são uma ponte, entre todas as culturas, para a inovação

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