Será bom fazer perguntas com sentido?

Se uma empresa pretende ter como princípio fundamental a construção de um ambiente de inovação para ser bem-sucedida de uma forma sustentável, essa organização tem de estar conectada e precisa de aproveitar as ideias exteriores ao seu negócio para deixar uma marca de diferença e significado.

As boas ideias que fluem na parte exterior das paredes das empresas não chegam ao interior das organizações se não forem procuradas e identificadas com um propósito claro e bem definido e para que isso aconteça é preciso fazer perguntas.

Mas não umas quaisquer perguntas sem sentido! O importante é fazer as perguntas certas quando pensamos em inovação e as organizações têm de aprender a fazê-lo.

Se existe um clima de abertura a novas ideias nas organizações há lugar a oportunidades para criar coisas que são mais exclusivas e que permitem que se crie uma diferenciação em relação ao mercado.

Esse clima de abertura faz com que os líderes  desenvolvam a capacidade crítica de fazer perguntas em vez de ter todas as respostas, uma tendência que mantém as pessoas mais focadas em problemas e obstáculos do que em soluções.

Importa perguntar sobre o futuro sem pôr em dúvida a chegada e questionando não só “o como”, mas também “o porquê” das atitudes e dos passos que é preciso dar até lá chegar.

É um pouco como conhecer as futuras boas práticas e compreender o significado dessas práticas imaginadas num contexto de futuro e do seu eventual impacto no todo da organização.

É sentir o dia de amanhã como se do passado se tratasse!

Não é fácil fugir ao que aprendemos por pensarmos que é seguro ou adequado para gerir um determinado processo. É bom lembrar que o que nos foi transmitido, quase sempre tinha como suporte experiências bem-sucedidas que justificavam hipotéticas atitudes a tomar.

Neste princípio de século, já verificamos que a velocidade a que novas coisas são disponibilizadas, impõe uma atitude diferente.

Gary Hamel em “The future of Management” (Colocando os princípios para trabalhar), propõe um exercício que consiste em redesenhar, as respostas a um desafio, isto é, descrever as principais características de um determinado processo que foi escolhido, aplicando os princípios da “nova gestão.”

Uma vez mapeado o processo, eis algumas questões que deveremos colocar para facilitar a resposta ao desafio, desafio que se estende a todos nós e  que é revelador de como fazer perguntas:

– Como introduziria uma grande diversidade de dados, pontos de vista, e opiniões no processo? Como desenharia o processo para que facilitasse em vez de frustrar o desenvolvimento contínuo de novas opções estratégicas e encorajasse a implacável experimentação?

– Como redesenharia o processo para que explorasse a sabedoria do mercado, em vez de apenas a sabedoria dos peritos?

– Como redesenharia o processo para que encorajasse em vez de dissuadir vozes discordantes?

– Como poderia este processo encorajar os empregados a identificar e conectar os objetivos com que pessoalmente se preocupam?

– Com poderia este processo ser redesenhado de forma a ajudar a empresa a ser ou a ser um lugar ainda mais excitante e vibrante para trabalhar e um íman para talentos criativos?

Nós estamos numa época em que o mundo está a ficar mais turbulento e em mudança do que aquilo que as organizações são capazes de responder ou de se adaptar e por isso é preciso melhores organizações e melhores pessoas para as gerir.

Provavelmente as pessoas adaptam-se com mais facilidade à mudança do que as organizações colocando o desafio num outro nível e que é fazer coincidir as adaptações individuais com a adaptação da organização.

Por outras palavras temos que transformar as organizações à imagem das pessoas e deixar de fazer “evoluir” as pessoas à imagem das organizações.

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