O mau é muito mais forte que o bom!

Peter Sims  o autor de Little Bets: How Breakthrough Ideas Emerge from Small Discoveries fez esta pergunta a Tim Ferriss: Se olhares para os maiores sucessos no mundo, …, o que é que eles têm em comum?

A resposta é: Quanto maiores são, mais pequenas são as apostas que fazem.

Tudo começa com uma pequena aposta e mesmo quando falhamos aprendemos com isso.

A história que Peter Sims conta sobre o aparecimento do Twitter tal como o vemos hoje, encerra uma grande variedade de pontos de reflexão e por isso transcrevo alguns deles:

“Então, uma noite, Dorsey não conseguia dormir e traçou uma ideia num quadro branco. A ideia foi a troca de curta “Actualização de status” e-mails com amigos usando seu RIM 850, predecessor do BlackBerry. O dispositivo tinha quatro linhas de texto bom para formato curto de mensagens, mas infelizmente os seus amigos não tinham os RIM 850.

Por isso aquela experiência não foi a lugar nenhum, mas Dorsey ficou um pouco mais inteligente, um pouco melhor e um pouco mais perto de uma grande ideia.

…Naturalmente, sorte foi um factor importante, mas a abordagem Dorsey foi brilhante. Ele concentrou-se como um laser em mensagens curtas e fez centenas (senão milhares) de apostas pequenas, acessíveis nessa área, a maioria das quais falhou. Mas com cada passo ele ficou um pouco mais inteligente, mais e mais até que, finalmente, conseguiu um feito notável.”

Entre algumas das ilações que podemos tirar desta experiência, sobressai a necessidade de não perder uma oportunidade de trabalhar a ideia, isto é, a necessidade de não adiar o desenvolvimento da ideia através da experimentação e aprender com o insucesso.

As pequenas apostas Dorsey fez, mesmo as que resultaram em fracasso, proporcionaram aprendizagem e consequentemente um progresso na actividade que desenvolveu.

Estas pequenas apostas tiveram eventualmente como resultado um maior envolvimento no seu projecto e uma maior excitação à medida que evoluía.

Teresa Amabile fala deste progresso, talvez mais inserido num contexto organizacional, porventura mais complexo, mas não deixa de tratar-se aqui de um progresso de realização individual.

Amabile diz que é “O princípio do progresso: De todas as coisas que podem impulsionar as emoções, motivação e percepções durante um dia de trabalho, o mais importante é fazer progressos no trabalho significativo. E quanto mais frequentemente as pessoas experimentam a sensação de progresso, mais provavelmente elas serão criativamente produtivos no longo prazo. Se elas estão a tentar resolver um mistério científico importante ou simplesmente a produzir um produto de alta qualidade ou serviço, o progresso todos os dias, mesmo uma pequena vitória, podem fazer toda a diferença na forma como se sentem e como executam.”

Eu penso que cada um de nós já terá tido esta experiência de recompensa dado pelo progresso que obtemos na realização de tarefas mais ou menos prolongadas ou de difícil resolução. Quando verificamos que já estamos longe do ponto de partida ou próximo do fim ou da resolução do problema ficamos mais animados e entregamo-nos mais ao nosso propósito.

Ao termos a noção de que estamos a progredir, tornamo-nos mais criativos na resolução de problemas ou encaramos o trabalho de uma forma mais positiva que pode passar pelo auto-reconhecimento das nossas capacidades o que muitas vezes nos surpreende.

Nas organizações, quando as atitudes de apoio, frequentemente paternalistas, são “substituídas” pelas atitudes de facilitação do progresso, isto é, quando se evitam as situações repetidas de stress ou se evitam situações de infelicidade, a criatividade nas pessoas desenvolve-se e podem surgir mais ideias criativas ou podem os problemas mais complexos serem resolvidos mais facilmente.

No entanto é importante termos consciência que os efeitos negativos nas emoções podem provocar desalento e sendo o impacto das coisas más muito maior que o das coisas boas, a atenção dos líderes das organizações deve focar-se na prevenção desses efeitos negativos.

Facilitar o progresso e prevenir efeitos negativos nas emoções, percepções e motivação é o caminho a seguir para uma prestação mais criativa e produtiva.

Teresa Amabile diz: ”Isto significa que é especialmente importante para os empresários e gestores reduzir ou eliminar as forças que inibem a capacidade das pessoas se sentirem que estão a chegar a algum lugar em alguma coisa que importa. Os inibidores podem ser muito mundanos – como uma meta que não é suficientemente clara, ou uma pessoa na organização que esconde a informação – mas eles podem ser mortais.”

As pequenas apostas parecem levar-nos pelo caminho do progresso e seguir este caminho parece significar mais criatividade, mais motivação e mais sentido no trabalho que realizamos.

Até que ponto é que nós podemos seguir o princípio do progresso em ambientes de grande dimensão onde a incerteza impera, como acontece em algumas organizações?

Como é que podemos prevenir os efeitos negativos em equipas de projecto?

O princípio do progresso poderia ser a adopção mais significativa dos governos dos países em crise. Bastava para isso que de forma transparente mostrassem os progressos que conseguirem!

O que pensa disto?

 

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One Response to O princípio do progresso pode ajudar a resolver crises?

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